operação Candeeiro: mp investiga outras pessoas e empresas envolvidas

As investigações sobre desvios de recursos no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) continuam. De acordo com o Ministério Público Estadual, outras pessoas e empresas podem estar envolvidas no esquema de desvio de recursos da autarquia. 
MP denunciou 15 pessoas no dia 11 de setembro por envolvimento na fraude. A primeira fase das investigações apontou um desvio de R$ 19,3 milhões do órgão nos anos de 2013 e 2014, mas o MP acredita que os desvios começaram antes desta data.
"O MP pode afirmar de forma categórica que esses R$ 19,3 milhões dizem respeito única e exclusivamente aos ofícios que nós já temos, que já foram encaminhados ao juiz na ocasião do oferecimento da denúncia. Mas que no curso das investigações nós pudemos constatar que antes desse períodos, ou seja, antes de janeiro de 2013 já havia esse pagamento para outras empresas. Tudo indica que essas investigações vão continuar com relação ao período pretérito e certamente já ultrapassa esse valor de R$ 19 milhões. O Ministério Público trabalha com a linha investigativa de outras pessoas e outras empresas envolvidas", disse o promotor Paulo Batista Lopes Neto.
A operação Candeeiro também foi destaque no Fantástico no último domingo (11).
O promotor explicou que no decorrer das investigações ficou comprovado que havia uma conta corrente principal do Idema - que recebia os valores das taxas de arrecadação ambiental do estado inteiro - e duas outras contas secundárias. “Uma delas esteve bastante ativa no ano de 2012 e em 2013 fez alguns repasses que a gente identifica como ilícitos entre janeiro e março. Logo depois do encerramento dessa conta, em março, é aberta uma outra conta que sempre foi mantida oculta do Tribunal de Contas. Todos os balanços contábeis referentes aos anos de 2013 e 2014 encaminhados obrigatoriamente ao Tribunal de Contas não contemplam essa conta como sendo uma conta vinculada ao Idema”, afirmou.
Segundo as investigações, essa conta secundária foi criada única e exclusivamente com o propósito de desviar dinheiro do Idema. De acordo com o MP, o esquema utilizava "ofícios fantasmas" que eram emitidos pelo Idema ao Banco do Brasil solicitando transferências de recursos do órgão para pelo menos sete empresas. Nenhuma delas possuía vínculo com o instituto.
Clebson Bezerril é suspeito de ter participado do esquema criminoso investigado pela operação Candeeiro (Foto: Emanuel Amaral/Tribuna do Norte)
Clebson Bezerril é suspeito de ter participado do
esquema criminoso investigado pela operação
Candeeiro (Foto: Emanuel Amaral/Tribuna do Norte)
Operação Candeeiro

A Operação Candeeiro foi deflagrada no dia 2 de setembro. As investigações começaram após denúncias sobre o rápido enriquecimento de pessoas lotadas no setor de contabilidade do Idema. Pelo menos R$ 19,3 milhões foram desviados do órgão. O dinheiro foi usado para comprar imóveis de luxo, construir uma academia de alto padrão e reformar a loja de uma equipadora de veículos.

Cinco pessoas foram presas na operação: Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, ex-diretor administrativo do órgão; Renato Bezerra de Medeiros, que segundo o MP agia como laranja no esquema; Clebson José Bezerril, ex-diretor financeiro do Idema; João Eduardo de Oliveira Soares, funcionário do setor de contabilidade; e o empresário Antônio Tavares Neto. Clebson Bezerril e João Eduardo foram soltos dois dias depois porque colaboraram com as investigações. Os outros três acusados continuam presos.
Em depoimento ao Ministério Público Estadual, o chefe da Unidade Instrumental de Finanças e Contabilidade do Idema, João Eduardo de Oliveira Soares, e o empresário e ex-chefe do mesmo setor, Clebson José Bezerril, detalharam como funcionava a fraude e apontaram o diretor administrativo do Idema, Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, como "cabeça" do esquema.
Como resultado da primeira fase das investigações no dia 11 de setembro foram denunciados Antônio Tavares Neto, Aratusa Barbalho de Oliveira, Clebson José Bezerril, Eliziana Alves da Silva, Elmo Pereira da Silva Júnior, Euclides Paulino de Macedo Neto, Fabiola Mercedes da Silveira, Faulkner Max Barbosa Mafra, Geraldo Alves de Souza, Guilherme de Negreiros Diógenes Reinaldo, Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, Handerson Raniery Pereira, João Eduardo de Oliveira Soares, Ramon Andrade Bacelar Felipe Sousa e Renato Bezerra de Medeiros. Os acusados responderão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
G1RN

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