Juazeiro do Norte. Começa a ser realizado na região, por meio do Laboratório de
Economia Criativa, da Universidade Federal do Cariri (UFCA), o mapeamento dos
setores que atuam no segmento. O trabalho traz uma proposta multidisciplinar e
busca fazer o reconhecimento de todos os setores criativos da região, além de
promover o fomento da cultura regional, através das artes, principalmente.
A ideia é abrir espaço para que novos projetos, que possibilitem o
desenvolvimento do setor criativo, sejam elaborados com apoio dos órgãos
governamentais e instituições financeiras de fomento.
A proposta do projeto Economia Criativa é oficializar os dados desta
pesquisa junto ao Ministério da Cultura, por meio do Sistema Nacional de
Informação e Indicadores Culturais.
Entre os setores relacionados ao projeto, deverão ser reunidas mais de
seis mil pessoas. Somente no segmento de artesanato se estima a inserção de
mais de 1.300, considerando produções individuais e coletivas.
Na medida que os dados forem captados, serão repassados para a
plataforma nacional do Ministério da Cultura. A proposta está sendo
desenvolvida no Cariri a partir desse mês, com o lançamento de um edital que
possibilita o desenvolvimento das atividades, pela Pró-reitoria de Cultura da
Universidade.
Os trabalhos serão coordenados pelo idealizador do projeto, João Bosco
Dumont, do curso de Biblioteconomia da UFCA. Durante esta semana, ele
participou de oficinas sobre a temática, em Salvador, na Bahia.
Ele destaca a característica emblemática do Cariri no segmento de
artesanato, dos grupos de tradição, artes plásticas, turismo, esporte, dentre
outros setores que serão fortalecidos e divulgados. Dumont reuniu alguns
setores criativos a serem mapeados, conforme as orientações da Unesco, no que
se refere às subdivisões.
No âmbito da economia criativa estão inseridos o Patrimônio Natural e
Cultural; Espetáculos e Celebrações; Artes Visuais e Artesanato; Livros e
Periódicos; Design e Serviços Criativos; Audiovisual e Mídias Alternativas. Nos
setores criativos relacionados, estão o turismo, esporte e lazer. Já no
patrimônio imaterial, serão mapeadas as expressões e tradições orais, rituais e
práticas sociais.
A sua experiência contou no sentido de desenvolver o projeto. Ele disse
que está surpreso com a demanda das possíveis parcerias. "Nem iniciamos e
o projeto já tem demonstrado a sua ampla abrangência na região", avalia.
Segundo ele, alguns trabalhos já vêm sendo desenvolvidos na área, inclusive do
artesanato, a exemplo das Mulheres da Palha, na comunidade do Horto, que tem
sido trabalhado por meio da UFCA.
Parcerias
A atual proposta inclui todos os setores. Para ele, reunir os elementos
a serem mapeados não será uma tarefa fácil. Por conta disso, estão sendo feitas
parcerias no intuito de acelerar o processo. Entidades como associações e
cooperativas regionais vão repassar os levantamentos feitos nessas entidade.
"Vamos fazer um trabalho que reúna o máximo de pessoas que estejam
inseridas nesse contexto da economia criativa", disse.
O projeto busca promover o reconhecimento do Cariri como Território
Criativo, impulsionando o fomento e a capacitação permanente de artistas,
grupos, coletivos e instituições. Além disso, visa identificar as práticas
relativas à Economia Criativa, no âmbito do Cariri, com ênfase em ações de
produção, circulação dos bens e serviços culturais.
João Dumont destaca também o empreendedorismo entre os pequenos
produtores, grupos e coletivos, por meio de ações em conjunto com instituições
de apoio técnico como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae), a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste (BNB). O
projeto, segundo ele, contribuirá para o cumprimento do Plano Nacional de
Cultura e desenvolverá reflexão social em torno dos segmentos criativos da
região e das suas influências no desenvolvimento local.
Atualmente alguns projetos e instituições regionais, conforme o
coordenador, já estão conseguindo se sobressair no mercado, mas é necessário um
ordenamento por setor da economia criativa. Ele ressalta também a possibilidade
de uma interação maior, além da capacitação dos atores desse processo.
Uma das grandes dificuldades para as pessoas atuantes na área da
economia criativa é justamente por muitos sentirem dificuldades na elaboração
de projetos. Para isso, será efetivado um trabalho corpo a corpo, conforme o
coordenador, no intuito de promover ações que resultarão também na abertura de
um novo mercado, abrindo as portas para financiamentos e fortalecimento da
economia local.
Além de identificar as práticas criativas, o projeto irá contribuir com
meta do Plano Nacional de Cultura, sobre o mapeamento dos segmentos culturais
com cadeias produtivas da economia criativa, em âmbito local. Serão dez meses
de elaboração do mapa, promovendo também um espaço de diálogo com a comunidade
acadêmica, no objetivo de socializar ideias e práticas já desenvolvidas na própria
universidade e fora do eixo acadêmico. As atividades relacionadas ao mapeamento
iniciam com planejamento de ações e atividades de nivelamento.
Pesquisa
Em abril, o grupo, que também inclui os bolsistas Cícera Haysla Azevedo
e Emerson Nathan, realizará estudos de campo, com o levantamento das produções
locais, além dos grupos de estudos. Em setembro deste ano, está prevista uma
conferência com artistas, grupos e produtores, já inseridos no mapeamento por
segmentos criativos, incluindo palestras, oficinas e workshops, voltados para o
empreendedorismo. O mapeamento será uma espécie de censo da cultura da região.
O projeto também conta com uma parceria da Urca, para a realização do
georeferenciamento da área.
No momento, o coordenador está realizando um levantamento junto aos
bancos de financiamentos para a área. João Bosco Dumont ainda ressaltou a
referência do Cariri para políticas culturais do Brasil, com a Bacia Criativa,
mas até então não havia uma iniciativa que englobasse a perspectiva. (ES)
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