sábado, 10 de outubro de 2026

Das projeções às urnas: o que o resultado oficial de 2026 confirmou – e contrariou – no RN

 As eleições de 2026 permitem fazer algo que raramente é possível durante uma campanha: confrontar uma projeção produzida a partir de um conjunto de pesquisas com o resultado efetivamente registrado nas urnas.

O Sertão Potiguar publicou, em setembro, dois levantamentos próprios sobre as eleições do Rio Grande do Norte. O primeiro agregou pesquisas realizadas ao longo de setembro e produziu cenários para o Governo do Estado, Senado e Presidência da República. O segundo calculou o comparecimento, os votos brancos e nulos, os votos válidos e, a partir dessas hipóteses, estimou possíveis votações para os principais candidatos.

Agora, com a totalização oficial do primeiro turno, é possível verificar o desempenho dessas estimativas.

A conclusão geral é relativamente clara: as projeções tiveram bom desempenho na dimensão do eleitorado que compareceu às urnas e na identificação dos principais nomes competitivos, mas tiveram desempenho bastante desigual na estimativa das votações individuais e na definição das disputas mais apertadas.

No Governo, acertaram a liderança de Allyson Bezerra e a existência de um segundo turno, mas não identificaram corretamente o segundo colocado: Cadu de Lula terminou à frente de Álvaro Dias por margem muito superior à sugerida pelo agregado das pesquisas.

No Senado, acertaram Styvenson Valentim como primeiro colocado, mas erraram a segunda vaga. Zenaide Maia terminou em terceiro, apenas 5.765 votos atrás de Samanda de Lula.

Na Presidência, considerando exclusivamente a votação no Rio Grande do Norte, a projeção acertou a liderança de Lula, embora tenha subestimado a votação tanto do presidente quanto de Flávio Bolsonaro.

Antes de comparar candidatos: o tamanho do eleitorado e o comparecimento

A segunda postagem do Sertão Potiguar trabalhava com 2.660.565 eleitores aptos e projetava, no cenário principal, 2.176.951 comparecimentos.

A totalização oficial utilizada pelo TRE-RN para governador registrou 2.656.207 eleitores aptos e 2.167.714 comparecimentos, correspondentes a 81,61% do eleitorado. A abstenção foi de 488.493 eleitores, ou 18,39%.

Indicador

Projeção do blog

Resultado oficial

Diferença

Eleitorado apto

2.660.565

2.656.207

-4.358

Comparecimento

2.176.951

2.167.714

-9.237

Comparecimento sobre aptos

81,82%

81,61%

-0,21 p.p.

Abstenção

~18,18%

18,39%

+0,21 p.p.

Esse é provavelmente o melhor resultado quantitativo de toda a projeção.

O erro no número de comparecentes foi de aproximadamente 0,42%. Em termos de taxa de participação, a diferença foi de apenas 0,21 ponto percentual.

Ou seja: a hipótese de participação eleitoral utilizada pelo blog ficou muito próxima do comportamento efetivamente registrado nas urnas.

Isso é importante porque a projeção posterior das votações dos candidatos utilizava justamente o comparecimento estimado como base de cálculo.

Governo do RN: Allyson liderou, mas Cadu ocupou a segunda vaga

Na postagem publicada em setembro, o agregado de 18 rodadas de pesquisas, envolvendo 26.476 entrevistas, produziu o seguinte cenário:

Candidato

Agregado das pesquisas

Allyson Bezerra

38,3%

Álvaro Dias

21,9%

Cadu de Lula

21,8%

O blog registrou corretamente que os percentuais eram calculados sobre todos os entrevistados, e não sobre votos válidos.

A conclusão naquele momento foi que Allyson era o nome mais provável para chegar ao segundo turno, enquanto a segunda vaga permanecia aberta entre Álvaro Dias e Cadu de Lula.

A urna produziu:

Candidato

Votos oficiais

% dos votos válidos

Allyson Bezerra

733.809

36,94%

Cadu de Lula

718.300

36,16%

Álvaro Dias

530.580

26,71%

O resultado oficial confirmou que Allyson e Cadu avançaram ao segundo turno. A diferença entre os dois foi de apenas 15.509 votos, ou 0,78 ponto percentual. Álvaro ficou em terceiro.

O que a projeção acertou?

Acertou três elementos importantes:

  1. Allyson aparecia como primeiro colocado no agregado e terminou efetivamente em primeiro.
  2. A eleição não foi decidida no primeiro turno.
  3. Cadu e Álvaro eram identificados como os dois nomes que disputavam a segunda vaga.

Mas existe uma diferença importante entre dizer que uma disputa está aberta e apontar corretamente quem terminará à frente.

A projeção colocou:

Álvaro Dias: 21,9%
Cadu de Lula: 21,8%

A diferença era de apenas 0,1 ponto percentual.

Nas urnas, entretanto, Cadu recebeu 718.300 votos, contra 530.580 de Álvaro.

A diferença foi de 187.720 votos, equivalente a aproximadamente 9,45 pontos percentuais dos votos válidos.

Portanto, a projeção identificou corretamente o bloco dos três principais candidatos, mas não dimensionou corretamente a força eleitoral de Cadu de Lula.

A estimativa de votos do Governo: onde ocorreu o maior erro

A segunda postagem transformou os percentuais das pesquisas em números absolutos.

No cenário baseado nas taxas de participação de 2022, o cálculo produziu:

Candidato

Votos projetados

Votos oficiais

Erro absoluto

Allyson

833.772

733.809

-99.963

Álvaro

476.752

530.580

+53.828

Cadu

474.575

718.300

+243.725

A diferença mais expressiva está em Cadu.

A projeção estimava cerca de 475 mil votos para o candidato. Ele terminou com mais de 718 mil.

Em termos relativos, a votação real de Cadu foi aproximadamente 51% maior que a estimada nesse cenário.

Já Allyson teve votação cerca de 12% inferior à projetada, enquanto Álvaro recebeu aproximadamente 11% mais votos que a estimativa.

Isso mostra uma característica importante do método utilizado: o agregado acertou melhor a posição relativa de Allyson do que o volume de votos que ele efetivamente receberia.

E, sobretudo, o método não captou a aceleração de Cadu na reta final.

Um teste adicional: considerando somente os três principais candidatos

Há uma forma interessante de avaliar o agregado sem misturar diretamente percentuais de universos diferentes.

Os três principais candidatos somavam, na projeção: 38,3 + 21,9 + 21,8 = 82,0%

Dentro desse subconjunto, a distribuição projetada era aproximadamente:

Candidato

Participação entre os três

Allyson

46,7%

Álvaro

26,7%

Cadu

26,6%

Nas urnas, os três principais concentraram praticamente toda a votação válida:

Candidato

Participação entre os três

Allyson

36,9%

Cadu

36,2%

Álvaro

26,7%

O resultado revela algo bastante específico:

  • Álvaro foi o candidato cuja participação relativa ficou mais próxima da projeção;
  • Allyson foi superestimado;
  • Cadu foi fortemente subestimado.

A principal mudança, portanto, não foi a presença ou ausência de um candidato competitivo, mas a redistribuição da força eleitoral entre Allyson e Cadu.

Segundo turno: a projeção foi parcialmente acertada

O texto publicado antes da eleição afirmava: “Allyson é o nome mais provável de avançar; a outra vaga permanece aberta entre Cadu e Álvaro.” Esse enunciado merece uma avaliação cuidadosa.

A primeira parte estava correta: Allyson avançou e terminou em primeiro. A segunda parte era metodologicamente cautelosa, mas não se confirmou no resultado final. A vaga não ficou efetivamente equilibrada entre Cadu e Álvaro: Cadu terminou quase 188 mil votos à frente.

Portanto, em uma avaliação objetiva:

Acerto: identificação de Allyson como favorito à primeira vaga.

Acerto parcial: identificação de Cadu e Álvaro como os dois principais concorrentes pela segunda vaga.

Erro: avaliação da proximidade entre os dois e identificação de Álvaro como numericamente praticamente empatado com Cadu.

As simulações de segundo turno

O agregado também havia calculado confrontos hipotéticos:

Confronto

Primeiro

Segundo

Allyson × Álvaro

43,1%

26,5%

Allyson × Cadu

46,3%

26,1%

Cadu × Álvaro

33,1%

32,7%

A eleição efetivamente definiu Allyson × Cadu como segundo turno.

Isso significa que a simulação relevante para a etapa seguinte é justamente a segunda: Allyson 46,3% × Cadu 26,1%.

Entretanto, esses números ainda não podem ser classificados como acertados ou errados, porque a eleição de segundo turno ocorrerá somente em 25 de outubro.

A projeção, portanto, produziu um cenário para uma eleição que ainda não ocorreu. O que já pode ser avaliado é a identificação dos finalistas: a combinação efetivamente ocorrida foi uma das duas principais hipóteses consideradas pelo estudo.

O resultado do primeiro turno também mostra que o segundo turno partirá de uma situação muito mais equilibrada do que aquela sugerida pelo agregado de pesquisas: Allyson tem 36,94% e Cadu 36,16%, uma diferença de apenas 15.509 votos.

Senado: Styvenson foi corretamente identificado; a segunda vaga mudou de mãos

No Senado, o agregado de 13 rodadas e 20.076 entrevistas produziu:

Candidato

Projeção do blog

Styvenson Valentim

20,6%

Zenaide Maia

15,0%

Samanda de Lula

9,3%

Rafael Motta

7,0%

Coronel Hélio

6,9%

A projeção apontava: Styvenson + Zenaide.

O resultado oficial foi:

Posição

Candidato

Votos

% dos votos válidos

1º

Styvenson Valentim

1.055.000

29,25%

2º

Samanda de Lula

635.924

17,63%

3º

Zenaide Maia

630.159

17,47%

4º

Coronel Hélio

620.354

17,20%

5º

Rafael Motta

510.674

14,16%

Styvenson e Samanda foram os dois eleitos.

Aqui o resultado é especialmente interessante porque a projeção acertou uma das duas vagas e chegou muito perto da outra.

Zenaide terminou apenas 5.765 votos atrás de Samanda.

A diferença entre as duas foi de apenas 0,16 ponto percentual.

Assim, não se trata de um erro grosseiro de identificação de candidatos competitivos. Trata-se de um erro na ordenação final de uma disputa extremamente apertada.

O problema foi justamente a segunda vaga

A projeção colocou:

Zenaide → 15,0%

Samanda → 9,3%

A urna colocou:

Samanda → 17,63%

Zenaide → 17,47%

Ou seja, a projeção subestimou fortemente Samanda e, em menor medida, Zenaide.

A distância prevista entre as duas era de 5,7 pontos percentuais.

Na realidade, a distância foi de apenas 0,16 ponto.

Esse é um dos casos em que a análise pré-eleitoral mostra por que não se deve interpretar um agregado de pesquisas como se fosse uma pesquisa com margem de erro própria.

O Senado também mostra a dificuldade de transformar intenção em número de votos

O blog havia projetado, no cenário principal:

Candidato

Votos projetados

Votos oficiais

Styvenson

896.904

1.055.000

Zenaide

653.085

630.159

Samanda

404.913

635.924

Rafael Motta

304.773

510.674

Coronel Hélio

300.419

620.354

A estimativa de comparecimento e escolhas também ficou relativamente próxima.

O blog projetava 4.353.902 escolhas válidas no cenário principal. A totalização oficial registrou 3.606.806 votos válidos para as duas vagas do Senado.

A diferença decorreu principalmente da estimativa de votos brancos e nulos: a projeção trabalhava com 3,53 milhões de escolhas válidas, enquanto a votação real chegou a 3,607 milhões.

O dado mais importante, entretanto, é a distribuição entre os candidatos.

Styvenson foi subestimado em número absoluto, mas manteve a liderança.

Zenaide ficou muito próxima do número projetado.

Samanda, Rafael Motta e Coronel Hélio foram significativamente subestimados.

Isso significa que o agregado foi mais eficiente para indicar o núcleo competitivo da eleição do que para dimensionar a votação final de cada candidato.

Presidência: o agregado acertou o vencedor no RN

A projeção presidencial tinha uma ressalva importante: tratava-se exclusivamente da intenção de voto no Rio Grande do Norte, e não de uma previsão da eleição nacional.

O agregado apontava:

Candidato

Projeção

Lula

54,1%

Flávio Bolsonaro

27,0%

O resultado oficial no RN foi:

Candidato

Votos

% dos válidos

Lula

1.237.963

59,75%

Flávio Bolsonaro

720.493

34,77%

Augusto Cury

57.367

2,77%

Renan Santos

35.261

1,70%

Aqui houve um acerto claro de ranking: Lula terminou em primeiro no RN e Flávio Bolsonaro em segundo.

Mas os percentuais projetados ficaram abaixo dos efetivamente registrados.

A diferença foi de aproximadamente:

  • Lula: +5,65 pontos percentuais;
  • Flávio Bolsonaro: +7,77 pontos percentuais.

Em números absolutos, a projeção estimava aproximadamente 1,178 milhão de votos para Lula e 588 mil para Flávio. O resultado foi de aproximadamente 1,238 milhão e 720 mil, respectivamente.

Portanto, a projeção acertou a estrutura da disputa, mas subestimou a concentração de votos nos dois principais candidatos.

Comparecimento presidencial: novamente um bom resultado

A projeção havia estimado 2.177.224 comparecentes para a votação presidencial no RN.

A totalização presidencial atualizada registrou 2.171.013 comparecimentos.

A diferença foi de aproximadamente 6,2 mil eleitores, ou menos de 0,3%.

Também aqui aparece o mesmo padrão observado no Governo: o modelo estimou muito melhor o tamanho do eleitorado efetivamente participante do que a distribuição final dos votos entre os candidatos.

A projeção do primeiro turno e o limite de 1 milhão de votos

A segunda postagem calculava que, no cenário baseado em 2022, seriam necessários aproximadamente 954.030 votos válidos para um candidato vencer o Governo do Estado no primeiro turno.

A totalização efetiva registrou 1.986.441 votos válidos para governador. Portanto, o número mínimo para ultrapassar 50% dos votos válidos foi de aproximadamente 993.221 votos.

A projeção havia, portanto, subestimado esse patamar em aproximadamente 39 mil votos.

Isso não altera a conclusão principal feita na postagem: um candidato precisaria de uma votação próxima ou superior a 1 milhão de votos para ter segurança matemática de vencer no primeiro turno naquele cenário.

A realidade confirmou a necessidade de uma votação muito elevada. Nenhum candidato chegou sequer a 800 mil votos, e a eleição foi para o segundo turno.

Allyson terminou com 733.809 votos e Cadu com 718.300.

O que as duas projeções acertaram melhor?

O confronto com as urnas permite organizar os resultados em quatro níveis.

1) Participação eleitoral - acerto elevado

A projeção chegou muito perto do número efetivo de eleitores que compareceram.

A diferença foi inferior a 0,5%.

2) Identificação dos principais candidatos - acerto razoável

No Governo, os três nomes apontados como principais (Allyson, Álvaro e Cadu) efetivamente foram os três mais votados.

No Senado, os cinco nomes destacados pelo agregado terminaram exatamente entre os cinco primeiros.

Na Presidência, Lula e Flávio foram os dois primeiros no RN.

Isso mostra que o agregado conseguiu identificar bem o campo competitivo.

3) Ordem final - acerto parcial

No Governo:

Allyson → correto.

Cadu/Álvaro → incorreto.

No Senado:

Styvenson → correto.

Zenaide/Samanda → incorreto.

Na Presidência:

Lula → correto.

Portanto, a projeção foi mais eficiente para identificar os líderes do que para resolver as disputas pelas posições seguintes.

4) Número absoluto de votos - acerto menor

A conversão de percentuais de intenção de voto em número de votos mostrou erros consideráveis, especialmente para candidatos que apresentaram crescimento na reta final.

Esse é particularmente o caso de Cadu de Lula e Samanda de Lula.

Um resumo quantitativo do desempenho

Disputa

Projeção

Resultado

Avaliação

Comparecimento

2,177 milhões

2,168 milhões

Muito próximo

Governo - líder

Allyson

Allyson

Acerto

Governo - 2º

Álvaro/Cadu muito próximos

Cadu

Erro na ordenação

Governo - 2º turno

Allyson provável + Cadu/Álvaro

Allyson × Cadu

Parcialmente correto

Senado - 1º

Styvenson

Styvenson

Acerto

Senado - 2º

Zenaide

Samanda

Erro, por apenas 5.765 votos

Presidência no RN - 1º

Lula

Lula

Acerto

Presidência no RN - 2º

Flávio

Flávio

Acerto

Votação absoluta dos candidatos

Estimativas

Resultado real

Erros relevantes

 

O principal ensinamento metodológico

O resultado de 2026 também ajuda a avaliar a própria metodologia utilizada pelo Sertão Potiguar.

O procedimento tinha uma virtude importante: não apresentou a média das pesquisas como se fosse uma pesquisa única.

O texto explicitou que eram várias rodadas, com diferentes institutos, tamanhos amostrais e momentos de coleta, e que não havia uma margem de erro única para o agregado. Essa ressalva foi metodologicamente importante. O resultado eleitoral reforça a necessidade dela.

O agregado de Governo colocou Cadu e Álvaro praticamente empatados. Na urna, entretanto, Cadu abriu uma vantagem de quase dez pontos sobre Álvaro.

No Senado, Zenaide apareceu cinco pontos à frente de Samanda na projeção, mas as duas terminaram separadas por apenas 0,16 ponto.

Esses dois casos mostram que a média de pesquisas pode identificar corretamente um conjunto de candidatos competitivos sem necessariamente reproduzir a ordem final entre eles.

Também há outro limite: quando o percentual de uma pesquisa é multiplicado pelo número projetado de comparecentes, assume-se que a distribuição de preferências entre os entrevistados será reproduzida entre os eleitores que efetivamente votarão. Essa hipótese funcionou razoavelmente para dimensionar o eleitorado, mas não para alguns candidatos.

O caso Cadu é particularmente revelador

Entre todos os resultados, talvez o caso mais importante para avaliar a projeção do Governo seja o de Cadu de Lula.

O agregado de setembro apontava:

Cadu: 21,8%

A projeção transformava esse percentual em aproximadamente 475 mil votos.

A urna registrou:

Cadu: 718.300 votos.

A diferença foi de aproximadamente 244 mil votos.

Isso significa que houve uma mudança significativa entre o conjunto de pesquisas utilizado na média e o comportamento efetivamente observado no dia da eleição.

E essa mudança foi suficiente para alterar completamente a disputa pela segunda vaga.

O cenário projetado era:

Allyson - primeiro

Álvaro ≈ Cadu - disputa pela segunda vaga

O cenário real foi:

Allyson - 733.809

Cadu - 718.300

Álvaro - 530.580

A diferença entre Cadu e Álvaro foi, portanto, muito maior do que a projeção sugeria.

O caso Samanda também merece destaque

No Senado ocorreu fenômeno semelhante.

O agregado colocava:

Zenaide: 15,0%

Samanda: 9,3%

Na urna:

Samanda: 17,63%

Zenaide: 17,47%

Aqui, a projeção errou a ordem, mas a própria eleição mostrou uma disputa extremamente apertada.

A diferença foi de somente 5.765 votos.

Assim, a classificação de Zenaide como candidata competitiva não estava errada. O problema foi dimensionar corretamente a força de Samanda.

É uma distinção importante entre errar o candidato competitivo e errar a posição final entre candidatos muito próximos.

E a previsão para a Presidência?

Nesse caso, o resultado foi mais favorável ao método.

O agregado apontava Lula na liderança no RN e Flávio Bolsonaro na segunda posição.

A urna confirmou exatamente essa ordem.

O que ocorreu foi uma subestimação da concentração dos votos nos dois principais candidatos.

Lula passou de 54,1% projetados para 59,75% dos válidos.

Flávio passou de 27,0% para 34,77%.

A projeção, portanto, acertou o sentido da disputa estadual, mas não a magnitude final das votações.

É importante repetir a ressalva original: isso não significa previsão do resultado presidencial brasileiro. O presidente é escolhido pela votação nacional, e o desempenho de Lula no Rio Grande do Norte é apenas o resultado de uma unidade da Federação.

Resultado geral da experiência do Sertão Potiguar

O confronto entre as projeções e as urnas permite uma avaliação sem atribuir ao modelo uma precisão que ele não teve.

Onde a projeção funcionou melhor

  • estimativa do comparecimento eleitoral;
  • identificação de Allyson como líder da disputa pelo Governo;
  • identificação de Cadu, Álvaro e Allyson como principais nomes da disputa estadual;
  • identificação de Styvenson como líder para o Senado;
  • identificação de Zenaide como candidata efetivamente competitiva;
  • identificação de Lula como líder da votação presidencial no RN;
  • identificação de Flávio Bolsonaro como segundo colocado na votação presidencial no RN;
  • reconhecimento antecipado de que a disputa pelo Governo poderia exigir segundo turno.

Onde a projeção apresentou maior erro

  • força eleitoral de Cadu de Lula;
  • distância real entre Cadu e Álvaro;
  • força eleitoral de Samanda de Lula;
  • força de Coronel Hélio e Rafael Motta;
  • conversão das intenções de voto em números absolutos;
  • definição antecipada da segunda vaga do Senado;
  • estimativa da concentração dos votos nos principais candidatos à Presidência.

Conclusão

O resultado das eleições de 2026 permite afirmar que as projeções publicadas pelo Sertão Potiguar foram mais eficientes para identificar tendências gerais e o grupo de candidatos competitivos do que para antecipar exatamente a distribuição dos votos e as posições finais.

No Governo, a projeção acertou o primeiro colocado e a necessidade de segundo turno, mas não identificou corretamente o adversário de Allyson. O resultado oficial colocou Allyson e Cadu no segundo turno, com uma diferença de apenas 15.509 votos entre eles.

No Senado, a previsão de Styvenson e Zenaide acertou uma das duas vagas. A segunda foi decidida por uma diferença excepcionalmente pequena: Samanda superou Zenaide por 5.765 votos.

Na Presidência, considerando somente os votos do Rio Grande do Norte, o agregado acertou os dois primeiros colocados: Lula e Flávio Bolsonaro.

O maior acerto quantitativo, contudo, esteve em outro aspecto: a estimativa do comparecimento eleitoral. O blog projetava aproximadamente 2,177 milhões de votantes e a Justiça Eleitoral registrou 2,168 milhões – uma diferença inferior a 0,5%.

O resultado também demonstra por que médias próprias de pesquisas devem ser lidas como indicadores de cenário, e não como uma pesquisa eleitoral convencional. Elas podem apontar corretamente quem está no grupo de maior competitividade e, ainda assim, falhar na ordenação final de candidatos próximos ou diante de movimentos ocorridos na reta final.

No caso do Rio Grande do Norte, foi exatamente isso que aconteceu em duas das principais disputas: Cadu ultrapassou com folga a posição sugerida pelo agregado diante de Álvaro, enquanto Samanda ultrapassou Zenaide por uma diferença mínima.

Assim, olhando retrospectivamente para o trabalho publicado antes da eleição, a melhor síntese talvez seja:

o Sertão Potiguar acertou mais o “mapa da disputa” do que o placar final.

E a comparação com os resultados oficiais permite agora identificar exatamente onde o método funcionou, onde falhou e quais hipóteses precisam ser aperfeiçoadas para futuras projeções eleitorais.

Fontes oficiais: Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, resultado e totalização do 1º turno, atualizado em 8 de outubro de 2026; Tribunal Superior Eleitoral, resultados oficiais das Eleições 2026.