SELEÇÃO DO MESTRADO: PLANDITES publica resultado da prova escrita

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido (PLANDITES), do Campus Avançado Profª. Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM), publicou nesta segunda-feira (21) o resultado da prova escrita referente ao Processo Seletivo de 2018.
Os candidatos classificados na prova escrita estão aprovados para a próxima etapa da seleção: a análise dos projetos de dissertação, que terá caráter eliminatório.
O candidato que não concordar com o resultado da prova escrita poderá recorrer no dia 22 de maio próximo.
O resultado da prova escrita pode ser acessado neste link.

Obesidade não é 'só problema de ricos' e custa US$ 2 tri à economia global, diz criador do Fome Zero e diretor da FAO

Resultado de imagem para José Graziano da Silva
À frente do segundo mandato como diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva faz projeções preocupantes em relação à alimentação no mundo.
Ao mesmo tempo em que prevê a tendência de aumento do número de pessoas que passam fome - que atualmente se aproxima dos 815 milhões no mundo - ele também afirma que corremos o risco de "perder uma geração" por causa da obesidade, que custa à economia global US$ 2 trilhões a cada ano.
"As pessoas pensam que a obesidade é um problema dos ricos. Não é. Ela afeta também os pobres, que baseiam suas dietas em produtos mais baratos, concentrados em açúcar e farináceos. Vamos perder uma geração se continuarmos aceitando a obesidade sem uma intervenção pública", afirma José Graziano.
Ele cita dados da FAO e da Organização Pan-Americana de Saúde, apontando que o sobrepeso afeta a 54% da população brasileira. Quase 20% dos homens e 24% das mulheres estão obesas. Entre as crianças menores de cinco anos, 7,3% registram sobrepeso no país.
Por outro lado, a fome também preocupa. Segundo o diretor da FAO, em 2016 verificou-se pela primeira vez um aumento da fome em escala mundial após uma sucessão de quedas que durou uma década. O Brasil deve seguir essa mesma tendência internacional.
A FAO prepara um novo mapa da fome, que deve ser lançado no meio do segundo semestre, e, neste mês, está em campo recolhendo dados sobre a situação do orçamento familiar.
Para Graziano, a situação do Brasil preocupa e há o risco de o país voltar ao mapa da fome. "O mais preocupante, no caso brasileiro, é o aumento do desemprego, decorrente do baixo nível de crescimento e a redução dos gastos sociais do governo", diz o diretor-geral da FAO, que teceu críticas aos governos de Dilma Rouseff e de Michel Temer - os quais, segundo ele, não conseguiram manter o mesmo patamar de investimentos sociais registrados no governo Lula.
Coordenador inicial do Fome Zero no primeiro mandato de Lula (2003-2007), Graziano tem mandato à frente da FAO até julho de 2019. Leia a entrevista que ele concedeu à BBC Brasil por e-mail, após participar de um seminário em Londres.
BBC Brasil - O senhor disse recentemente que o Brasil foi um dos primeiros países a erradicar a fome e é o único a fazê-lo em dez anos. Também já afirmou que corremos o risco de ver o país de volta ao mapa da fome. Quais são as reais chances de retrocesso dado o cenário de baixo crescimento econômico e desemprego? É possível fazer uma estimativa de quantos milhões de famílias pioraram sua segurança alimentar no Brasil?
José Graziano da Silva - Esses indicadores construídos pela FAO são checados com informações da Pesquisa de Orçamento Familiar, a POF, que atualmente está a campo e deve encerrar em maio de 2018. Quando os resultados da nova POF estiverem disponíveis, a FAO poderá recalcular a posição do Brasil, que em geral ocorre no início do segundo semestre.
Em todo caso, a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar que figurou pela última vez na Pnad 2013 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) apontou que dois terços das famílias pobres e metade das famílias em situação de extrema pobreza estavam em condições severas de insegurança alimentar e nutricional.
Isso nos faz presumir que o crescimento da extrema pobreza entre 2014 e 2015, em razão do aumento do desemprego e da redução dos gastos governamentais nas várias políticas sociais, pode ter levado muitas famílias a uma piora da sua segurança alimentar. A fome no Brasil está fundamentalmente relacionada à geração de empregos decorrente do crescimento econômico, ao nível de emprego, e do nível do salário mínimo e às políticas de transferência de renda.
O que estamos vendo como mais preocupante, no caso brasileiro, é o aumento do desemprego, decorrente do baixo nível de crescimento e a redução dos gastos sociais do governo.
BBC Brasil - A FAO identificou tendência de crescimento no número de pessoas que passam fome entre 2015 e 2016. Algum indicativo de que essa tendência continua no mundo?
José Graziano - Em 2016, verificou-se pela primeira vez um aumento da fome em escala mundial após uma sucessão de quedas que durou uma década. Atribuímos esse aumento à escalada de conflitos e às consequências desastrosas da mudança climática, como secas prolongadas e alteração no regime de chuvas.
Infelizmente, os números já disponíveis indicam que essa tendência do aumento no número de pessoas que passam fome continuou em 2017, basicamente nas mesmas regiões afetadas por conflitos e secas. Enquanto não for possível promover a paz sustentável, a resiliência dos meios de subsistência e políticas sólidas de segurança alimentar por meio de mecanismos de proteção social, não poderemos garantir que esse ano foi um mero ponto fora da curva.
BBC Brasil - Onde o senhor considera a situação mais grave e por quê?
José Graziano - Hoje há mais de 815 milhões de pessoas em estado de insegurança alimentar (em 2015 foram registrados menos de 800 milhões). O que mais nos preocupa são os países em que essa insegurança alimentar é severa e crítica. No fim de março, lançamos o relatório sobre crises alimentares agudas, que atestou que 124 milhões de pessoas em 51 países passam pelo pior índice de insegurança alimentar.
Essas pessoas necessitam de ação humanitária urgente para sobreviver, para manter seus meios de vida e para superar a fome e a má nutrição. Quase um quarto desse contingente se localiza no Sudão do Sul, na Somália, no Iêmen e no nordeste da Nigéria: são 32 milhões de pessoas que necessitam de assistência alimentar.
Os conflitos continuam a ser os principais fatores da insegurança alimentar em pelo menos 18 países, onde há mais de 74 milhões de pessoas passando fome extrema. Metade dessas pessoas estão em países sob conflito na África, e um terço no Oriente Médio, e 60% das pessoas atualmente em estado de necessidade alimentar estão localizadas em países sob conflito.
BBC Brasil - A fome em crianças de 0 a 3 anos também aumenta, na mesma ou em proporção maior que a fome em adultos? É a que mais preocupa?
José Graziano - Coletamos esses dados da Organização Mundial de Saúde, que oferece estatísticas alarmantes: há mais de 150 milhões de crianças com atraso no crescimento devido à desnutrição, e 52 milhões com baixo peso. Além dessa deficiência de micronutrientes - que compromete não apenas o desenvolvimento motor e físico, mas também o desenvolvimento mental - ainda há uma outra face da má nutrição, igualmente preocupante: a obesidade e o excesso de peso.
Trata-se de males que preocupam o mundo todo, afetando indistintamente países pobres e ricos. As pessoas pensam que a obesidade é um problema dos ricos. Não é. Ela afeta também os pobres, que baseiam suas dietas em produtos mais baratos, concentrados em açúcar e farináceos.
Vamos perder uma geração se continuarmos aceitando a obesidade sem uma intervenção pública. Porque não é apenas um problema de saúde e de nutrição, mas também tem impactos na gestão pública.
A obesidade tem um preço exorbitante. Custa à economia global mais de US$ 2 trilhões a cada ano, quase 3% do PIB global. Trata-se do terceiro ônus social mais dispendioso causado pelo homem, atrás apenas do fumo e da violência armada/guerra/terrorismo. No México, a obesidade é o ônus social mais caro, equivalente a 2,5% do PIB. O Brasil, o Marrocos, e a África perdem parcelas semelhantes de suas economias nacionais para os custos crescentes da obesidade.
BBC Brasil - Em que a fome no Brasil difere da fome identificada no continente africano ou no sudeste asiático?
Graziano - Quando implantamos o Fome Zero durante o início do primeiro governo Lula, detectamos que a fome na Amazônia era também tão grave quanto no Nordeste. Não se pode pensar que uma população que está na beira do Rio Amazonas desfrute necessariamente de uma dieta rica e saudável. Esse contingente possui uma série de deficiências nutricionais.
A fome tem muitas caras, e a cara da fome no Brasil é de uma mulher, de meia idade, com muitas crianças e que vive no meio rural.
Em geral, o marido migra e não a leva, resultando em grande parte no abandono da família. Essa família tem de ser beneficiária de mecanismo de proteção social - senão, jamais irá deixar a condição de miséria em que vive, assim como os seus filhos. Essa é a geração que pode ser comprometida pela ausência de políticas sociais. Então, por mais deficiências que possam ter programas de transferência de renda - e que geralmente não têm, pois são facilmente corrigidos - não se justifica deixar sem um mínimo atendimento as pessoas que não têm condições de terem acesso à alimentação.
BBC Brasil - Por que o senhor acredita que multiplicar a produção de alimentos não deve ser prioridade?
Graziano - O grande problema da fome não é falta da produção de alimentos já que se produz quantidade suficiente para alimentar a todos, exceto em alguns bolsões, principalmente na África Subsaariana e nos pequenos países insulares.
A questão passa necessariamente pelo acesso: as pessoas não possuem renda suficiente para ter uma alimentação saudável e de qualidade. Em geral, é uma questão de escassez de recursos monetários para se manter uma alimentação saudável. (...) O Brasil é um grande reflexo dessa realidade: um dos maiores produtores agrícolas mundiais, mas que não consegue traduzir isso em maior acesso a alimentos de qualidade à maior parte da população. No Brasil, tem-se observado o consumo de alimentos cada vez menos saudáveis, em razão de a comida de qualidade ser muitas vezes mais cara do que fast food. Tais hábitos têm feito a obesidade no Brasil, assim como em toda a América Latina, disparar.
Também nos preocupa a questão das perdas alimentares, especialmente nos países mais pobres, em que as condições de armazenamento e de transporte são, muitas vezes, deficitárias. Trabalhamos em conjunto com governos para mobilizar recursos que financiem uma melhor infraestrutura que ajude a minimizar essas perdas.
BBC Brasil - Que tipo de iniciativas internacionais se mostram eficientes e aplicáveis ao Brasil no combate à fome e à desigualdade?
Graziano - O Brasil, durante boa parte dos governos Lula e Dilma, desenvolveu uma série de programas sociais que, na verdade, serviram de inspiração para vários países. Políticas de transferência de renda para comunidades rurais carentes que ajudam a financiar a agricultura familiar de suas localidades são comprovadamente mecanismos de fomento à economia, de desenvolvimento, e, consequentemente, de redução da insegurança alimentar.
Cada país possui realidade diferente, mas a essência da aplicação de programas de proteção social e de políticas sólidas de segurança alimentar será, de maneira geral, bem-sucedida em ambientes distintos. Recentemente, lançamos um livro que reúne as experiências brasileiras no combate à fome e à pobreza, especialmente com enfoque na inclusão produtiva e na transferência de renda. Vale a pena dar uma olhada.
BBC Brasil - Uma das grandes críticas ao governo petista é que a desigualdade de renda não caiu no Brasil entre 2001 e 2015, apesar de o país ter conseguido sair do mapa da fome. Acredita ser preciso fazer uma autocrítica em relação às políticas adotadas, que foram incapazes de reduzir as disparidades na distribuição de renda?
José Graziano - Não dou por certo que não houve queda na desigualdade. Essas informações são auferidas de maneira autodeclaratória: o pobre sabe e diz exatamente quanto ganha. O rico, não. Em conversa que mantive com o professor Rodolfo Hoffmann, da Unicamp, que tem estudos consagrados sobre o tema, ele chamou a atenção para uma questão importante sobre a desigualdade da renda no Brasil, como o do Marc Morgan (economista irlandês e discípulo de Thomas Piketty). O trabalho faz um grande esforço para "melhorar" a qualidade das informações básicas existentes, incluindo dados do imposto de renda. Mas Morgan, em seu trabalho, não dispõe dos dados de 2001 a 2007, que é o início da série que vai até 2015. Para esse período de sete anos, os dados foram imputados, estimados.
Então por que aceitar como certas as conclusões dele? E depois, o trabalho de Morgan, assim como o de outros, chamam a atenção pela estabilidade da distribuição da renda no Brasil. As mudanças são muito pequenas. Assim, não creio que se possa contestar que o crescimento do valor real do salário mínimo (desde 1996) e as políticas de transferência de renda - aposentadoria rural, BPC (Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social), Bolsa Escola, Bolsa Família - contribuíram para reduzir a pobreza, especialmente pobreza extrema nos dois períodos do governo Lula.
BBC Brasil - De acordo com estudo da equipe do Thomas Piketty, a renda nacional da faixa intermediária da população caiu e essa queda se deve ao fato de esse segmento não ter sido beneficiado diretamente pelas políticas sociais e trabalhistas e/ou ter tirado proveito de lucros, dividendos, renda de imóveis e aplicações financeiras. O senhor acha que foi uma questão de escolha ou faltou políticas específicas para esse segmento - e quais?
Graziano - Foi uma questão de prioridade aos mais pobres entre os pobres. Quando Lula assumiu, deu uma declaração que parecia utópica: "meu governo não será bem-sucedido enquanto todos os brasileiros não puderem tomar café da manhã, almoçar e jantar". Assim, os esforços de desenvolvimento social do governo se concentraram em eliminar o Brasil da escória da fome, de um mal que o acompanhou desde o seu nascimento.
Mais de 30 milhões de brasileiros deixaram essa condição com o Fome Zero e, principalmente, com o Bolsa Família. O governo Dilma, infelizmente, não conseguiu manter o patamar de investimentos sociais no mesmo ritmo de seu antecessor, em cenário também influenciado pelo agravamento da crise econômica mundial. Isso se refletiu em 2015 e 2016 e se mantém no atual governo. A manutenção de políticas de fomento social a médio prazo é condição fundamental para a redução da desigualdade.
BBC Brasil - Na palestra em Londres, o senhor chamou a atenção para o fato de a desigualdade estar relacionada também à tributação de impostos que não necessariamente taxa os mais ricos. Na ocasião, o senhor questionou como é possível falar em meritocracia se não se taxa a herança. Aqui vai uma pergunta provocativa: o senhor pretende deixar heranças para o neto do senhor?
José Graziano - Não se questiona o direito de herança. O que se questiona é o direito de se transferir tudo de uma geração para outra que não participou da geração dessa riqueza. É assim que perpetuamos a desigualdade da renda no Brasil. Sou favorável a que se taxe a herança no Brasil de maneira mais justa. Esse valor poderia ser de uma alíquota de pelo menos 10 a 20%, com uma alíquota progressiva para grandes patrimônios. Trata-se de uma enorme discrepância especialmente quando se compara isso a países ricos, que taxam em 50% ou mais. É um dividendo que poderia estar sendo absorvido pelo governo e destinado a camadas mais pobres da população.
BBC BRASIL

O Auge e o Declínio: a trajetória institucional da SUDENE e o futuro do planejamento no Nordeste

Este artigo se propõe a analisar o comportamento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), especialmente entre os anos de 1959 até 2001(nascimento e extinção). 

Buscaremos analisar quais foram os fatores que motivaram sua extinção, concomitantemente à análise do processo decisório, salientando o papel dos atores políticos envolvidos, buscando compreender também a ascensão da Agência do Desenvolvimento do Nordeste (ADENE) em substituição à Superintendência. 

Utilizamos uma metodologia de fonte primária, que consta das Atas do Conselho Deliberativo da Sudene, bem como os jornais da época de fundação e extinção e os programas elaborados pela SUDENE durante o regime militar. 

Buscamos realizar essa análise através da teoria institucionalista, especialmente porque consideramos a path dependency importante para o objeto em questão. 

O presente artigo justifica-se porque o conhecimento de tal trajetória é essencial como parte da memória do desenvolvimento regional no Brasil.

Caminho possível para o desenvolvimento do RN: a utopia do Polo Gás Sal

Este estudo sobre a modernização econômica ocorrida no Rio Grande do Norte se constitui numa discussão sobre as tentativas de consolidação de um projeto de desenvolvimento industrial que tem como base o aproveitamento de matérias primas locais, tais como: o sal, o calcário, as águas mães e o petróleo, entre os anos 70 e 90 do século XX. 

Ele procura demonstrar como se tentou, a partir da investigação da atuação planejada do Estado nacional e regional, contando com a participação do capital internacional e com o apoio de grupos econômicos e políticos locais, a implantação, em conjunturas econômicas distintas de uma indústria de insumos básicos, através da criação de dois pólos de desenvolvimento: o Pólo Químico Industrial (1974) e o Pólo Gás Sal (1996). 

Ele terá como foco a análise das ações direcionadas à concretização desses pólos tomando como referência as políticas de desenvolvimento emanadas do Estado nacional, especialmente as constantes do II PND, dirigidas à implantação de uma indústria descentralizada na região Nordeste nos anos 70; as regras estabelecidas pelo Plano Nacional de Desestatizações destinadas a promover as privatizações das empresas estatais brasileiras, quando sob essas regras foi vendida a Alcanorte ao grupo empresarial comandado por Fragoso Pires; e as políticas definida pelo Estado nacional e regional configurada na guerra fiscal com o objetivo de atrair capitais internacionais para viabilizar o Pólo Gás Sal. 

Ao final, fica demonstrado que o Estado coordenou um conjunto de ações, nas áreas da infra-estrutura e de incentivos fiscais e financeiros, com o propósito de acelerar a transição de uma economia primária exportadora a uma economia moderna, industrializada. E que, mesmo congregando expressivas forças econômicas e sociais: o capital nacional e internacional, os grupos de elites locais, enquanto atores coadjuvantes dessa mudança, não foi possível promover a modernização industrial dos setores químico e petroquímico como desejado. 

Entre outras explicações para esse insucesso pôde-se anotar: a ausência de uma prévia acumulação interna de capital; a dependência da economia local de tecnologia e de capital, de grupos econômicos internacionais; a inconsistência das estratégias de desenvolvimento contidas na política configurada na guerra fiscal; e a fragilidade da representação política local.

Desconcentração no Brasil: Nordeste, da Sudene aos anos 2000

Resumo


Este artigo mostra o processo de desconcentração das atividades na economia brasileira, sobretudo no Nordeste, desde a implementação da Sudene ao período mais recente. Esse processo continuou nas duas décadas depois da Sudene, seguido por um período de baixo dinamismo, quando predominaram as forças do mercado, causando a inflexão do crescimento econômico e, consequentemente, a desconcentração da atividade e da renda. Contudo, no inicio dos anos 2000, a política regional e o planejamento voltaram, principalmente, na segunda metade da década. 

A economia brasileira inicia uma trajetória de crescimento, levando consigo o Nordeste. Diante disso, algumas questões emergem: essa dinâmica da economia brasileira tem sido acompanhada pela desconcentração da renda? Qual a situação do Nordeste dentro deste novo contexto? 

Diferente das últimas duas décadas, o crescimento econômico apresentado nos anos 2000 foi acompanhado pela desconcentração da produção e, por conseguinte da renda, derivado da ação mais ativa do Estado em termos de políticas regionais. 

Assim, conclui-se que o Nordeste, dentro desse contexto, apresentou taxas de crescimento acima da média do País elevando a renda per capita da Região. Nesse sentido, esse crescimento foi acompanhado também pela melhora no padrão de vida da população, principalmente, devido à política de transferência de renda do Governo Federal.

Palavras-chave


Desconcentração de renda; Nordeste; Política regional.

Texto completo:

Desenvolvimento no Nordeste sob a ótica do novo paradigma: uma análise dos governos FHC e Lula

Resumo 

Ao longo de toda sua história o Nordeste brasileiro mostrou-se uma região heterogênea em diversos aspectos, entre esses se destaca o socioeconômico. Região essa formada por uma área litorânea dinâmica, mas com uma grande desigualdade da renda, por um interior caracterizado pelas secas, pelo atraso no seu sistema de produção, pela falta de educação escolar, pela pobreza e por várias outras características (ou estereótipos). 

Tendo como referencial teórico o debate sobre o desenvolvimento regional a partir da ótica do novo paradigma do desenvolvimento, o objetivo central desta publicação é apresentar a situação socioeconômica da população nordestina englobada no cenário nacional no período focal dos mandatos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. 

A partir desta questão geral, buscou-se no trabalho responder as seguintes questões: quais fatores – políticos, econômicos, etc. – fizeram parte da formação da característica socioeconômica do Nordeste a partir do Século XX? Qual cenário político-socioeconômico foi verificado no Nordeste e no Brasil ao final do último mandado dos Governos Lula e quais as questões socioeconômicas mais críticas do Nordeste deixadas para os próximos governos? A caracterização da população nordestina, enfatizada pela miséria pela falta de educação (ainda no período enfatizado pela pesquisa) retrata a situação socioeconômica da Região? 

Este trabalho tem como tema e recorte temporal focal a trajetória socioeconômica do Nordeste entre a segunda metade dos anos de 1990 e toda a década 2000; o recorte espacial é a área político-administrativa demarcada pelo Estado que compõe a Região Nordeste. 

A publicação tem um caráter descritivo, com um texto apresentado com informações quali-quantitativas, sendo essa baseada em um material bibliográfico e documental devido à amplitude espacial e periódica da análise; os dados quantitativos esboçaram as condições econômicas e sociais gerais do Nordeste no período em questão, tendo como referência comparativa os dados globais do Brasil no mesmo período. 

Palavras-chave: Nordeste. Governos FHC e LULA. Desenvolvimento.

AQUI 

O estado da arte das políticas públicas para o campo: uma abordagem do programa de aquisição de alimentos

Resumo: 

Este estudo analisou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) direcionado ao estado do Pará, entre 2003 a 2012, em termos evolutivos da quantidade e valor dispendido pelo Programa. 

O PAA é uma das ações de políticas públicas do Governo Federal desenvolvida no âmbito do Programa Fome Zero, com o objetivo de promover o acesso à alimentação, incentivar e fortalecer a agricultura familiar, mediante a compra da produção, sendo esta efetivada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

Utilizou-se dados institucionais e aplicou-se estatística descritiva para analisar a evolução da liberação desses recursos. 

No Brasil, percebeu-se crescente dispêndio destes recursos, embora com altas disparidades na distribuição de recursos entre as regiões. Entre os estados da região Norte, o estado mais beneficiado foi Rondônia. 

Em relação ao estado do Pará, o recurso do PAA vem praticamente do Ministério do Desenvolvimento Social (87%) contra 13% do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em 2003 foram comprados alimentos no montante de R$3,20 milhões, correspondente a 751 famílias e em 2012 tal valor foi de R$9,71 milhões, correspondendo a 2.167 famílias. Modo geral a compra de alimentos foi crescente pelo PAA no estado do Pará, mas a atuação no âmbito relativo ainda é tímida. 

Palavras-chave: PAA. Pará. Segurança Alimentar. 

Eficiência na oferta de serviços públicos de saúde

Resumo: 

Propôs-se neste artigo um diagnóstico de eficiência com objetivo de melhorar a aplicação de recursos públicos em saúde no Brasil. Empregou-se, portanto, o método de Análise Envoltória dos Dados em Dois Estágios com refinamentos metodológicos originados da técnica bootstrap para avaliar o nível de eficiência na aplicação de recursos para a provisão de serviços públicos de saúde no estado de Mato Grosso em 2011 e para verificar se variáveis contextuais, principalmente ligadas a um possível efeito de escala, estão relacionadas ao nível de eficiência. Adicionalmente, testou-se a hipótese de retornos constantes à escala em um ambiente com correção para outliers

Palavras-chave: Análise envoltória dos dados. Bootstrap. Serviços públicos de saúde. Mato Grosso.


EDITAL DE PROFICIÊNCIA DO DLE/CAMEAM: INSCRIÇÕES ABERTAS

Os interessados devem fazer a inscrição para os exames de proficiência, objeto deste Edital, de forma presencial ou por procuração (com firma reconhecida em cartório) no período de 15 de maio a 01 de junho de 2018, no horário de 7h30 às 11h e de 19h30 às 21h, na Secretaria do Departamento de Letras Estrangeiras localizado no Bloco “C”, Sala 04, no CAMEAM/UERN.

Edital 002/2018 - DLE/CAMEAM/UERN, que versa sobre o processo de abertura para Exame de Proficiência em Língua Estrangeira.

EVOLUÇÃO DE RENDA DO 1% MAIS RICO: BRASIL E REGIÕES (2016-2017)