Em nações politicamente adultas, Renan Calheiros e Henrique Alves não passariam da primeira anotação no prontuário: antes da segunda patifaria, seriam transferidos da tribuna para um tribunal, teriam o mandato cassado e só voltariam ao Congresso para depor em alguma CPI ou, depois da temporada no presídio, fantasiados de turistas.
Num Brasil com cara de clube dos cafajestes, o senador alagoano vai presidir a Casa do Espanto e o deputado potiguar vai administrar o Feirão da Bandidagem. Faz sentido.
Segundo os cânones da seita lulopetista, folha corrida é currículo, integridade é defeito e honra é coisa de otário. Como nas disputas promovidas pela coluna para escolher o Homem sem Visão do Ano, as eleições dos presidentes do Senado e da Câmara confirmam que os congressistas votam no pior entre os piores. Quanto mais alentado o prontuário, maior é a chance de vitória. Assim tem sido nas eleições recentes. Assim será desta vez.
Aos olhos dos turistas que visitam a Praça dos Três Poderes, o prédio que abriga os parlamentares brasileiros é uma bela amostra da grife Niemeyer. Visto por quem conhece as fichas dos inquilinos, o que já foi um Congresso tornou-se um acampamento de delinquentes com imunidade parlamentar. Virou um Carandiru sem grades. Coerentemente, será dirigido por dois casos de polícia.
Por Augusto Nunes - Veja
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