O Ministério Público do Rio Grande do Norte não dá prioridade ao combate à corrupção. Esta é a opinião do promotor Emanuel Dhayan Bezerra de Almeida, que atua na 44ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, em Natal. O problema, para ele, é a estrutura existente para atuar na investigação desses supostos atos de improbidade.
Em Natal, existem apenas cinco promotores para dar conta da demanda. Já no interior, o promotor de cada comarca acumula a função de Defesa do Patrimônio, tendo em vista que nos municípios não existe a especificação da Promotoria.
Para Dhayan, a instituição deveria dar maior atenção a esse tipo de investigação, tendo em vista que a sociedade anseia por respostas aos crimes de corrupção.
"O Ministério Público deve definir o rumo que pretende tomar. Com cinco promotores, é difícil dar respostas rápidas e adequadas", disse.
"Basta ver a diferença na quantidade de promotores da família e do patrimônio. Nosso número é bem inferior. Ficamos reféns. A instituição tem que mudar esse perfil. Apenas cinco promotores para dar conta dos atos de todos os agentes públicos, secretários municipais, estaduais, é insuficiente", afirmou.
Fonte: Jean Carlos
COMENTÁRIO: a declaração corajosa do promotor Emanuel Dhayan encontra total respaldo no sentimento da população honesta e trabalhadora do RN.
A impressão é que os ‘poderosos’ em geral, e políticos em particular, JAMAIS serão punidos pelos seus crimes. Agem com desenvoltura e sem temor, pois tem a convicção de que não serão punidos.
O escárnio que alguns fazem da Justiça, do MP e da sociedade chega a causar náuseas naqueles de estômagos mais sensíveis, entretanto, as vozes dissonantes são cada vez mais escassas e a reação aos desmandos perpetrados tem sido, infelizmente, de um silêncio “perturbador”.
A impunidade, além de moralmente inaceitável, tem esta outra face mais terrível: induz ao sentimento de que as coisas são assim mesmo e funciona como um ‘anestésico’ potente para a maioria das pessoas.
Ouçamos o pedido, quase o lamento, do promotor Emanuel Dhayan: “A Instituição (Ministério Público) tem que mudar esse perfil”. Tem e pode mudar, aliás, é imprescindível que mude para que exerça o papel constitucional que lhe cabe. Parece estranho, mas é isso mesmo. Mudar para cumprir satisfatoriamente o seu ofício.
A impunidade alimenta o monstro da indiferença que é irmão siamês do totalitarismo que viceja no coração de alguns facínoras.
Já que nada causa indignação é porque tudo pode mesmo...
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