RN: O FUTURO DA CAJUCULTURA

Com mais de 100 mil hectares plantados, a cajucultura representa uma das mais importantes atividades agrícolas do Rio Grande do Norte, estando presente em todas as regiões do estado e sendo o terceiro produto na pauta de exportação. 
Porém, a estiagem prolongada e a falta de políticas públicas têm castigado os pomares, que já apresentam mais de 40% de perda dos cajueiros. Para tornar essa atividade mais competitiva, o Sebrae atende mais de 1,6 mil produtores em 12 municípios. Um investimento de mais de R$ 9 milhões, aplicados diretamente na cajucultura em uma década.
O cenário e os desafios para a cajucultura entraram em discussão durante encontro realizado na quarta-feira (13), em Serra do Mel. O evento ocorreu na sede da CooperCaju. Na busca por alternativas que explorem as oportunidades e potencialidades do setor, os produtores, com a orientação do Sebrae no Rio Grande do Norte, produziram uma agenda do desenvolvimento da cajucultura potiguar para os próximos quatro anos. O documento foi entregue ao Governo Estadual e à prefeitura de Serra do Mel.
Durante a solenidade, o diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti Junior, lembrou da importância de cada produtor enquanto gestor de seu negócio. “Tecnologia existe, crédito existe, mas é preciso se preparar para administrar os recursos e enfrentar os desafios. É nesse aspecto que o Sebrae atua e está presente aqui desde o início”, ressalta.
Outro ponto abordado foi a necessidade de políticas de incentivo à atividade. “O objetivo da agenda é estabelecer um plano de trabalho e fortalecer o segmento através da construção de políticas públicas e privadas para a cajucultura”, explica Franco Marinho, gestor de fruticultura do Sebrae-RN.
O produtor Honorato José Vitor, de Serra de Santana, se dedica a agricultura há 28 anos e conta que está esperançoso. Com uma produção, em 2014, de 50 mil quilos de caju e 13,5 toneladas de castanha, Honorato foi um dos que construíram a agenda da cajucultura do RN. “A elaboração da agenda da cajucultura foi uma maneira de identificar todas as necessidades e listar propostas. Com isso, conseguimos reunir todos aqui nesse evento e tudo que o Sebrae participa funciona”, comenta.
Entre as principais propostas apresentadas pelos produtores para a cajucultura no Rio Grande do Norte, estão: a criação de um Plano Estadual de Desenvolvimento da Cajucultura; continuidade das pesquisas no campo para acesso a novos clones e mudas que se adaptem as condições de cada município; criação de um programa específico para cajucultura com acesso ao FUNCAJU, do Governo Federal. “Esse evento é para unirmos esforços e levarmos as sugestões para os parceiros na esfera municipal, estadual e federal”, comenta Fátima Torres, da Central de Cooperativas do Rio Grande do Norte.
Serra do Mel
De acordo com a Coopercaju, mais de 80% das unidades familiares de beneficiamento de castanha de Serra do Mel estão paradas. Isso significa que cerca de 300 famílias estão sem a sua principal fonte de renda. “Perdemos parte dos nossos cajueiros, mas vamos continuar plantando e explorando outros produtos derivados do caju, além da castanha”, reforça Terezinha, da Coopercaju. Um dos projetos da cooperativa é produzir uma cerveja gourmet com a polpa de caju.
Prova disso é o jovem agricultor Alexsandro Dantas da Silva, de 33 anos, que decidiu seguir os caminhos do pai e continuar na cajucultura. Na propriedade de 40 hectares, Alexsandro conta que 15 hectares de pomar teve que ser cortado porque os cajueiros morreram. “Após o corte já fizemos o replantio de novas mudas e pretendo continuar no beneficiamento da castanha”, afirma.
Para responder questionamentos de produtores de Serra do Mel, com relação à participação do município no programa RN Sustentável, é que o gerente do programa na Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca, Fabiano Lima, foi um dos participantes do encontro. “A cajucultura é uma das principais cadeias produtivas do estado e Serra do Mel está dentro do programa”, esclarece. “Serra do Mel está apto a participar dos editais que estão abertos através do RN Sustentável, para isso basta se inscrever através de associações e cooperativas”, explica.

SEBRAE-RN
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R$ 9 milhões aplicados em 10 anos somente pelo SEBRAE-RN e o resultado apresentado: redução de 40% de cajueiros.

Some-se isso (R$ 9 milhões) aos milhões aplicados através de programas, como: PAPP; PCPR I e II; Desenvolvimento Solidário ; repasses do BNB; PRONAF; Fundação do Banco do Brasil, etc. e, certamente, tem-se que considerar a necessidade de um adequado diagnóstico para orientar as ações de fomento a cajucultura potiguar.

Na verdade, acredito que a situação atual da cajucultura é, em grande medida, resultado da aplicação de recursos de forma atabalhoada. Inúmeros projetos e "modelos" de produção já foram testados e não deram resultados satisfatórios, mas não ocorreu a avaliação dos resultados alcançados e mais dinheiro foi utilizado em projetos e modelos inviáveis.

Pelo visto, tem-se como solução para o setor persistir no erro, ou fazer mais do mesmo. Quando não se aprende com os erros fica impossível acreditar que o futuro será mais auspicioso para os produtores, principalmente para os agricultores familiares. 

Já para os consultores e umas poucas figuras bem conhecidas nos diversos municípios se pode dizer que a "fartura" será garantida... Talvez seja somente isso que interessa.

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