A situação é cada vez mais crítica: tem muita gente convivendo já há algum tempo com escassez de água e passando fome.
É verdade que para visualizar o cenário, com maior exatidão, é necessário sair da zona de conforto dos gabinetes climatizados. É preciso percorrer o entorno das cidades, adentrar na caatinga e é evidente que poucos se propõem a fazer isso.
A inflação para os mais pobres de nossa região é, sem sombra de dúvidas, bem maior do que o índice oficial. Os preços dos alimentos que compõem a cesta básica dispararam e as famílias pobres também foram estimuladas ao consumo e, por isso, o endividamento também é significativo (evidentemente em proporção a renda disponível).
Creio que em 2011, dados oficiais indicavam a existência de, aproximadamente, 16,5 milhões de miseráveis (com renda mensal de até R$ 70,00) no Brasil e o RN tinha pouco mais de 400 mil habitantes em tal situação.
Após esse período prolongado de seca receio que a situação tenha piorado significativamente e não é possível ficar indiferente ao sofrimento daqueles que passam o(s) dia(s) sem comer ou comem muito precariamente.
Para as crianças que são sempre as mais vulneráveis, tem-se que aprimorar a merenda escolar (Os prefeitos deveriam reforçar o cardápio das escolas para tentar minimizar tão severo drama. E antes que algum energúmeno se exaspere com a ideia é bom lembrar que não se aprende nada com fome, então, que a Escola alimente o corpo e a mente dos pequenos com boa alimentação e ensino de qualidade), ampliar o Programa do Leite (parece que esse programa também vem passando por dificuldades) e colocar para funcionar as diversas creches que ainda estão fechadas em inúmeros municípios.
Infelizmente, existem gestores alheios ao sofrimento dos mais pobres, tem-se conselhos da alimentação escolar que só servem para legitimar o que querem os prefeitos e a fome dos pequenos não faz parte da agenda da sociedade civil organizada, pois não temos mais as cenas deploráveis de crianças com severa desnutrição e morrendo aos milhares.
A situação não é pior por causa do Bolsa Família e de alguns outros programas e ações do Poder Público e por isso o quadro (ainda) não assumiu os contornos dramáticos de outrora, mas é necessário avançar.
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