sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Da projeção às urnas: como a estimativa para deputado federal do RN se saiu nas eleições de 2026

 Comparação entre a projeção publicada pelo Sertão Potiguar e o resultado oficial das eleições de 4 de outubro de 2026

A eleição para deputado federal no Rio Grande do Norte permite testar uma projeção publicada anteriormente pelo Sertão Potiguar, construída a partir de percentuais de pesquisas eleitorais e convertida em estimativas de votos nominais.

A projeção trabalhava com 2.176.951 comparecentes para deputado federal e estimava 1.945.459 votos válidos, utilizando oito vagas em disputa e um quociente eleitoral aproximado de 243.182 votos.

O resultado oficial acabou sendo bastante próximo no que diz respeito ao tamanho do eleitorado participante, mas apresentou diferenças relevantes na votação individual dos candidatos e, principalmente, na distribuição das oito cadeiras.

A comparação mostra que a projeção teve bom desempenho na identificação de vários dos candidatos efetivamente eleitos, mas não conseguiu transformar os percentuais pesquisados em uma previsão precisa da votação final de cada candidato.

O primeiro teste: tamanho do eleitorado

A projeção utilizou como referência 2.176.951 comparecentes.

A eleição efetivamente registrou:

  • 2.656.207 eleitores aptos;
  • 2.167.714 comparecentes;
  • 488.493 abstenções;
  • 81,61% de comparecimento;
  • 18,39% de abstenção.

Os números são oficiais e constam do relatório de totalização do TRE-RN.

A diferença entre o comparecimento projetado e o efetivo foi:

2.176.951 − 2.167.714 = 9.237 eleitores.

Em termos relativos, a diferença foi de aproximadamente 0,42%.

Esse é um resultado muito próximo.

Portanto, assim como ocorreu na projeção para deputado estadual, o modelo acertou muito bem a dimensão do eleitorado que efetivamente participaria da eleição.

Votos válidos: outro acerto importante

A projeção estimava: 1.945.459 votos válidos.

O resultado oficial registrou: 1.967.700 votos válidos.

A diferença foi de: +22.241 votos, ou aproximadamente 1,14%.

Isso significa que também houve uma boa aproximação do número total de votos que efetivamente entrariam no cálculo da representação proporcional.

O relatório oficial do TRE-RN informa que os 1.967.700 votos válidos foram compostos por:

  • 1.906.878 votos nominais;
  • 60.822 votos de legenda.

Ou seja, 3,09% dos votos válidos foram destinados às legendas, enquanto 96,91% foram votos nominais.

Esse dado é particularmente importante para avaliar a projeção, porque o modelo havia trabalhado com uma estimativa de aproximadamente 80 mil votos de legenda, muito acima dos 60.822 efetivamente registrados.

Abstenção, brancos e nulos

A participação eleitoral também precisa ser considerada na avaliação.

O RN tinha 2.656.207 eleitores aptos e registrou 488.493 abstenções, equivalentes a 18,39%.

Entre os eleitores que compareceram, a votação para deputado federal foi:

Resultado

Votos

% do comparecimento

Votos válidos

1.967.700

90,77%

Brancos

105.390

4,86%

Nulos na urna

94.498

4,37%

Nulos técnicos

126

0,01%

Comparecimento

2.167.714

100%

O relatório oficial registra 94.624 votos nulos no total, sendo 94.498 votos nulos na urna e 126 classificados como nulos técnicos.

Assim, 199.888 votos foram brancos ou nulos na urna, aproximadamente 9,23% dos comparecentes.

É importante não confundir esses números com a abstenção.

Foram quase meio milhão de eleitores que não compareceram, enquanto aproximadamente 200 mil compareceram, mas não produziram voto válido para deputado federal.

O resultado final pode ser resumido assim: 18,39% dos eleitores aptos não compareceram; entre os que compareceram, 9,23% optaram por branco ou nulo; e 90,77% produziram votos válidos para deputado federal.

O resultado oficial das oito vagas

A Justiça Eleitoral confirmou oito deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Norte:

Posição

Candidato

Partido

Votos

Situação

1

Natália Bonavides

PT

215.509

Eleita por QP

2

Nina

PL

185.248

Eleita por QP

3

Benes Leocádio

União

171.396

Eleito por QP

4

Sargento Gonçalves

PL

154.073

Eleito por QP

5

General Girão

PL

133.258

Eleito por QP

6

Dr. Bernardo

PV

130.835

Eleito por QP

7

João Maia

PP

123.040

Eleito por média

8

Thabatta Pimenta

PV

92.743

Eleita por média

Esses são os números oficiais do TRE-RN.

A distribuição das cadeiras foi, portanto:

  • PL: 3
  • Federação Brasil da Esperança: 3
  • Federação União Progressista: 2

É importante observar que a terceira cadeira da Brasil da Esperança e a segunda da União Progressista vieram por média, e não simplesmente pela obtenção de um número inteiro adicional de quocientes eleitorais.

O que a projeção havia indicado?

A projeção publicada pelo Sertão Potiguar apresentou 14 nomes distribuídos em três grupos:

PL

  1. Nina Souza - 129.964
  2. Cabo Deyvison - 96.004
  3. Sargento Gonçalves - 76.411
  4. General Girão - 61.390
  5. Juninho Saia Rodada - 46.804
  6. Carla Dickson - 44.845

Total dos seis nomes: 455.418 votos.

Brasil da Esperança

  1. Natália Bonavides - 91.650
  2. Dr. Bernardo - 85.119
  3. Thabatta Pimenta - 54.206
  4. Odon Júnior - 52.465

Total dos quatro nomes: 283.440 votos.

União Progressista

  1. Benes Leocádio - 96.874
  2. Robinson Faria - 83.813
  3. João Maia - 81.418
  4. Matheus Faustino - 11.756

Total dos quatro nomes: 273.861 votos.

A própria publicação advertia que esses valores eram estimativas nominais, e não uma previsão fechada de cadeiras.

Comparação candidato por candidato

Esta é a comparação direta entre a estimativa e o resultado oficial.

Candidato

Projeção

Resultado

Diferença

Nina

129.964

185.248

+55.284

Cabo Deyvison

96.004

100.795

+4.791

Sargento Gonçalves

76.411

154.073

+77.662

General Girão

61.390

133.258

+71.868

Juninho Saia Rodada

46.804

84.156

+37.352

Carla Dickson

44.845

67.632

+22.787

Natália Bonavides

91.650

215.509

+123.859

Dr. Bernardo

85.119

130.835

+45.716

Thabatta Pimenta

54.206

92.743

+38.537

Odon Júnior

52.465

51.402

-1.063

Benes Leocádio

96.874

171.396

+74.522

Robinson Faria

83.813

123.008

+39.195

João Maia

81.418

123.040

+41.622

Matheus Faustino

11.756

40.922

+29.166

Os resultados oficiais constam da totalização do TRE-RN.

Uma característica chama imediatamente a atenção

Todos os 14 candidatos listados na projeção receberam mais votos do que a estimativa, com uma única exceção: Odon Júnior.

Odon foi projetado com 52.465 votos e terminou com 51.402, uma diferença de apenas 1.063 votos, ou aproximadamente 2%.

Esse resultado é particularmente interessante.

Enquanto a maioria dos candidatos foi subestimada, Odon ficou praticamente exatamente no valor projetado.

Isso indica que a principal dificuldade do modelo foi converter a intensidade das citações das pesquisas na magnitude final da votação.

Os maiores acertos

Embora a votação tenha sido subestimada em muitos casos, a projeção conseguiu identificar 8 dos 8 eleitos entre os nomes que estavam na lista analisada.

Dos 14 nomes projetados:

Foram eleitos:

  • Nina;
  • Sargento Gonçalves;
  • General Girão;
  • Natália Bonavides;
  • Dr. Bernardo;
  • Thabatta Pimenta;
  • Benes Leocádio;
  • João Maia.

Portanto:

8 dos 14 nomes projetados foram efetivamente eleitos.

Isso corresponde a 57,1% dos nomes apresentados.

Mas há uma forma ainda mais favorável de medir o resultado:

todos os oito deputados federais efetivamente eleitos estavam entre os 14 nomes que a projeção havia colocado em análise.

Não houve, portanto, nenhum eleito completamente fora do universo dos candidatos destacados.

Esse é um resultado relevante.

O PL: a projeção identificou os três eleitos, mas superestimou a quantidade de cadeiras

A projeção apresentava seis nomes do PL:

  • Nina;
  • Cabo Deyvison;
  • Sargento Gonçalves;
  • General Girão;
  • Juninho Saia Rodada;
  • Carla Dickson.

Os três primeiros nomes efetivamente eleitos foram:

  • Nina;
  • Sargento Gonçalves;
  • General Girão.

Cabo Deyvison, Juninho Saia Rodada e Carla Dickson terminaram como suplentes.

A composição oficial do PL foi de três cadeiras, todas conquistadas por quociente partidário.

A projeção, entretanto, apresentava anteriormente uma expectativa de quatro cadeiras para o PL.

Esse foi um dos principais pontos que o resultado eleitoral corrigiu.

O próprio resultado demonstra por que a projeção havia advertido que os percentuais dos candidatos listados não eram suficientes para demonstrar quatro cadeiras.

Nina: subestimada, mas corretamente apontada como principal nome do PL

Nina era a primeira colocada na projeção, com: 129.964 votos.

Terminou com: 185.248 votos.

Diferença: +55.284 votos.

Apesar do erro quantitativo, a projeção acertou uma informação importante:

Nina seria um dos principais nomes da eleição e lideraria a nominata do PL. Ela terminou em segundo lugar geral, atrás apenas de Natália Bonavides.

Sargento Gonçalves e General Girão: grandes subestimações

Dois dos maiores desvios ocorreram dentro do PL.

Sargento Gonçalves

Projeção: 76.411

Resultado: 154.073

Diferença: +77.662 votos.

A votação efetiva foi praticamente o dobro da estimada.

General Girão

Projeção: 61.390

Resultado: 133.258

Diferença: +71.868 votos.

A votação real foi mais de duas vezes superior à estimada.

Os dois terminaram, respectivamente, em quarto e quinto lugar na classificação geral.

Esses dois casos mostram uma limitação importante da transformação de pesquisa em projeção nominal.

A pesquisa conseguiu detectar a presença dos candidatos, mas não a escala da votação que eles efetivamente alcançariam.

Cabo Deyvison: o candidato que ficou muito próximo da projeção

Cabo Deyvison é o caso mais próximo entre os nomes do PL.

Projeção: 96.004 votos

Resultado: 100.795 votos

Diferença: +4.791 votos

O erro foi de aproximadamente 5%.

Apesar de não ter sido eleito, Cabo Deyvison terminou com votação bastante elevada, mas insuficiente para alcançar uma das três vagas conquistadas pelo PL.

Juninho e Carla: a projeção captou nomes competitivos, mas não a eleição

Juninho Saia Rodada foi projetado com 46.804 votos e acabou obtendo 84.156 votos.

Carla Dickson foi projetada com 44.845 e terminou com 67.632 votos.

Ambos tiveram votações substancialmente maiores que as estimadas, mas ficaram como suplentes.

O resultado oficial mostra Juninho na 11ª colocação geral e Carla na 13ª.

Isso revela outra característica do sistema proporcional: uma boa votação individual não é suficiente para garantir a eleição.

No caso do PL, o partido conquistou três cadeiras. Como Nina, Sargento Gonçalves e General Girão tiveram votações maiores, os demais candidatos, mesmo com dezenas de milhares de votos, ficaram como suplentes.

Brasil da Esperança: o maior acerto nominal

Aqui está provavelmente o melhor desempenho da projeção.

A projeção apresentou quatro nomes:

  • Natália Bonavides;
  • Dr. Bernardo;
  • Thabatta Pimenta;
  • Odon Júnior.

Os três primeiros foram eleitos.

Odon não foi eleito.

Portanto: 3 dos 4 nomes indicados foram eleitos.

E os três nomes eleitos estavam exatamente entre os três mais votados da federação:

  1. Natália Bonavides;
  2. Dr. Bernardo;
  3. Thabatta Pimenta.

A distribuição oficial foi:

  • Natália - eleita por quociente;
  • Dr. Bernardo - eleito por quociente;
  • Thabatta - eleita por média.

Odon terminou como suplente.

Natália Bonavides: o maior erro quantitativo da projeção

A projeção estimava: 91.650 votos.

O resultado foi: 215.509 votos.

Diferença: +123.859 votos.

Esse foi o maior erro absoluto de toda a projeção.

Natália terminou como a deputada federal mais votada do Rio Grande do Norte, com 10,95% dos votos válidos.

Portanto, houve um paradoxo interessante: a projeção acertou o nome, mas errou fortemente sua dimensão eleitoral.

Esse resultado é importante para avaliar a metodologia. Identificar a presença de um candidato nas pesquisas não significa conseguir estimar corretamente a quantidade de votos que ele receberá.

Dr. Bernardo e Thabatta

Também houve subestimação nos dois outros eleitos da Brasil da Esperança.

Dr. Bernardo

  • projeção: 85.119
  • resultado: 130.835
  • diferença: +45.716

Thabatta Pimenta

  • projeção: 54.206
  • resultado: 92.743
  • diferença: +38.537

Apesar dos erros quantitativos, a posição relativa foi bastante informativa:

Natália > Dr. Bernardo > Thabatta > Odon

foi exatamente a ordem final desses quatro nomes.

Essa é uma das evidências mais fortes de que a projeção tinha capacidade para captar hierarquia relativa, ainda que não captasse adequadamente a escala absoluta dos votos.

Odon Júnior: o melhor acerto numérico

Odon é o melhor exemplo de aproximação quantitativa.

Projeção: 52.465 votos

Resultado: 51.402 votos

Diferença: -1.063 votos

Erro de aproximadamente 2%.

Nesse caso, a projeção chegou praticamente ao resultado da urna.

O problema foi que a votação não foi suficiente para conquistar uma das três cadeiras da federação.

União Progressista: acertou os dois eleitos, mas não a ordem completa

A projeção apresentou:

  1. Benes Leocádio;
  2. Robinson Faria;
  3. João Maia;
  4. Matheus Faustino.

O resultado final foi:

  1. Benes Leocádio: 171.396 - eleito;
  2. João Maia: 123.040 - eleito;
  3. Robinson Faria: 123.008 - suplente;
  4. Matheus Faustino: 40.922 - suplente.

O resultado oficial é particularmente interessante porque João Maia e Robinson Faria terminaram separados por apenas 32 votos.

Mas a diferença de apenas 32 votos não produziu empate jurídico.

João Maia conquistou a segunda cadeira por média, enquanto Robinson ficou como suplente.

Assim, a projeção:

  • acertou Benes como principal nome;
  • identificou corretamente João e Robinson como candidatos muito fortes;
  • mas não conseguiu determinar qual deles terminaria à frente;
  • e, sobretudo, não conseguiu prever que João seria o candidato eleito pela média.

Esse é um exemplo clássico da dificuldade de projetar o resultado de uma eleição proporcional.

Benes Leocádio: forte acerto na posição, mas subestimação da votação

A projeção estimava: 96.874 votos.

O resultado foi: 171.396 votos.

Diferença: +74.522 votos.

Mesmo com a grande diferença quantitativa, a projeção acertou sua posição dentro da nominata:

Benes seria o primeiro nome da União Progressista.

E efetivamente foi.

A grande questão: por que Robinson, com 123.008 votos, não foi eleito?

Esse é um dos resultados que melhor demonstram a importância do sistema proporcional.

Robinson Faria recebeu: 123.008 votos.

João Maia recebeu: 123.040 votos.

A diferença foi de apenas: 32 votos.

Mesmo assim:

  • João Maia foi eleito;
  • Robinson Faria ficou como suplente.

O motivo não está apenas na votação individual.

A distribuição das cadeiras depende da votação total da federação e do cálculo das médias nas vagas restantes.

O TRE-RN classificou João Maia como eleito por média e Robinson como suplente.

Esse caso demonstra por que uma projeção de deputado federal não pode ser feita apenas ordenando candidatos por intenção de voto.

O problema metodológico da previsão de 4-2-2

A própria publicação original já havia identificado essa limitação.

Ela projetava:

  • PL: 4;
  • Brasil da Esperança: 2;
  • União Progressista: 2.

Mas advertia que os votos dos nomes listados não eram suficientes para demonstrar essa distribuição e que ainda faltavam os votos dos demais candidatos e os votos de legenda.

Essa ressalva foi importante - e o resultado oficial confirmou a necessidade dela.

A distribuição real foi:

Nominata

Projeção inicial

Resultado oficial

PL

4

3

Brasil da Esperança

2

3

União Progressista

2

2

Total

8

8

A projeção acertou a União Progressista e errou uma cadeira para cada lado entre PL e Brasil da Esperança.

O quociente eleitoral também ficou próximo

A projeção estimava: 1.945.459 votos válidos

e um QE de aproximadamente: 243.182 votos.

O resultado efetivo teve: 1.967.700 votos válidos.

Dividindo por oito vagas: 1.967.700 ÷ 8 = 245.962,5 votos.

Portanto, o quociente efetivo ficou em aproximadamente 245.963 votos, cerca de 2.781 votos acima da estimativa.

A diferença foi de aproximadamente 1,14%.

Novamente, portanto: o modelo foi muito mais preciso na estimativa do tamanho do universo eleitoral do que na estimativa da votação de cada candidato.

A participação de votos de legenda foi menor que a prevista

Esse é outro ponto importante.

A projeção trabalhava com aproximadamente: 80.015 votos de legenda.

O resultado oficial registrou: 60.822 votos de legenda.

Diferença: -19.193 votos.

Em termos relativos, houve uma redução de aproximadamente 24% em relação à estimativa.

Isso representa uma diferença importante porque os votos de legenda entram no cálculo da votação da respectiva legenda/federação e podem influenciar a distribuição das cadeiras.

O resultado oficial mostra que os votos de legenda representaram apenas 3,09% dos votos válidos para deputado federal no RN.

O que a projeção acertou?

O balanço objetivo pode ser resumido em seis pontos.

1) Acertou o comparecimento

Projeção: 2.176.951

Resultado: 2.167.714

Erro: 0,42%.

2) Aproximou-se bastante do número de votos válidos

Projeção: 1.945.459

Resultado: 1.967.700

Erro: 1,14%.

3) Aproximou-se do quociente eleitoral

Projeção: ≈243.182

Resultado: ≈245.963

Diferença: ≈1,14%.

4) Incluiu todos os oito eleitos no universo dos 14 nomes analisados

Nenhum dos oito eleitos estava completamente ausente da lista.

5) Identificou corretamente oito candidatos que seriam eleitos

Dos 14 nomes projetados, oito terminaram eleitos.

6) Acertou a ordem interna de três grupos importantes

  • PL: Nina > Sargento > General;
  • Brasil da Esperança: Natália > Dr. Bernardo > Thabatta > Odon;
  • União Progressista: Benes como principal nome.

Onde a projeção errou?

Também existem limitações claras.

1) Subestimou fortemente os oito eleitos

Com exceção de Odon, todos os nomes projetados que se elegeram tiveram votação real superior à estimada.

2) Não estimou corretamente a magnitude de Natália Bonavides

Foi o maior erro absoluto: +123.859 votos.

3) Subestimou fortemente Sargento Gonçalves, General Girão e Benes

Os três tiveram mais de 70 mil votos acima da estimativa.

4) Superestimou o número de cadeiras do PL

Projetava quatro; o partido conquistou três.

5) Subestimou o número de cadeiras da Brasil da Esperança

Projetava duas; a federação conquistou três.

6) Não conseguiu resolver a disputa João Maia × Robinson

A diferença foi de apenas 32 votos, mas apenas João Maia foi eleito.

O resultado mais importante: a projeção foi melhor para nomes do que para cadeiras

Esse talvez seja o principal ensinamento da comparação.

A projeção não conseguiu demonstrar matematicamente que PL, Brasil da Esperança e União Progressista conquistariam exatamente 4-2-2 cadeiras.

A própria publicação havia reconhecido essa limitação.

E o resultado oficial confirmou a cautela necessária.

O sistema proporcional exige considerar:

  1. votos nominais;
  2. votos de legenda;
  3. votação total de cada partido ou federação;
  4. quociente eleitoral;
  5. quociente partidário;
  6. vagas restantes;
  7. maiores médias;
  8. desempenho dos demais candidatos.

A totalização oficial mostra exatamente essa dinâmica: seis das oito vagas foram obtidas por quociente partidário e duas por média - João Maia e Thabatta Pimenta.

Uma medida simples de desempenho

Se o critério for identificar os oito eleitos, a projeção foi muito bem-sucedida:

8 de 8 eleitos estavam entre os nomes analisados.

Se o critério for identificar quais dos 14 nomes seriam eleitos, foram:

8 acertos em 14 nomes - 57,1%.

Se o critério for estimar a votação individual, o desempenho foi bastante inferior.

A projeção acertou excepcionalmente bem Odon Júnior, aproximou-se de Cabo Deyvison e apresentou boa noção da hierarquia interna de algumas nominatas, mas subestimou significativamente a votação de praticamente todos os eleitos.

Portanto, há três níveis diferentes de avaliação:

Dimensão

Avaliação

Tamanho do eleitorado

Muito boa

Volume de votos válidos

Muito boa

Identificação dos nomes competitivos

Boa

Ordem relativa dentro das nominatas

Boa em vários casos

Votação nominal absoluta

Irregular

Número de cadeiras por nominata

Parcial

Previsão fechada de 4-2-2

Não confirmada

Abstenção não explica os principais erros

É importante destacar que os grandes erros da projeção não decorreram de uma participação eleitoral muito diferente daquela utilizada no modelo.

A diferença foi de apenas: 9.237 comparecentes, ou 0,42%.

Também não decorreu de uma diferença muito grande no número total de votos válidos.

A diferença foi de aproximadamente 22 mil votos, ou 1,14%.

Por isso, não seria metodologicamente correto explicar a forte subestimação de Natália, Benes, Sargento Gonçalves ou General Girão pela abstenção.

A explicação está principalmente na conversão das intenções de voto pesquisadas em votação efetiva.

Em outras palavras: o tamanho do eleitorado foi previsto corretamente; a distribuição interna dos votos é que se mostrou muito diferente.

O que essa eleição ensina para as próximas projeções?

A experiência sugere algumas melhorias metodológicas para futuras projeções do Sertão Potiguar.

Primeiro- Não transformar diretamente o percentual de uma pesquisa espontânea ou estimulada em votos sem considerar o grau de decisão do eleitor.

Segundo- Estimar todos os candidatos com potencial eleitoral, e não apenas os nomes que aparecem nas primeiras posições das pesquisas.

Terceiro- Separar claramente: votação nominal estimada de votação total da nominata.

Quarto- Estimar os votos de legenda de maneira mais realista.

O modelo projetava cerca de 80 mil votos de legenda, mas o resultado oficial ficou em 60.822.

Quinto- Executar uma simulação completa do sistema proporcional.

Isso significa distribuir os votos entre todas as nominatas e aplicar, sucessivamente:

quociente eleitoral → quociente partidário → distribuição das sobras pelas maiores médias.

Sexto- Apresentar cenários em vez de uma única previsão fechada.

Por exemplo:

  • cenário conservador;
  • cenário central;
  • cenário favorável;
  • intervalo de cadeiras possível.

Isso seria especialmente importante para candidaturas próximas da fronteira eleitoral.

Conclusão

A comparação entre a projeção publicada pelo Sertão Potiguar e o resultado oficial da eleição para deputado federal do Rio Grande do Norte apresenta um resultado mais positivo do que poderia parecer à primeira vista, mas também evidencia limites claros.

A projeção não acertou a votação individual dos candidatos, principalmente porque subestimou fortemente a votação de diversos nomes.

Natália Bonavides recebeu 215.509 votos, contra 91.650 estimados.

Sargento Gonçalves recebeu 154.073, contra 76.411.

General Girão recebeu 133.258, contra 61.390.

Benes Leocádio recebeu 171.396, contra 96.874.

Esses números demonstram que a escala da votação real foi muito maior do que a captada pelo modelo.

Por outro lado, a projeção apresentou acertos importantes.

Todos os oito deputados federais eleitos estavam entre os candidatos analisados na projeção. Além disso, oito dos 14 nomes apresentados efetivamente foram eleitos.

A projeção também captou corretamente a hierarquia interna de importantes nominatas e chegou muito perto da votação de Odon Júnior, que recebeu apenas 1.063 votos a menos que o estimado.

O resultado também confirmou a necessidade da cautela expressa na própria publicação original quanto à previsão de cadeiras.

A estimativa inicial de 4 cadeiras para o PL, 2 para a Brasil da Esperança e 2 para a União Progressista não se confirmou.

O resultado foi:

PL - 3 cadeiras
Brasil da Esperança - 3 cadeiras
União Progressista - 2 cadeiras

O caso de João Maia e Robinson Faria é especialmente ilustrativo. Os dois terminaram praticamente empatados: 123.040 contra 123.008 votos, uma diferença de apenas 32 votos. Mesmo assim, João Maia conquistou a segunda cadeira da União Progressista por média, enquanto Robinson ficou como suplente.

O resultado geral permite, portanto, uma conclusão equilibrada: A projeção foi muito mais eficiente para identificar o universo de candidatos competitivos e o tamanho geral da eleição do que para prever a votação nominal exata e a distribuição final das oito cadeiras.

O comparecimento projetado ficou apenas 0,42% acima do efetivo; os votos válidos projetados ficaram 1,14% abaixo do resultado; e o quociente eleitoral estimado ficou muito próximo do efetivamente necessário.

A maior dificuldade esteve na transformação das intenções registradas nas pesquisas em votos efetivamente depositados nas urnas.

Isso não invalida a projeção. Ao contrário, permite identificar com maior precisão onde ela funcionou e onde precisa ser aprimorada.

Para futuras eleições proporcionais, o principal avanço metodológico seria abandonar previsões fechadas baseadas apenas nos candidatos mais citados e construir uma simulação que inclua todos os candidatos relevantes, votos de legenda, votação total das nominatas e distribuição das vagas pelas maiores médias.

É justamente nessa passagem - da pesquisa para os votos e dos votos para as cadeiras - que se encontra a maior dificuldade de projetar uma eleição proporcional.

Resultado final da comparação

Projeção: boa para dimensionar a eleição e identificar nomes competitivos.

Projeção: razoável para estabelecer a hierarquia entre candidatos.

Projeção: limitada para estimar a votação nominal exata.

Projeção: insuficiente para sustentar, isoladamente, uma previsão fechada de 4-2-2 cadeiras.

Resultado mais expressivo: os oito eleitos estavam entre os nomes analisados.

Principal lição: em eleições proporcionais, acertar os nomes é muito mais fácil do que acertar as cadeiras – e acertar o volume global de votos não significa acertar sua distribuição individual.

Fontes: Justiça Eleitoral/TRE-RN, Relatório Resultado da Totalização das Eleições 2026; resultado oficial dos eleitos e votação por partido/federação.