Comparação entre a projeção publicada pelo Sertão Potiguar e o resultado oficial das eleições de 4 de outubro de 2026
A eleição para deputado federal no Rio Grande do
Norte permite testar uma projeção publicada anteriormente pelo Sertão
Potiguar, construída a partir de percentuais de pesquisas eleitorais e
convertida em estimativas de votos nominais.
A projeção trabalhava com 2.176.951
comparecentes para deputado federal e estimava 1.945.459 votos válidos,
utilizando oito vagas em disputa e um quociente eleitoral aproximado de 243.182
votos.
O resultado oficial acabou sendo bastante próximo
no que diz respeito ao tamanho do eleitorado participante, mas apresentou
diferenças relevantes na votação individual dos candidatos e, principalmente,
na distribuição das oito cadeiras.
A comparação mostra que a projeção teve bom
desempenho na identificação de vários dos candidatos efetivamente eleitos,
mas não conseguiu transformar os percentuais pesquisados em uma previsão
precisa da votação final de cada candidato.
O primeiro teste: tamanho do
eleitorado
A projeção utilizou como referência 2.176.951
comparecentes.
A eleição efetivamente registrou:
- 2.656.207
eleitores aptos;
- 2.167.714
comparecentes;
- 488.493
abstenções;
- 81,61%
de comparecimento;
- 18,39%
de abstenção.
Os números são oficiais e constam do relatório de
totalização do TRE-RN.
A diferença entre o comparecimento projetado e o
efetivo foi:
2.176.951 − 2.167.714 = 9.237 eleitores.
Em termos relativos, a diferença foi de
aproximadamente 0,42%.
Esse é um resultado muito próximo.
Portanto, assim como ocorreu na projeção para
deputado estadual, o modelo acertou muito bem a dimensão do eleitorado que
efetivamente participaria da eleição.
Votos
válidos: outro acerto importante
A projeção estimava: 1.945.459 votos válidos.
O resultado oficial registrou: 1.967.700 votos
válidos.
A diferença foi de: +22.241 votos, ou
aproximadamente 1,14%.
Isso significa que também houve uma boa aproximação
do número total de votos que efetivamente entrariam no cálculo da representação
proporcional.
O relatório oficial do TRE-RN informa que os
1.967.700 votos válidos foram compostos por:
- 1.906.878
votos nominais;
- 60.822
votos de legenda.
Ou seja, 3,09% dos votos válidos foram destinados
às legendas, enquanto 96,91% foram votos nominais.
Esse dado é particularmente importante para avaliar
a projeção, porque o modelo havia trabalhado com uma estimativa de
aproximadamente 80 mil votos de legenda, muito acima dos 60.822
efetivamente registrados.
Abstenção,
brancos e nulos
A participação eleitoral também precisa ser
considerada na avaliação.
O RN tinha 2.656.207 eleitores aptos e registrou
488.493 abstenções, equivalentes a 18,39%.
Entre os eleitores que compareceram, a votação para
deputado federal foi:
|
Resultado |
Votos |
% do
comparecimento |
|
Votos
válidos |
1.967.700 |
90,77% |
|
Brancos |
105.390 |
4,86% |
|
Nulos
na urna |
94.498 |
4,37% |
|
Nulos
técnicos |
126 |
0,01% |
|
Comparecimento |
2.167.714 |
100% |
O relatório oficial registra 94.624 votos nulos no
total, sendo 94.498 votos nulos na urna e 126 classificados como nulos
técnicos.
Assim, 199.888 votos foram brancos ou nulos na
urna, aproximadamente 9,23% dos comparecentes.
É importante não confundir esses números com a
abstenção.
Foram quase meio milhão de eleitores que não
compareceram, enquanto aproximadamente 200 mil compareceram, mas não produziram
voto válido para deputado federal.
O resultado final pode ser resumido assim: 18,39%
dos eleitores aptos não compareceram; entre os que compareceram, 9,23% optaram
por branco ou nulo; e 90,77% produziram votos válidos para deputado federal.
O
resultado oficial das oito vagas
A Justiça Eleitoral confirmou oito deputados
federais eleitos pelo Rio Grande do Norte:
|
Posição |
Candidato |
Partido |
Votos |
Situação |
|
1 |
Natália
Bonavides |
PT |
215.509 |
Eleita
por QP |
|
2 |
Nina |
PL |
185.248 |
Eleita
por QP |
|
3 |
Benes
Leocádio |
União |
171.396 |
Eleito
por QP |
|
4 |
Sargento
Gonçalves |
PL |
154.073 |
Eleito
por QP |
|
5 |
General
Girão |
PL |
133.258 |
Eleito
por QP |
|
6 |
Dr.
Bernardo |
PV |
130.835 |
Eleito
por QP |
|
7 |
João
Maia |
PP |
123.040 |
Eleito
por média |
|
8 |
Thabatta
Pimenta |
PV |
92.743 |
Eleita
por média |
Esses são os
números oficiais do TRE-RN.
A distribuição das cadeiras foi, portanto:
- PL:
3
- Federação
Brasil da Esperança: 3
- Federação
União Progressista: 2
É importante observar que a terceira cadeira da
Brasil da Esperança e a segunda da União Progressista vieram por média,
e não simplesmente pela obtenção de um número inteiro adicional de quocientes
eleitorais.
O que a
projeção havia indicado?
A projeção publicada pelo Sertão Potiguar
apresentou 14 nomes distribuídos em três grupos:
PL
- Nina
Souza - 129.964
- Cabo
Deyvison - 96.004
- Sargento
Gonçalves - 76.411
- General
Girão - 61.390
- Juninho
Saia Rodada - 46.804
- Carla
Dickson - 44.845
Total dos seis nomes: 455.418 votos.
Brasil da Esperança
- Natália
Bonavides - 91.650
- Dr.
Bernardo - 85.119
- Thabatta
Pimenta - 54.206
- Odon
Júnior - 52.465
Total dos quatro nomes: 283.440 votos.
União Progressista
- Benes
Leocádio - 96.874
- Robinson
Faria - 83.813
- João
Maia - 81.418
- Matheus
Faustino - 11.756
Total dos quatro nomes: 273.861 votos.
A própria publicação advertia que esses valores
eram estimativas nominais, e não uma previsão fechada de cadeiras.
Comparação
candidato por candidato
Esta é a comparação direta entre a estimativa e o
resultado oficial.
|
Candidato |
Projeção |
Resultado |
Diferença |
|
Nina |
129.964 |
185.248 |
+55.284 |
|
Cabo
Deyvison |
96.004 |
100.795 |
+4.791 |
|
Sargento
Gonçalves |
76.411 |
154.073 |
+77.662 |
|
General
Girão |
61.390 |
133.258 |
+71.868 |
|
Juninho
Saia Rodada |
46.804 |
84.156 |
+37.352 |
|
Carla
Dickson |
44.845 |
67.632 |
+22.787 |
|
Natália
Bonavides |
91.650 |
215.509 |
+123.859 |
|
Dr.
Bernardo |
85.119 |
130.835 |
+45.716 |
|
Thabatta
Pimenta |
54.206 |
92.743 |
+38.537 |
|
Odon
Júnior |
52.465 |
51.402 |
-1.063 |
|
Benes
Leocádio |
96.874 |
171.396 |
+74.522 |
|
Robinson
Faria |
83.813 |
123.008 |
+39.195 |
|
João
Maia |
81.418 |
123.040 |
+41.622 |
|
Matheus
Faustino |
11.756 |
40.922 |
+29.166 |
Os resultados oficiais constam da totalização do
TRE-RN.
Uma
característica chama imediatamente a atenção
Todos os 14 candidatos listados na projeção
receberam mais votos do que a estimativa, com uma única exceção: Odon
Júnior.
Odon foi projetado com 52.465 votos e terminou com
51.402, uma diferença de apenas 1.063 votos, ou aproximadamente 2%.
Esse resultado é particularmente interessante.
Enquanto a maioria dos candidatos foi subestimada,
Odon ficou praticamente exatamente no valor projetado.
Isso indica que a principal dificuldade do modelo foi
converter a intensidade das citações das pesquisas na magnitude final da
votação.
Os
maiores acertos
Embora a votação tenha sido subestimada em muitos
casos, a projeção conseguiu identificar 8 dos 8 eleitos entre os nomes que
estavam na lista analisada.
Dos 14 nomes projetados:
Foram eleitos:
- Nina;
- Sargento
Gonçalves;
- General
Girão;
- Natália
Bonavides;
- Dr.
Bernardo;
- Thabatta
Pimenta;
- Benes
Leocádio;
- João
Maia.
Portanto:
8 dos 14 nomes projetados foram efetivamente
eleitos.
Isso corresponde a 57,1% dos nomes apresentados.
Mas há uma forma ainda mais favorável de medir o
resultado:
todos os oito deputados federais efetivamente
eleitos estavam entre os 14 nomes que a projeção havia colocado em análise.
Não houve, portanto, nenhum eleito completamente
fora do universo dos candidatos destacados.
Esse é um resultado relevante.
O PL: a
projeção identificou os três eleitos, mas superestimou a quantidade de cadeiras
A projeção apresentava seis nomes do PL:
- Nina;
- Cabo
Deyvison;
- Sargento
Gonçalves;
- General
Girão;
- Juninho
Saia Rodada;
- Carla
Dickson.
Os três primeiros nomes efetivamente eleitos foram:
- Nina;
- Sargento
Gonçalves;
- General
Girão.
Cabo Deyvison, Juninho Saia Rodada e Carla Dickson
terminaram como suplentes.
A composição oficial do PL foi de três cadeiras,
todas conquistadas por quociente partidário.
A projeção, entretanto, apresentava anteriormente
uma expectativa de quatro cadeiras para o PL.
Esse foi um dos principais pontos que o resultado
eleitoral corrigiu.
O próprio resultado demonstra por que a projeção
havia advertido que os percentuais dos candidatos listados não eram suficientes
para demonstrar quatro cadeiras.
Nina:
subestimada, mas corretamente apontada como principal nome do PL
Nina era a primeira colocada na projeção, com: 129.964
votos.
Terminou com: 185.248 votos.
Diferença: +55.284 votos.
Apesar do erro quantitativo, a projeção acertou uma
informação importante:
Nina seria um dos principais nomes da eleição e
lideraria a nominata do PL. Ela terminou em segundo lugar geral, atrás apenas de Natália Bonavides.
Sargento
Gonçalves e General Girão: grandes subestimações
Dois dos maiores desvios ocorreram dentro do PL.
Sargento Gonçalves
Projeção: 76.411
Resultado: 154.073
Diferença: +77.662 votos.
A votação efetiva foi praticamente o dobro da
estimada.
General Girão
Projeção: 61.390
Resultado: 133.258
Diferença: +71.868 votos.
A votação real foi mais de duas vezes superior à
estimada.
Os dois terminaram, respectivamente, em quarto e
quinto lugar na classificação geral.
Esses dois casos mostram uma limitação importante
da transformação de pesquisa em projeção nominal.
A pesquisa conseguiu detectar a presença dos
candidatos, mas não a escala da votação que eles efetivamente alcançariam.
Cabo
Deyvison: o candidato que ficou muito próximo da projeção
Cabo Deyvison é o caso mais próximo entre os nomes
do PL.
Projeção: 96.004 votos
Resultado: 100.795 votos
Diferença: +4.791 votos
O erro foi de aproximadamente 5%.
Apesar de não ter sido eleito, Cabo Deyvison
terminou com votação bastante elevada, mas insuficiente para alcançar uma das
três vagas conquistadas pelo PL.
Juninho e
Carla: a projeção captou nomes competitivos, mas não a eleição
Juninho Saia Rodada foi projetado com 46.804 votos
e acabou obtendo 84.156 votos.
Carla Dickson foi projetada com 44.845 e terminou
com 67.632 votos.
Ambos tiveram votações substancialmente maiores que
as estimadas, mas ficaram como suplentes.
O resultado oficial mostra Juninho na 11ª colocação
geral e Carla na 13ª.
Isso revela outra característica do sistema
proporcional: uma boa votação individual não é suficiente para garantir a
eleição.
No caso do PL, o partido conquistou três cadeiras.
Como Nina, Sargento Gonçalves e General Girão tiveram votações maiores, os
demais candidatos, mesmo com dezenas de milhares de votos, ficaram como
suplentes.
Brasil da
Esperança: o maior acerto nominal
Aqui está provavelmente o melhor desempenho da
projeção.
A projeção apresentou quatro nomes:
- Natália
Bonavides;
- Dr.
Bernardo;
- Thabatta
Pimenta;
- Odon
Júnior.
Os três primeiros foram eleitos.
Odon não foi eleito.
Portanto: 3 dos 4 nomes indicados foram eleitos.
E os três nomes eleitos estavam exatamente entre os
três mais votados da federação:
- Natália
Bonavides;
- Dr.
Bernardo;
- Thabatta
Pimenta.
A distribuição oficial foi:
- Natália
- eleita por quociente;
- Dr.
Bernardo - eleito por quociente;
- Thabatta
- eleita por média.
Odon terminou como suplente.
Natália
Bonavides: o maior erro quantitativo da projeção
A projeção estimava: 91.650 votos.
O resultado foi: 215.509 votos.
Diferença: +123.859 votos.
Esse foi o maior erro absoluto de toda a projeção.
Natália terminou como a deputada federal mais
votada do Rio Grande do Norte, com 10,95% dos votos válidos.
Portanto, houve um paradoxo interessante: a
projeção acertou o nome, mas errou fortemente sua dimensão eleitoral.
Esse resultado é importante para avaliar a
metodologia. Identificar a presença de um candidato nas pesquisas não significa
conseguir estimar corretamente a quantidade de votos que ele receberá.
Dr.
Bernardo e Thabatta
Também houve subestimação nos dois outros eleitos
da Brasil da Esperança.
Dr. Bernardo
- projeção:
85.119
- resultado:
130.835
- diferença:
+45.716
Thabatta Pimenta
- projeção:
54.206
- resultado:
92.743
- diferença:
+38.537
Apesar dos erros quantitativos, a posição relativa
foi bastante informativa:
Natália > Dr. Bernardo > Thabatta > Odon
foi exatamente a ordem final desses quatro nomes.
Essa é uma das evidências mais fortes de que a
projeção tinha capacidade para captar hierarquia relativa, ainda que não
captasse adequadamente a escala absoluta dos votos.
Odon
Júnior: o melhor acerto numérico
Odon é o melhor exemplo de aproximação quantitativa.
Projeção: 52.465 votos
Resultado: 51.402 votos
Diferença: -1.063 votos
Erro de aproximadamente 2%.
Nesse caso, a projeção chegou praticamente ao
resultado da urna.
O problema foi que a votação não foi suficiente
para conquistar uma das três cadeiras da federação.
União
Progressista: acertou os dois eleitos, mas não a ordem completa
A projeção apresentou:
- Benes
Leocádio;
- Robinson
Faria;
- João
Maia;
- Matheus
Faustino.
O resultado final foi:
- Benes
Leocádio: 171.396 - eleito;
- João
Maia: 123.040 - eleito;
- Robinson
Faria: 123.008 - suplente;
- Matheus
Faustino: 40.922 - suplente.
O resultado oficial é particularmente interessante
porque João Maia e Robinson Faria terminaram separados por apenas 32 votos.
Mas a diferença de apenas 32 votos não produziu
empate jurídico.
João Maia conquistou a segunda cadeira por média,
enquanto Robinson ficou como suplente.
Assim, a projeção:
- acertou
Benes como principal nome;
- identificou
corretamente João e Robinson como candidatos muito fortes;
- mas
não conseguiu determinar qual deles terminaria à frente;
- e,
sobretudo, não conseguiu prever que João seria o candidato eleito pela
média.
Esse é um exemplo clássico da dificuldade de
projetar o resultado de uma eleição proporcional.
Benes
Leocádio: forte acerto na posição, mas subestimação da votação
A projeção estimava: 96.874 votos.
O resultado foi: 171.396 votos.
Diferença: +74.522 votos.
Mesmo com a grande diferença quantitativa, a
projeção acertou sua posição dentro da nominata:
Benes seria o primeiro nome da União Progressista.
E efetivamente foi.
A grande
questão: por que Robinson, com 123.008 votos, não foi eleito?
Esse é um dos resultados que melhor demonstram a
importância do sistema proporcional.
Robinson Faria recebeu: 123.008 votos.
João Maia recebeu: 123.040 votos.
A diferença foi de apenas: 32 votos.
Mesmo assim:
- João
Maia foi eleito;
- Robinson
Faria ficou como suplente.
O motivo não está apenas na votação individual.
A distribuição das cadeiras depende da votação
total da federação e do cálculo das médias nas vagas restantes.
O TRE-RN classificou João Maia como eleito por
média e Robinson como suplente.
Esse caso demonstra por que uma projeção de
deputado federal não pode ser feita apenas ordenando candidatos por intenção de
voto.
O
problema metodológico da previsão de 4-2-2
A própria publicação original já havia identificado
essa limitação.
Ela projetava:
- PL:
4;
- Brasil
da Esperança: 2;
- União
Progressista: 2.
Mas advertia que os votos dos nomes listados não
eram suficientes para demonstrar essa distribuição e que ainda faltavam os
votos dos demais candidatos e os votos de legenda.
Essa ressalva foi importante - e o resultado
oficial confirmou a necessidade dela.
A distribuição real foi:
|
Nominata |
Projeção
inicial |
Resultado
oficial |
|
PL |
4 |
3 |
|
Brasil
da Esperança |
2 |
3 |
|
União
Progressista |
2 |
2 |
|
Total |
8 |
8 |
A projeção acertou a União Progressista e errou uma
cadeira para cada lado entre PL e Brasil da Esperança.
O
quociente eleitoral também ficou próximo
A projeção estimava: 1.945.459 votos válidos
e um QE de aproximadamente: 243.182 votos.
O resultado efetivo teve: 1.967.700 votos
válidos.
Dividindo por oito vagas: 1.967.700 ÷ 8 =
245.962,5 votos.
Portanto, o quociente efetivo ficou em
aproximadamente 245.963 votos, cerca de 2.781 votos acima da
estimativa.
A diferença foi de aproximadamente 1,14%.
Novamente, portanto: o modelo foi muito mais
preciso na estimativa do tamanho do universo eleitoral do que na estimativa da
votação de cada candidato.
A
participação de votos de legenda foi menor que a prevista
Esse é outro ponto importante.
A projeção trabalhava com aproximadamente: 80.015
votos de legenda.
O resultado oficial registrou: 60.822 votos de
legenda.
Diferença: -19.193 votos.
Em termos relativos, houve uma redução de
aproximadamente 24% em relação à estimativa.
Isso representa uma diferença importante porque os
votos de legenda entram no cálculo da votação da respectiva legenda/federação e
podem influenciar a distribuição das cadeiras.
O resultado oficial mostra que os votos de legenda
representaram apenas 3,09% dos votos válidos para deputado federal no
RN.
O que a
projeção acertou?
O balanço objetivo pode ser resumido em seis
pontos.
1) Acertou o comparecimento
Projeção: 2.176.951
Resultado: 2.167.714
Erro: 0,42%.
2) Aproximou-se bastante do
número de votos válidos
Projeção: 1.945.459
Resultado: 1.967.700
Erro: 1,14%.
3) Aproximou-se do quociente
eleitoral
Projeção: ≈243.182
Resultado: ≈245.963
Diferença: ≈1,14%.
4) Incluiu todos os oito eleitos
no universo dos 14 nomes analisados
Nenhum dos oito eleitos estava completamente ausente
da lista.
5) Identificou corretamente oito
candidatos que seriam eleitos
Dos 14 nomes projetados, oito terminaram eleitos.
6) Acertou a ordem interna de
três grupos importantes
- PL:
Nina > Sargento > General;
- Brasil
da Esperança: Natália > Dr. Bernardo > Thabatta > Odon;
- União
Progressista: Benes como principal nome.
Onde a
projeção errou?
Também existem limitações claras.
1) Subestimou fortemente os oito
eleitos
Com exceção de Odon, todos os nomes projetados que
se elegeram tiveram votação real superior à estimada.
2) Não estimou corretamente a
magnitude de Natália Bonavides
Foi o maior erro absoluto: +123.859 votos.
3) Subestimou fortemente Sargento
Gonçalves, General Girão e Benes
Os três tiveram mais de 70 mil votos acima da
estimativa.
4) Superestimou o número de
cadeiras do PL
Projetava quatro; o partido conquistou três.
5) Subestimou o número de
cadeiras da Brasil da Esperança
Projetava duas; a federação conquistou três.
6) Não conseguiu resolver a
disputa João Maia × Robinson
A diferença foi de apenas 32 votos, mas apenas João
Maia foi eleito.
O
resultado mais importante: a projeção foi melhor para nomes do que para
cadeiras
Esse talvez seja o principal ensinamento da
comparação.
A projeção não conseguiu demonstrar matematicamente
que PL, Brasil da Esperança e União Progressista conquistariam exatamente 4-2-2
cadeiras.
A própria publicação havia reconhecido essa
limitação.
E o resultado oficial confirmou a cautela
necessária.
O sistema proporcional exige considerar:
- votos
nominais;
- votos
de legenda;
- votação
total de cada partido ou federação;
- quociente
eleitoral;
- quociente
partidário;
- vagas
restantes;
- maiores
médias;
- desempenho
dos demais candidatos.
A totalização oficial mostra exatamente essa
dinâmica: seis das oito vagas foram obtidas por quociente partidário e duas por
média - João Maia e Thabatta Pimenta.
Uma
medida simples de desempenho
Se o critério for identificar os oito eleitos,
a projeção foi muito bem-sucedida:
8 de 8 eleitos estavam entre os nomes analisados.
Se o critério for identificar quais dos 14 nomes
seriam eleitos, foram:
8 acertos em 14 nomes - 57,1%.
Se o critério for estimar a votação individual,
o desempenho foi bastante inferior.
A projeção acertou excepcionalmente bem Odon
Júnior, aproximou-se de Cabo Deyvison e apresentou boa noção da hierarquia
interna de algumas nominatas, mas subestimou significativamente a votação de
praticamente todos os eleitos.
Portanto, há três níveis diferentes de avaliação:
|
Dimensão |
Avaliação |
|
Tamanho
do eleitorado |
Muito
boa |
|
Volume
de votos válidos |
Muito
boa |
|
Identificação
dos nomes competitivos |
Boa |
|
Ordem
relativa dentro das nominatas |
Boa em
vários casos |
|
Votação
nominal absoluta |
Irregular |
|
Número
de cadeiras por nominata |
Parcial |
|
Previsão
fechada de 4-2-2 |
Não
confirmada |
Abstenção
não explica os principais erros
É importante destacar que os grandes erros da
projeção não decorreram de uma participação eleitoral muito diferente daquela
utilizada no modelo.
A diferença foi de apenas: 9.237 comparecentes,
ou 0,42%.
Também não decorreu de uma diferença muito grande
no número total de votos válidos.
A diferença foi de aproximadamente 22 mil votos,
ou 1,14%.
Por isso, não seria metodologicamente correto
explicar a forte subestimação de Natália, Benes, Sargento Gonçalves ou General
Girão pela abstenção.
A explicação está principalmente na conversão
das intenções de voto pesquisadas em votação efetiva.
Em outras palavras: o tamanho do eleitorado foi
previsto corretamente; a distribuição interna dos votos é que se mostrou muito
diferente.
O que
essa eleição ensina para as próximas projeções?
A experiência sugere algumas melhorias
metodológicas para futuras projeções do Sertão Potiguar.
Primeiro- Não transformar diretamente o
percentual de uma pesquisa espontânea ou estimulada em votos sem considerar o
grau de decisão do eleitor.
Segundo- Estimar todos os candidatos
com potencial eleitoral, e não apenas os nomes que aparecem nas primeiras
posições das pesquisas.
Terceiro- Separar claramente: votação
nominal estimada de votação total da nominata.
Quarto- Estimar os votos de legenda de
maneira mais realista.
O modelo projetava cerca de 80 mil votos de
legenda, mas o resultado oficial ficou em 60.822.
Quinto- Executar uma simulação completa
do sistema proporcional.
Isso significa distribuir os votos entre todas as
nominatas e aplicar, sucessivamente:
quociente eleitoral → quociente partidário → distribuição
das sobras pelas maiores médias.
Sexto- Apresentar cenários em vez de uma
única previsão fechada.
Por exemplo:
- cenário
conservador;
- cenário
central;
- cenário
favorável;
- intervalo
de cadeiras possível.
Isso seria especialmente importante para candidaturas
próximas da fronteira eleitoral.
Conclusão
A comparação entre a projeção publicada pelo Sertão
Potiguar e o resultado oficial da eleição para deputado federal do Rio
Grande do Norte apresenta um resultado mais positivo do que poderia parecer à
primeira vista, mas também evidencia limites claros.
A projeção não acertou a votação individual dos
candidatos, principalmente porque subestimou fortemente a votação de
diversos nomes.
Natália Bonavides recebeu 215.509 votos,
contra 91.650 estimados.
Sargento Gonçalves recebeu 154.073, contra
76.411.
General Girão recebeu 133.258, contra
61.390.
Benes Leocádio recebeu 171.396, contra
96.874.
Esses números demonstram que a escala da votação
real foi muito maior do que a captada pelo modelo.
Por outro lado, a projeção apresentou acertos
importantes.
Todos os oito deputados federais eleitos estavam
entre os candidatos analisados na projeção. Além disso, oito dos 14 nomes
apresentados efetivamente foram eleitos.
A projeção também captou corretamente a hierarquia
interna de importantes nominatas e chegou muito perto da votação de Odon
Júnior, que recebeu apenas 1.063 votos a menos que o estimado.
O resultado também confirmou a necessidade da
cautela expressa na própria publicação original quanto à previsão de cadeiras.
A estimativa inicial de 4 cadeiras para o PL, 2
para a Brasil da Esperança e 2 para a União Progressista não se confirmou.
O resultado foi:
PL - 3
cadeiras
Brasil da Esperança - 3 cadeiras
União Progressista - 2 cadeiras
O caso de João Maia e Robinson Faria é
especialmente ilustrativo. Os dois terminaram praticamente empatados: 123.040
contra 123.008 votos, uma diferença de apenas 32 votos. Mesmo assim,
João Maia conquistou a segunda cadeira da União Progressista por média,
enquanto Robinson ficou como suplente.
O resultado geral permite, portanto, uma conclusão
equilibrada: A projeção foi muito mais eficiente para identificar o universo de
candidatos competitivos e o tamanho geral da eleição do que para prever a
votação nominal exata e a distribuição final das oito cadeiras.
O comparecimento projetado ficou apenas 0,42%
acima do efetivo; os votos válidos projetados ficaram 1,14% abaixo do
resultado; e o quociente eleitoral estimado ficou muito próximo do efetivamente
necessário.
A maior dificuldade esteve na transformação das
intenções registradas nas pesquisas em votos efetivamente depositados nas
urnas.
Isso não invalida a projeção. Ao contrário, permite
identificar com maior precisão onde ela funcionou e onde precisa ser
aprimorada.
Para futuras eleições proporcionais, o principal
avanço metodológico seria abandonar previsões fechadas baseadas apenas nos
candidatos mais citados e construir uma simulação que inclua todos os
candidatos relevantes, votos de legenda, votação total das nominatas e
distribuição das vagas pelas maiores médias.
É justamente nessa passagem - da pesquisa para
os votos e dos votos para as cadeiras - que se encontra a maior dificuldade
de projetar uma eleição proporcional.
Resultado final da comparação
Projeção: boa para dimensionar a eleição e
identificar nomes competitivos.
Projeção: razoável para estabelecer a hierarquia
entre candidatos.
Projeção: limitada para estimar a votação nominal
exata.
Projeção: insuficiente para sustentar,
isoladamente, uma previsão fechada de 4-2-2 cadeiras.
Resultado mais expressivo: os oito eleitos estavam
entre os nomes analisados.
Principal lição: em eleições proporcionais, acertar
os nomes é muito mais fácil do que acertar as cadeiras – e acertar o volume
global de votos não significa acertar sua distribuição individual.