O PMDB do Senado rebelou-se contra a estratégia da presidente Dilma Rousseff de transformar o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em sucessor do presidente da casa, José Sarney (PMDB-AP). O paraibano Vital do Rêgo (PMDB) ameaça concorrer ao posto com Lobão, caso ele embarque na onda de Dilma. A disputa bastaria para inviabilizar a candidatura do ministro. E olha que Vital do Rêgo é da turma do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), recém-escolhido por Dilma.
Felipe Patury
Os dois grampos do senador
Vamos combinar que o senador Demóstenes Torres (DEM), de Goiás, não deve ser uma conversa boa ao telefone.
Demóstenes foi o interlocutor de Gilmar Mendes, ministro do Supremo, naquele célebre grampo que se transformou num dos grandes escândalos do governo Lula – até que, no finzinho de 2010, quando ninguém prestava atenção nos jornais, a Polícia Federal divulgou o resultado de um inquérito dizendo textualmente que não encontrara um fiapo de prova sequer sobre a realização do grampo.
Ninguém pediu desculpas nem maiores esclarecimentos, embora a confusão tenha produzido a queda de Paulo Lacerda, o diretor geral da ABIN. Numa reação que parecia o prenúncio de uma crise institucional, no auge da denúncia Gilmar Mendes prometeu chamar o presidente Lula “às falas.”
A novidade está nos grampos que reproduzem diálogos entre Demóstenes e o bicheiro Carlinho Cachoeira.
Com a tranquilidade de quem conversa com um celular vendido em Miami com a garantia de que era à prova de escutas, os diálogos acabaram complicando a situação do senador. Demóstenes é ouvido quando pede para Cachoeira “pagar uma despesa com taxi-aéreo no valor de R$ 3.000.” Também é ouvido transmitindo informações de caráter confidencial sobre reuniões no governo, no Congresso e mesmo no Judiciário.
Considerando o acesso do senador à cúpula dos poderes, pode-se imaginar que eram informações bem valiosas, não é mesmo?
Carlinhos Cachoeira é um personagem eclético das finanças políticas do país. Não custa lembrar que foi gravado quando negociava propinas com Valdomiro Diniz, ligado ao esquema financeiro do PT. Também tem ligações com tucanos e políticos do DEM e do PP.
Não sou moralista e não acho que episódios dessa natureza digam respeito ao caráter das pessoas. (Só acho que os falsos moralistas, que denunciam nos outros aquilo que fazem, deveriam deixar os eleitores mais atentos). O problema não é o bicheiro. É o sistema que está bichado.
A circulação de dinheiro clandestino na política brasileira é uma consequência de um sistema de finanças destinado a alugar os poderes públicos e transformar os políticos em servidores do poder econômico. Pode ser um empresário com todos os papéis em ordem, ou um bicheiro. Enquanto não se mudar esse sistema, teremos episódios desse tipo. O próprio sistema gera suas leis e suas regras de competição.
Não custa aguardar, porém, pelo desfecho deste caso. Há duas semanas os dados sobre Demóstenes foram enviados à Procuradoria Geral da República que ainda não decidiu abrir inquérito. É estranho, quando se recorda da rapidez com que outros casos foram apurados. O grampo falso de Demóstenes com Gilmar Mendes produziu uma crise política, abriu demissões na cúpula do Estado e colocou o governo Lula numa posição defensiva até que tudo fosse esclarecido.
O grampo verdadeiro ainda não levou a nada. Curioso, não?
Paulo Moreira Leite
Fátima diz que Demóstenes “está na lama” e cobra posição de José Agripino
O Jornal de Hoje ainda destaca que a deputada federal Fátima Bezerra (PT) acredita que o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), “está envolvido até o pescoço” com o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, depois que gravações da Polícia Federal mostraram o senador do DEM pedindo R$ 3 mil ao bicheiro para pagar um táxi aéreo.
A deputada assinou o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar a relação do empresário do jogo do bicho e defendeu uma investigação “a fundo”.
Para Fátima, também está na hora do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, se posicionar em relação ao caso.
“O interessante é que o senador Demóstenes Torres, até recentemente tido como o arauto da moralidade, quando se tratava de criticar o governo, nesse episódio as denúncias apontam seu envolvimento na lama, até o pescoço”, disse Fátima Bezerra, defendendo o caminho da investigação.
Blog de Robson Pires
A deputada Fátima está fazendo sua parte, mas... Uma investigação a fundo... Será?
Tenho dúvidas se a CPI será mesmo instalada, pois nunca se sabe o que o “Cachoeira” ou outro qualquer dirá quando for convidado (ou convocado) a falar.
Como informa o Moreira Leite, a marca de Carlos Cachoeira é o ‘amplo’ campo de atuação política. É o mesmo que pagou a propina de R$ 3.000,00 a Valdomiro Diniz (pivô do esquema do Mensalão).
Será mesmo que a ‘Base’ vai trazer estes personagens, principalmente “Cachoeira”, para o centro das atenções?
É bom lembrar que o STF está prestes a julgar o caso do Mensalão...
Para relembrar:
Waldomiro Diniz é condenado a 15 anos de prisão por corrupção
Em 2004, imagens mostraram o ex-assessor da Casa Civil cobrando propina de Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.
A Justiça condenou o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz a 15 anos de prisão por corrupção passiva e crime contra a lei de licitações. Ele foi assessor do então ministro José Dirceu.
Waldomiro Diniz aparece em imagens divulgadas em 2004, supostamente cobrando propina de Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Waldomiro Diniz era presidente da Loteria do estado do Rio e Carlinhos Cachoeira representava o consórcio que prestava serviço à Loterj. Segundo o Ministério Público, a negociação envolvia doações ilícitas a campanhas políticas.
Carlinhos Cachoeira foi condenado a 10 anos e meio de prisão por corrupção ativa e preso, nesta quarta-feira (29), em uma operação contra a máfia dos caça-níqueis em Goiás. Waldomiro Diniz pode recorrer em liberdade.

Jornal Nacional - edição do dia 01/03/2012
Demóstenes está na mira, mas... Como reagirá? Carlos Cachoeira está preso (muito para falar, negociar e pouco a perder?) e se for realmente amigo do senador, o que dirá?
Façam suas apostas sobre o futuro da CPI... Eu não aposto um fósforo riscado.
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