corrupção no futebol: os cartolas detidos podem cumprir pena de até 20 anos de prisão nos EUA

A procuradora-geral dos Estados Unidos Loretta Lynch, responsável por comandar as investigações que prenderam sete dirigentes do futebol mundial, nesta quarta-feira, em Zurique, disse que o próximo passo do processo é a extradição dos envolvidos. Acusados de corrupção e desvio de verbas na ordem de 150 milhões de dólares (cerca de 470 milhões de reais), os cartolas detidos podem cumprir pena de até 20 anos de prisão.

O procurador Kelly Currie, de Nova York, indicou que o processo de extradição é apenas o começo das investigações sobre o escândalo de corrupção na Fifa. "Quero ser claro que hoje é só o começo dos nossos esforços. Queremos continuar com a colaboração de todos que estiverem dispostos a trabalhar conosco em esforços contínuos para tirar o futebol desse esquema."

As denúncias divulgadas, que incluem 14 envolvidos, sendo nove dirigentes e cinco empresários, foram executadas em ação conjunta do FBI e da polícia suíça nesta quarta. "Agradecemos às autoridades que fizeram as detenções. O próximo passo é que os réus cheguem aos Estados Unidos, e vamos pedir às autoridades suíças a transferência de custódia.

De acordo com as investigações, as acusações de desvio de verbas se estendem há mais de duas décadas. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que os réus, e inclusive a própria Fifa, estão envolvidos em irregularidades na venda de direitos comerciais de torneios, de contratos de empresas de marketing esportivo e de transmissão televisiva.

A acusação também alega que houve corrupção e subornos na eleição do presidente da Fifa, Joseph Blatter, em 2011, e nos acordos relativos ao patrocínio da Nike com a seleção brasileira.

Além disso, segundo a investigação, a Copa América Centenário, que será realizada pela primeira vez nos Estados Unidos em 2016, "foi usada como veículo em uma conspiração mais ampla para encher os bolsos dos dirigentes com subornos de um total de 110 milhões de dólares", que representam quase um terço dos custos legítimos dos direitos envolvidos nos torneios. 

"Em resumo, estes indivíduos e organizações incorreram em subornos para decidir quem televisionaria as partidas, onde elam seriam realizadas e quem controlaria a organização que supervisiona o futebol no mundo", acrescentou Lynch.

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia da Suíça em uma operação surpresa na madrugada desta quarta-feira, em Zurique. As detenções aconteceram a pedido das autoridades americanas, que investigam os cartolas por envolvimento em um esquema de suborno que já duraria mais de duas décadas. 

As acusações foram detalhadas em um documento (leia aqui em inglês) divulgado pelo Departamento de Justiça americano. Os dirigentes devem ser extraditados para os Estados Unidos. O presidente da entidade e candidato à reeleição, o suíço Joseph Blatter, não está entre os suspeitos e, segundo a Fifa, o pleito desta sexta-feira está mantido.

Os outros seis dirigentes detidos na Suíça foram Jeffrey Webb (presidente da Concacaf), Eduardo Li (presidente da Federação Costarriquenha), Julio Rocha (presidente da federação da Nicarágua), Costas Takkas (ex-secretário geral da federação das Ilhas Cayman), Rafael Esquivel (presidente da federação venezuelana) e Eugenio Figueiredo (ex-presidente da Conmebol).

As prisões aconteceram no luxuoso hotel cinco estrelas Baur au Lac, onde os cartolas estavam reunidos para a eleição da Fifa, marcada para esta sexta. Os agentes responsáveis pela operação chegaram ao local durante a madrugada, vestidos com trajes civis. Após apresentarem as ordens judiciais, os policiais receberam as chaves dos quartos e conduziram as detenções. Os cartolas são acusados de fraude, lavagem de dinheiro e uma série de crimes financeiros.

O empresário brasileiro J. Hawilla, dono da agência de marketing esportivo Traffic, também foi citado na investigação. Acusado de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, Hawilla fez um acordo com a Justiça americana, admitiu sua culpa e aceitou devolver mais de 151 milhões de dólares (cerca de 473 milhões de reais).

A operação teve como alvo principalmente dirigentes da América Latina. A Justiça americana indicou que parte das propinas investigadas se referiam à organização da Copa do Brasil, Taça Libertadores da América e Copa América. Além de corrupção, Marin é acusado de "conspiração". O Ministério Público da Suíça também realizou uma operação nesta manhã, confiscando na sede da Fifa documentos e computadores sob a suspeita de que cartolas receberam propinas para votar nas sedes das Copas de 2018 e de 2022. 

O MP suíço confirmou que abriu uma investigação penal contra os dirigentes. A sede da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), em Miami, também foi alvo de buscas.

Copa do Mundo - Os dirigentes são acusados de envolvimento em um esquema de corrupção através do qual "delegados da Fifa e outros de organizações dependentes receberam propinas e comissões - de representantes de meios de comunicação e de empresas de marketing esportivo - que somam mais de 100 milhões de dólares", segundo o Ministério suíço. Em troca, os agentes corruptores "recebiam direitos midiáticos, de publicidade e patrocínio em torneios de futebol na América Latina".

"A acusação alega que a corrupção é desenfreada, sistêmica, e que está enraizada tanto no exterior quanto nos Estados Unidos", disse procuradora-geral da Justiça americana Loretta Lynch. A nota oficial da entidade americana informa que o empresário brasileiro J Hawilla, dono e fundador da Traffic, agência detentora de direitos de transmissão e parceira da CBF, está diretamente envolvido no caso de suborno.

Veja.com

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