rn: casa do estudante na escuridão... Cadê as comissões de direitos humanos?

Em plena semana de provas, as casas do estudante (feminina e masculina) de Natal tiveram sua energia cortada. No prédio onde ficam os meninos, o corte aconteceu na segunda-feira por volta do meio-dia. Na casa feminina, o desligamento da energia aconteceu próximo das 14h30 da terça-feira. No final da tarde de ontem, a Cosern religou a energia dos dois prédios. 

O Gabinete Civil, que paga as contas de água e energia de ambos, acionou a Cosern. Ainda segundo o órgão estadual, serão tomadas as providências para regularizar as contas em atraso. As dificuldades pelas quais passam os estudantes dessas entidades são quase tão antigas quanto o prédio da casa masculina, datada do século 19. Vão desde alimentação, passam pela insegurança e estrutura física. 


A Casa do Estudante do Rio Grande do Norte (Cern) é uma entidade privada sem fins lucrativos e reúne casas espalhadas   pelo Estado: Caicó (unissex); Mossoró e Natal. Há três meses a casa localizada no município de Jucurutu fechou. 

Quem conhece essa realidade há pelo menos sete anos é Aline Fidelis. A jovem veio para Natal com 14 anos de idade cursar o ensino médio. Morou por alguns meses na casa de uma prima, mas depois foi para a Casa da Estudante de Natal. “Estudei na escola Ferreira Itajubá, em Neópolis, e estagiava no TRE. Diante desse estágio, resolvi fazer o curso de Direito. Consegui o FIES [Financiamento Estudantil] e estou no 5º período do curso”, contou a universitária, agora com 21 anos.

Filha de agricultores do município de Alexandria (distante 380 quilômetros de Natal), ela recebe do pai uma ajuda de R$ 180 mensais. Mas só de passagens de ônibus, Aline gasta R$ 60 por mês. “Nós estamos passando uma dificuldade aqui. E eles estão passando dificuldade lá. A gente mora aqui não é para luxar não, é por real necessidade”, disse, lembrando do período de anos de seca consecutivos que atinge seus pais. 

“Agora é semana de prova em todas as faculdades. E aí? Que direito a gente tem aqui. Cadê a assistência social do Estado?”, questionou-se durante a tarde de ontem em frente a Assembleia Legislativa. Um grupo de moradoras da Casa da Estudante foi até a sede do Poder Legislativo Estadual para pedir alguma ajuda aos parlamentares, mas não conseguiram. 

“A gente enfrenta essa dificuldade há muito tempo. Sempre inventaram desculpas, mas agora chegaram a um ponto crítico. Primeiro era problema de estrutura, depois de alimentação. Agora o corte de luz. Em todos os momentos de dificuldade, você pensa logo em ir embora”, desabafou.

Na casa feminina são cerca de 50 meninas em 15 quartos. Na casa masculina, são cerca de 90 meninos em 30 quartos, pois 20 cômodos estão interditados. “Alguns estão  com teto quase desabando e outras com muita infiltração que corre o risco de cair”, disse Washington Luiz de Oliveira, estudante de curso técnico de nível médio, morador do prédio direcionado para homens. Ainda segundo ele, a Defesa Civil interditou o salão de estudos e o porão. 

A alimentação das casas foi cortada no final de novembro do ano passado. Desde fevereiro deste ano, quando os estoques acabaram, as duas casas partilham doações de diversas entidades: Grêmio estudantil do IFRN, Tribunal de Justiça do RN e OAB/RN.  

Para o governo continuar a manter os auxílios financeiros e de alimentos é preciso que a Cern regularize sua situação fiscal, adquira título de entidade de utilidade pública dentre outros quesitos. Essas condições estão estabelecidas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que ainda não foi assinado entre as partes: governo do Estado, representante dos estudantes e Ministério Público.

Números


90 homens residem na Casa do Estudante, ocupando 30 quartos que ainda estão em condições de alojamento

50 meninas vivem em 15 quartos  da Casa da Estudante, onde a infraestrutura também é muito precária 

20 cômodos estão interditados na estrutura da Casa do Estudante, no bairro da Cidade Alta

O prédio que abriga a  Casa do Estudante data do século 19

TN


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Morei na "Casa", como tantos outros potiguares, e senti na pele as enormes dificuldades. O poder público sempre negligenciou o espaço.

Agora, os estudantes se deparam com o apagão... e desde sempre, com a precariedade da estrutura, insuficiência de alimentação...

Cadê as comissões de direitos humanos?

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