quarta-feira, 8 de julho de 2015

a crise econômica

Os fatos:

A taxa de juros na estratosfera...

A taxa de juros média dos empréstimos para os consumidores atingiu 123,71% ao ano em junho. É a maior taxa registrada desde novembro de 2009, segundo pesquisa feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

E a inflação continua subindo:

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o primeiro semestre deste ano com uma taxa de 6,17%, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. 
Este é o maior porcentual verificado no período desde 2003, quando chegou a 6,64%. O resultado também é quase o dobro do registrado no primeiro semestre de 2014, quando atingiu 3,75%.
Segundo o instituto, a inflação já chega próxima da casa dos 9% no acumulado dos doze últimos meses, com taxa de 8,89%. Trata-se do maior nível verificado para esta base de comparação desde dezembro de 2003, quando chegou a 9,3%.

PIB

Até o governo já admite que o PIB deve cair 1,2% neste ano, o que seria a maior contração econômica vivida pelo país desde 1990, quando o governo Collor confiscou a poupança de milhares de pessoas desatando uma onda de demissões e falência de empresas.
Pixel tag


Produção em queda livre

A produção de veículos no Brasil caiu 18,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014, informa a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, 1,27 milhões de carros de passeio, utilitário leves, caminhões e ônibus, saíram da linha de montagem entre janeiro e junho deste ano, ante 1,56 milhões de unidades no ano passado. Trata-se do pior primeiro semestre observado pela associação dos últimos nove anos.
Em junho, a produção de veículos recuou 14,8% em comparação com o mesmo mês de 2014. No total, 184.000 unidades foram fabricadas no período, sendo o pior resultado para os meses de junho em onze anos. Somente na categoria de caminhões, a produção caiu 35,5% em junho sobre junho de 2014, acumulando no semestre tombo de 45,2%. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, destacou ainda que a fabricação de caminhões no mês só não foi menor que a de junho de 1999. "A confiança dos consumidores está bastante abalada", disse Moan.

Confiança despencando

A confiança dos empresários brasileiros desabou no segundo trimestre, puxada principalmente pelo pessimismo com a situação atual da economia e dos negócios, e indica um Produto Interno Bruto (PIB) ainda mais debilitado no período. As avaliações de que a demanda está fraca e o ambiente é ruim fizeram com que o Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuasse 9,4% na média de abril a junho em relação ao primeiro trimestre, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Desemprego aumentando

Em todo o comércio varejista, os desligamentos superaram as admissões em 154,6 mil no acumulado deste ano até maio, de acordo com o Caged. Apenas em maio, o saldo negativo foi de 14,6 mil, pior resultado para o setor desde o início da série histórica em 1992.

Dados da Pesquisa Mensal de Empregos (PME), do IBGE, mostram que a taxa geral de desemprego em seis regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) foi de 6,4% em abril. Entre os jovens, essa taxa foi duas vezes e meia maior, e ultrapassou os 16%. De 2002 a 2014, a taxa de desemprego entre jovens com até 24 anos caiu 11,2 pontos porcentuais, de 23,2% para 12%. Neste ano, essa taxa chegou a 16,2% em abril. "Demorou 12 anos para a taxa cair 11 pontos e em único ano já foram devolvidos mais de 4 pontos", diz o pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Eduardo Zylberstajn.

Flexibilização para tentar diminuir demissões

Com o objetivo de evitar demissões dos trabalhadores por empresas em dificuldades financeiras, em especial a indústria, o governo federal criou, por meio de medida provisória (MP), o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que vai permitir a redução temporária da jornada de trabalho e de salário em até 30%.

Mais aperto para os desempregados

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou na tarde desta quinta-feira o calendário proposto pelo governo para o pagamento do abono salarial. O cronograma empurra para 2016 parte dos desembolsos previstos para este ano. A previsão inicial era que todos os benefícios fossem pagos até outubro de 2015.O pagamento diluído faz parte do pacote de ajuste fiscal apresentado pela equipe econômica ainda no final do ano passado. Com isso, cerca de 9 bilhões de reais que seriam pagos neste ano ficaram para 2016. O abono, que equivale a um salário mínimo anual, é um beneficio a que milhões de trabalhadores têm direito. 

Rombo no setor elétrico e aumento do preço da energia

Embora já tenha arcado com aumento extra na conta de luz de 3,9 bilhões de reais só de janeiro a abril com as bandeiras tarifárias, o consumidor deve acabar pagando por mais um rombo neste ano.
De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo, o sistema de bandeiras tarifárias, que eleva mensalmente as contas, não foi suficiente para cobrir os gastos extras das distribuidoras com o uso das térmicas e com a compra extra de energia.
De janeiro a abril, as despesas somaram 5,5 bilhões de reais. A diferença, de 1,6 bilhão de reais, vem sendo absorvida pelo caixa das distribuidoras.

Combustíveis mais caros e mais tributos

O reajuste de preços mais recente aconteceu em novembro do ano passado, de 3% para a gasolina e 5% para o diesel nas refinarias. Neste ano, houve novo aumento para o consumidor, mas em razão da volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis).

Poupança ladeira abaixo
A quantia de saques da poupança superou a de depósitos em junho em 6,26 bilhões reais, informou o Banco Central. Na primeira metade de 2015, o total resgatado dessa aplicação foi de 38,54 bilhões de reais. Nos dois casos, são os maiores volumes dos últimos vinte anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em janeiro de 1995.

Desajustes das contas públicas
O setor público brasileiro teve déficit primário de 6,9 bilhões de reais em maio, o pior resultado do ano, divulgou o Banco Central (BC), acumulando em 12 meses déficit primário equivalente a 0,68% do Produto Interno Bruto (PIB). As contas do setor público reúnem Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras. O desempenho ruim reflete os desafios na busca pelo reequilíbrio fiscal num momento de debilidade na economia e na arrecadação.
-------------------------------------------------------------------------------
O cenário é crítico: juros altos, taxa de inflação se aproximando de dois dígitos, produção em queda, desemprego crescente. O declínio econômico é evidente e pode ser bem maior do que se espera.

Nenhum comentário:

Postar um comentário