Polícia Federal juntamente com a Controladoria Geral da União e a Receita Federal deflagrou na
manhã de ontem (9) a Operação denominada "Lama Asfáltica", para dar continuidade às
investigações de duas empreiteiras - a Proteco Construtora Ltda. e a LD Construções -, suspeitas de
superfaturar obras públicas e desviar dinheiro para custear os empreendimentos do governo do
Estado e da Prefeitura de Campo Grande.
Foram cumpridos 19 mandados de busca e
apreendidos R$ 738 mil em dinheiro nos locais "visitados". Além disso, quatro servidores públicos da
Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), todos relacionados a desvios de
verba, foram afastados dos cargos.
Segundo as informações prestadas pelo delegado regional de
combate ao crime da Polícia Federal, Antonio Knoll, a suspeita é que R$ 11 milhões, de um
montante fiscalizado de R$ 45 milhões, saíram dos cofres públicos, mas não foram destinados aos
projetos.
A organização criminosa atua no ramo de pavimentação de rodovias, construção de vias
públicas, coleta de lixo e limpeza urbana, entre outros.
O dono da Proteco, João Alberto Kampre Amorim, irmão da deputada estadual Antonieta Amorim
(PMDB), é um dos principais alvos da investigação.
Durante toda a manhã, membros da operação
estiveram na casa dele, de Edson Giroto, que é ex-deputado federal e que foi secretário de obras
do Estado e da Capital. Os responsáveis pela operação afirmaram que não houve a necessidade
de pedido de prisão de nenhum dos envolvidos.
Construções do aterro sanitário e da MS-430 são
investigadas Agentes da PF, funcionários da Receita Federal e da CGU foram também à sede da
Proteco, que dentre outras obras públicas, é responsável pelas ações tapa-buraco da prefeitura.
Mandado de busca também foi cumprido na sede da Agesul (Agência Estadual de Gestão de
Empreendimentos).
"Foram dois inquéritos policiais, um de 2012 que apura irregularidades no aterro sanitário de
Campo Grande, irregularidades constatadas já por perícia com relação a alteração de aplicação
de medida irregular da manta (a LD Construções e a Financial Ambiental são responsáveis pela
obra), e o outro inquérito onde foram constatadas irregularidades na licitação e execução de
obra de pavimentação da rodovia MS-430 (a Proteco executou)", explicou Knoll durante entrevista
coletiva, na tarde de ontem na sede da PF.
As investigações foram iniciadas em 2012 e segundo
ele foram apurados indícios de diversos crimes que serão individualizados a partir da análise dos
documentos apreendidos durante as buscas.
"Há indícios de cometimento de corrupção ativa,
passiva, organização criminosa, fraude em licitações, ilícitos fiscais, crime de peculato e uma série
de crimes que estão sendo investigados", completou Knoll. Formação de quadrilha, sonegação
fiscal, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fraudes em licitação, também são crimes que
fazem parte da apuração.
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