É só filho de senador que pode ficar traumatizado com prisão de pais?

Itamar Garcez*
Os senadores do PT protestaram contra a decisão da Justiça Federal de São Paulo que autorizou a busca e apreensão no apartamento onde mora o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), em Brasília, na última quinta (23). Ele foi preso, de acordo com o ministério público, suspeito “de movimentar R$ 7 milhões num esquema de propina”, o que ele nega.
Para esses parlamentares, a residência oficial da senadora Gleisi Hoffmann (PT), casada com o ex-ministro, foi “invadida, na presença de seus filhos menores, pela Polícia Federal (PF), sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal [STF]“. O protesto teve o apoio de colegas do PSDB e do PMDB, receosos talvez de serem alvos futuros da polícia.
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Câmara Alta, decidiu reclamar formalmente ao STF do juiz Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Criminal Federal (SP), que autorizou a ação da PF. Com isso Renan quer anular eventuais provas colhidas e firmar jurisprudência em favor dos senadores.
Aloysio Nunes Ferreira (SP), tucano e líder do governo no Senado, discorda. Para ele, não houve violação legal, pois “a imunidade é da senadora” e não se estende ao marido. Mesma opinião do procurador Rodrigo De Grandis. O Supremo vai arbitrar.
Marca indelével
O constrangimento de ser preso na frente dos filhos menores é indelével. Marca os pais e marca os filhos – provavelmente mais os últimos. Quem ouviu relatos de vítimas de ação da polícia não tem dúvida disso.
Isso vale para um senador, mas também para todos os incontáveis anônimos país adentro alvos de ações semelhantes. Dessa forma, os senadores defendem um privilégio. Pode ser legal, mas um privilégio.
Durante 13 anos o PT governou o país. Neste período, as polícias prosseguiram atuando como outrora. Preso, o indigitado é logo exposto à execração, como se condenado já fosse. Fotos e vídeos de operações policiais espraiam-se com a velocidade da banda larga brasileira.
Pobres e negros sabem há muito o que isso significa. Suspeitos, sempre foram ofertados à malta midiática para expiação prévia. Às vezes, sem que sequer haja uma denúncia formal.
Nesses casos, filhos da elite senatorial sofrem como os de pobres e negros. No entanto, após treze anos mandando no país, o PT não alterou esse quadro que continua idêntico ao do século passado.
Ou bem o partido defende que todos têm direitos iguais, incluída aí a patuleia, ou sustenta que a elite tem regalias. Elite que, na prática, amalgamou-se com os próceres da sigla. De tal maneira que foram juntos para os cárceres de Curitiba.
* Itamar Garcez é jornalista e consultor político.
CONGRESSO EM FOCO

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