HENRIQUE ALVES: Vem pra Caixa você também... Vem!

Na manhã de sexta-feira (01-07-16), integrantes da alta cúpula do PMDB no Congresso acordaram de cabelo em pé com a nova fase da operação Lava-Jato. Por volta das 6h, delegados e agentes da Polícia Federal bateram à porta da casa de dois supostos operadores do partido: o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, ligado ao presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e preso preventivamente, e o lobista Milton Lyra, amigo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Tanto um como outro já estavam na mira dos investigadores. 

A suspeita principal é que eles operavam um esquema de pagamentos de propinas para parlamentares do PMDB em troca da liberação de dinheiro público para diversas empresas.

De acordo com documentos obtidos por VEJA, Eduardo Cunha e o ex-ministro e deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República num inquérito sigiloso. Os dois peemedebistas foram acusados de terem participação "na implantação e no funcionamento do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Caixa Econômica Federal", entre 2011 e 2015

A fraude, segundo os investigadores, consistia na cobrança de propinas de empresários para a liberação de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa.

Além de Cunha e Henrique Alves, também foram denunciados como integrantes do esquema o doleiro Lúcio Funaro, o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto e seu sócio Alexandre Margotto. 

Em sua delação premiada, Cleto admitiu que foi cooptado por Funaro e Cunha, com o aval de Henrique Alves, para atuar com a missão de direcionar os repasses de recursos do FI-FGTS para empresas escolhidas por Cunha. Estima-se que ao menos 6 bilhões de reais em projetos foram destravados mediante pagamentos de propinas. 

Um deles foi a aquisição pelo FI-FGTS de títulos de dívida no valor de cerca de 1 bilhão de reais emitidos pela fabricante de papel e celulose Eldorado, controlada pela holding J&F, dono do frigorífico JBS. Com a operação, tanto Cunha como Funaro e Cleto teriam embolsado dinheiro sujo.

Nova investigação - A dupla Eduardo Cunha e Henrique Alves, ao lado do empreiteiro Léo Pinheiro, sócio da OAS, também é investigada por suspeitas de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. "Advieram graves e consistentes indícios de que Eduardo Cunha prestava diversos serviços ilícitos em prol de empreiteiras, atuando como verdadeiro longa manus e defensor dos interesses empresariais", diz o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, em seu pedido de instauração de um novo inquérito. 

Segundo os investigadores, Cunha e Léo Pinheiro "estabeleceram relação de simbiose, isto é, verdadeira 'troca' de benefícios, em que um atendia aos interesses do outro, mediante retribuição financeira".

Um exemplo da relação de negócio entre o parlamentar e o empreiteiro é a rolagem da dívida pública de São Paulo, a pedido de Léo Pinheiro. "Referida 'rolagem' ocorreria em favor do Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tema que foi tratado no Projeto de Lei Complementar 238/2013, de relatoria de Eduardo Cunha", diz Janot. 

Em contrapartida, Cunha recebeu "doações de campanha" da OAS em diferentes ocasiões. O Procurador-Geral da República ainda sustenta que o presidente afastado da Câmara "também atuou em favor de empreiteiras em relação à concessão dos aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG), especialmente para intermediar contatos com o então Ministro da Aviação Civil Moreira Franco".

VEJA
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A penúltima notícia sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, com foco no direcionamento de recursos do FI-FGTS sob gestão da Caixa Econômica Federal, sugere que Henrique Alves (PMDB-RN), em parceria com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estaria envolvido até o talo num esquema de corrupção.

Creio que os potiguares assistem ao ocaso do Bacurau-Mor e nem o mais ferrenho adversário imaginaria que o herdeiro de Aluízio Alves terminaria sua carreira política rezando para não ser preso, pois é exatamente esse desfecho que a cada dia se torna mais evidente.

Henrique Alves tem a seu favor a presunção de inocência, mas ninguém com o mínimo de senso lógico desconsidera que o maior risco no atual momento histórico brasileiro é ser apontado como parceiro de Cunha em qualquer coisa.


No longo prazo todos iremos para a 'caixa', mas Alves, considerando o noticiário, escavou um profundo buraco para enterrar sua carreira política, junto com a biografia.

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