A partir do século XIX, na Europa, a palavra "filisteu" passou a designar pessoas de comportamento acovardado, que têm ojeriza por questões políticas maiores, não valorizam a arte, a beleza ou o conteúdo intelectual e satisfazem-se com o cotidiano da vida privada pacata e confortável. O filisteu não seria adepto de ideais, mas apenas de propostas práticas passíveis de serem contabilizadas em melhorias para sua vida privada imediata. (Wikipédia)
Infelizmente, a política nossa de cada dia está infestada de filisteus e a ambição que os movem (interesse pessoais) solapa quaisquer perspectivas de se considerarem preferencialmente os interesses da sociedade.
O pragmatismo prepondera, mas apenas para levar adiante os ‘projetos’ que surtam efeitos concretos para os bolsos de alguns, para preservação do poder e status quo que outros se apegam com afinco sobre-humano...
Os filisteus não toleram quem pensa, detestam a liberdade que a sociedade conquistou ao custo de vidas e muito sofrimento... que interessa a liberdade? Se ela é usada para criticar, questionar, expor os ‘segredinhos inconfessáveis’, então, não serve. Eis o pragmatismo filisteu em estado puro.
De um lado filisteus pragmáticos e cientes de que os ‘fins’ justificam os ‘meios’... embora os ‘fins’ reais sejam pessoais e os ‘meios’... ah! Os ‘meios’ não sejam os mais republicanos...
De outro, os ‘sonhadores’, ‘idealistas’, que acreditam ser possível fazer diferente... Para os filisteus, ‘esse tipo de gente’ é perigosa e lutam ferozmente para que não sejam ouvidos.
É claro que a ‘fauna política’ não é representada pela simples existência dicotômica entre filisteus e idealistas, tem-se uma gama enorme de tipos, mas consideramos subdivisões sucessivas dos grupos principais...
Recentemente deparei-me com um espécime interessante: o ‘filisteu benquerente’. Tentarei explicar. A ‘criatura’ se considera injustiçada, pois tem certeza que quer mais bem ao líder do grupo ao qual pertence que qualquer outro ser vivente. Não percebe, dado seu pragmatismo, que a benquerença recente não é a pessoa (líder político), mas ao poder que o líder dispõe e do qual a ‘criatura’ não consegue mais se afastar.
Uma analogia talvez seja explicativa: no futebol existem as ‘marias-chuteiras’ que fazem qualquer coisa para se aproximarem de uma estrela futebolística, pois bem, o filisteu benquerente é uma espécie da ‘maria-chuteira’ da política.
Quanta choradeira, quanto desejo inconfessado... a vontade de ser outrem, de ter a benquerença plenamente correspondida. Quão ridícula pode se tornar uma pessoa para atender as suas pulsões?
Voltemos a era do predomínio filisteu...
São tempos difíceis e seguramente não existem condições ‘históricas’ para ocorrer algum tipo de mudança substancial no cenário, pois um fenômeno relativamente comum é o ‘idealista’, quando consegue ascender política, torna-se ou o que é mais adequado sucumbi ao poderoso ‘argumento’ do pragmatismo filisteu... No exercício do poder, exercita-se verdadeiramente.
É bom ressaltar que, o filisteu assume também o papel de idealista, mas somente na aparência. Explico. Por puro pragmatismo o filisteu, quando está na oposição, assume o papel do idealista (expressa o desejo de mudar o mundo para ajudar o povo), mas a mudança é só aparente. Chegando lá novamente [poder], observa-se o que já estamos nos acostumando a verificar: ‘muda-se’ [de nomes] para continuar da mesma forma.
E porque é assim?


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