Por Marcelo Eduardo A. Silva
O Comitê de Política Monetária (COPOM) decidirá hoje o novo nível da taxa básica de juros, a SELIC, que atualmente está em 10,5% ao ano. As expectativas do mercado giram em torno de um novo corte na taxa, a questão é saber obviamente de que tamanho será o corte. Parte do mercado acredita em cortes de meio ponto percentual e há ainda aqueles que acreditam que o COPOM será mais ousado. De acordo com o último boletim de expectativas de mercado divulgado pelo BC, a expectativa é de que a SELIC encerre 2012 em 9,5%. Se o COPOM caminhará a passos largos para este nível, tudo dependerá da reunião de hoje.
Cortes mais ousados poderão ser justificados tendo em vista turbulências tanto no cenário externo quanto no doméstico. A recuperação ainda lenta da Europa e dos Estados Unidos e a China sinalizando um crescimento menor para este ano são fatores que sinalizam um período ainda lento de recuperação da economia mundial, o que trará suas consequências para a economia doméstica. Por outro lado, manter a taxa básica de juros no nível atual ao mesmo tempo em que as taxas de juros internacionais estão perto de zero e os países desenvolvidos implementam novas rodadas de afrouxamento monetário (quantitative easing) não parece ser prudente em função dos problemas cambiais que isto geraria na economia brasileira (com a apreciação de nossa moeda frente às moedas dos países desenvolvidos, diminuindo assim nossa competitividade internacional).
No cenário doméstico, as recentes notícias de queda de 3,4% na produção industrial em Janeiro de 2012 (em comparação a janeiro de 2011), junto com a divulgação de um crescimento menor para o PIB do Brasil em 2011 (em relação a 2010), podem reforçar as expectativas de menor crescimento para a economia brasileira nos próximos anos, o que, em tese, corroboraria uma ação do BC no sentido de reduzir a taxa básica de juros. Por outro lado, o cenário doméstico precisa ser visto com cautela, em particular quando se olha os números do PIB. Embora concorde, em tese, de que é possível que o cenário doméstico possa não ser tão favorável quanto antes, é importante olhar os números recentes, em particular os números do PIB com cautela.
Em primeiro lugar, não dá para acreditar que a taxa de 7,5% de crescimento do PIB brasileiro alcançada em 2010 se constitui no novo patamar de crescimento do país. Isto seria, no mínimo, inocência. O desempenho do PIB em 2010 foi atípico em função do mau desempenho obtido em 2009, quando a crise internacional atingiu o país de maneira mais forte. Ou seja, é um “fenômeno estatístico” por assim dizer. Nesta linha de raciocínio, a taxa obtida em 2011 pode ser simplesmente uma “acomodação dos números”.
O certo é que precisamos saber, antes de tudo, qual a expectativa do próprio BC em relação ao futuro da economia brasileira, por enquanto o mercado aposta em um crescimento do PIB em torno de 3,3% e uma inflação de 5%. Se o BC apostar em um cenário menos otimista em relação ao PIB e de que a inflação não vá fugir do centro da meta como em 2011, é possível sim observar um BC mais ousado na redução dos juros hoje e com as devidas justificativas.
O certo é que precisamos saber, antes de tudo, qual a expectativa do próprio BC em relação ao futuro da economia brasileira, por enquanto o mercado aposta em um crescimento do PIB em torno de 3,3% e uma inflação de 5%. Se o BC apostar em um cenário menos otimista em relação ao PIB e de que a inflação não vá fugir do centro da meta como em 2011, é possível sim observar um BC mais ousado na redução dos juros hoje e com as devidas justificativas.
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