quarta-feira, 7 de março de 2012

Resultado do PIB reflete ajuste para impedir aumento da inflação


A avaliação do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Régis Boneli, aponta que o crescimento da economia brasileira no ano passado, embora tenha sido um pouco menor do que o esperado pelo mercado, não surpreendeu e ainda refletiu um ajuste feito pelo governo para impedir o aumento da inflação. Segundo o economista, esse ajuste afetou principalmente a indústria que, com expansão de 1,6%, teve um desempenho pouco favorável. 

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi divulgado na terça-feira (6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ficou em 2,7% no ano passado. “O resultado do PIB foi um ajuste feito sob a ameaça da inflação crescente na virada do ano e isso fez com que a indústria, especialmente de transformação, andasse de lado ao longo do ano, o que resultou em um crescimento muito lento”, afirmou Boneli. 

Para o economista, o setor foi prejudicado não apenas pela questão cambial, com a supervalorização do real em relação ao dólar, mas por problemas estruturais que não estão sendo resolvidos. “Em boa medida é por causa do câmbio, especialmente na parte de bens de consumos, já que os importados aumentaram sua presença. Mas é ingênuo pensar que, se o Brasil tivesse com câmbio competitivo, os problemas da indústria estariam resolvidos. O setor tem que enfrentar diversas outras dificuldades, como custo do transporte, custos trabalhistas, problemas de logística, de escoamento e alta carga tributária”, ressaltou. 

Boneli destacou que, mais uma vez, a economia brasileira foi sustentada pelos serviços que, embora tenham crescido 2,7%, menos do que a agropecuária, com 3,9%, têm um peso maior na formação do PIB. Ele lembrou que os serviços são impulsionados pelo mercado interno e acrescentou que o seu desempenho no ano revela um crescimento de atividades mais modernas, como os serviços de informação, que registraram expansão de 4,9% em 2011, segundo o instituto. 

Portal Brasil

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