Eu nunca tive a oportunidade de conhecer o Antonio Barros de Castro. Li a Economia Brasileira em Marcha Forçada durante a graduação e lembro que gostei. Teria que ler de novo porque mal me lembro do que se trata, e não faço a mínima ideia do que esperar de uma segunda leitura depois de 20 anos.
Ao saber de seu falecimento - que desperdício! - encomendei o Marcha Forçada no empréstimo entre bibliotecas pelo Fundo e fui ao google scholar procurar por amostras de sua obra. Confesso que não me animei muito a ler os trabalhos mais recentes e não concordo com partes do argumento do artigo sobre o crescimento do Brasil em um mundo sino-cêntrico (em uma edição recente da Revista de Economia Política).
Mas encontrei uma pérola: seu artigo na PPE, "Brasil, 1610: mudanças técnicas e conflitos sociais". Neste artigo, ABC narra e documenta uma transformação tecnológica que reduziu o custo de operação de um engenho de cana de açúcar, durante as primeiras décadas do século XVII, que teria quebrado o monopólio natural dos engenhos movidos a força hidráulica, erodido o poder de barganha dos senhores de engenho, e reduzido a distância social e econômica entre os senhores de engenho e os lavradores (isto é, plantadores de cana, que em geral também possuíam escravos, mas não tinham o capital para adquirir um engenho). Poderia escrever mais sobre aquele artigo, mas acho que não faria mérito ao trabalho de Barros de Castro: portanto, leiam o original.
Ao saber de seu falecimento - que desperdício! - encomendei o Marcha Forçada no empréstimo entre bibliotecas pelo Fundo e fui ao google scholar procurar por amostras de sua obra. Confesso que não me animei muito a ler os trabalhos mais recentes e não concordo com partes do argumento do artigo sobre o crescimento do Brasil em um mundo sino-cêntrico (em uma edição recente da Revista de Economia Política).
Mas encontrei uma pérola: seu artigo na PPE, "Brasil, 1610: mudanças técnicas e conflitos sociais". Neste artigo, ABC narra e documenta uma transformação tecnológica que reduziu o custo de operação de um engenho de cana de açúcar, durante as primeiras décadas do século XVII, que teria quebrado o monopólio natural dos engenhos movidos a força hidráulica, erodido o poder de barganha dos senhores de engenho, e reduzido a distância social e econômica entre os senhores de engenho e os lavradores (isto é, plantadores de cana, que em geral também possuíam escravos, mas não tinham o capital para adquirir um engenho). Poderia escrever mais sobre aquele artigo, mas acho que não faria mérito ao trabalho de Barros de Castro: portanto, leiam o original.
Fonte: http://irineudecarvalhofilho.blogspot.com.br/
Nenhum comentário:
Postar um comentário