Por Marcelo Eduardo A. Silva
Um dos dilemas enfrentados por “quase papais” e “quase mamães” é a escolha do nome dos rebentos. Aqui é uma daquelas áreas em que inacreditavelmente a Economia pode ajudar bastante. Mas vamos lá. O dilema dos futuros papais e mamães é grande porque afinal opções é que não faltam. Para os mais conservadores, a dica é sempre escolher nomes tradicionais como Maria, Antônio, João e José e, portanto, reduzir o risco de ver o rebento com um nome impronunciável. Por outro lado, há os mais criativos e, aparentemente, para a criatividade não há limites. O site desciclopedia mostra alguns destes nomes bastante criativos registrados em cartórios do Brasil (http://desciclopedia.ws/wiki/Lista_de_nomes_estranhos_registrados). Para os fãs da letra “a”, aqui vão algumas opções:
- Alesanderson Capivara do Mato Pascoal de Souza
- Adalberto Churrasco
- Abrilina Décima Nona Caçapavana Piratininga de Almeida
- Acheropita Papazone
- Adegesto Pataca
- Aeronauta Barata
- Agrícola Beterraba (Provavelmente a família plantava beterrabas, mas custava colocar outro nome no menino!)
- Alce Barbuda
- Amim Amou Amado
- Antônio Ernane Cacique de New York
- Antônio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado
- Antônio Treze de Junho de Mil Novecentos e Dezessete (A vantagem deste é que não dá para esquecer a data do aniversário).
- Aricléia Café Chá (Imagina o garçom perguntando: Dona Café Chá, vai um Café ou um Chá?)
- Arquiteclínio Petrocoquínio de Andrade
- Audobrantina Moema Cearenciana
- Araúto do Charuto Fedido
- Ausbkhiyshueiz Estranho da Silva (Este realmente estranho!)
Algumas opções com a letra “b”:
- Barrigudinha Seleida
- Bende Sande Branquinho Maracajá
- Benedito Frôscolo Jovino de Almeida Aimbaré Militão de Souza Baruel de Itaparica Boré Fomi de Tucunduvá
- Brígida de Samora Mora Belderagas Piruégas de Alfim Cerqueira Borges Cabral
Ou ainda algumas outras opções com a letra C:
- Coel Lhinho Da Páscoa
- Carabino Tiro Certo
- Carícia Temporal
- Céu Azul do Sol Poente
- Charlingtonglaevionbeecheknavare dos Anjos Mendonça
- Chevrolet da Silva Ford (O irmão se chamava Fiat da Silva Volkswagen Bibite).
- Chuck Norris Junior (Não há dúvidas sobre a masculinidade do garoto!)
- Colapso Cardíaco da Silva
- Cólica de Jesus
- Comigo é Nove na Garrucha Trouxada
- Creosméria Emansueta
- Crisoprasso Compasso
Enfim, a lista segue. Para os mais indecisos e propensos à criatividade vale a pena observar alguns resultados interessantes, em particular, o fato de que ao escolher o nome do rebento você poderá estar determinando a probabilidade de seu filho ou filha obter um emprego. É isto que mostra uma pesquisa recente de dois economistas. Marianne Bertrand e Sendhil Mullainathan (este certamente seria incluído em nossa lista acima) mostram que um postulante a uma vaga de trabalho com nomes como “Lakisha Washington” ou “Jamal Jones”, similar aos nossos “Antônio Ernane Cacique de New York” ou ainda “Colapso Cardíaco da Silva”, são menos prováveis de obter uma entrevista de emprego do que pessoas com nomes como “Emily Walsh” ou ainda “Greg Baker”.
No caso americano, a questão investigada consiste no fato de que os nomes dos postulantes são associados à raça, afinal Lakisha ou Jamal são nomes mais comuns entre negros, enquanto Emily e Greg mais comuns entre brancos. Como a discriminação racial é proibida, os autores argumentam que é possível que a discriminação exista a partir da dedução da raça do postulante a partir de seu nome. Bertrand e Mullainathan (2004) mostram que postulantes com nomes comuns entre brancos precisam enviar, em média, dez currículos para obter uma oferta de entrevista, enquanto postulantes com nomes comuns entre negros precisam enviar, em média, quinze currículos para obter uma oferta de entrevista.
Particularmente, desconheço algum trabalho que tenha feito um experimento semelhante para o caso brasileiro, mas por vias das dúvidas, é melhor não arriscar na criatividade na hora de colocar o nome do filho. Afinal, o Charlingtonglaevionbeecheknavarezinho pode não receber uma ligação de oferta de entrevista no futuro, não por que o pobrezinho não seja competente, mas por que ninguém (nem mesmo o pobre coitado) conseguirá pronunciar seu nome ao telefone. Imagina a cena: alô, o “Charlington...alguma coisa” está em casa? É improvável. Ou ainda, “Alô, estou ligando para confirmar a entrevista de Comigo é Nove na Garrucha Trouxada”. Enfim, fica a dica.
Referência: Bertrand, Marianne and Sendhil Mullainathan. "Are Emily And Greg more Employable Than Lakisha And Jamal? A Field Experiment On Labor Market Discrimination," American Economic Review, 2004, v94 (4,Sep), 991-1013.
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