sábado, 21 de abril de 2012

A NOVA REDUÇÃO DA SELIC

O Banco Central fez uma nova redução da taxa básica de juros da economia. A nova meta para a taxa SELIC é de 9% ao ano. Uma discussão se dá em torno das decisões do BC a cada reunião do COPOM.

Sempre surge a pergunta: o que os dados mostram? Bem, os dados mostram uma previsão de inflação de 5% para 2012 e de 5,5% em 2013. Apesar do discurso do COPOM de que a inflação estaria convergindo para o centro da meta, que é 4,5%, os dados ainda não mostram isso.



O BC está errado? Essa pergunta não é trivial. O BC tem mais informações que o público geral, conta com uma equipe especializada e usa modelos econômicos (matemáticos) sofisticados. Apesar disso, para tomar a decisão final algumas hipóteses e visões qualitativas são levadas em consideração (assumindo-se ausência de interferência política, como já discutimos aqui no blog antes) . Se o BC está esperando uma desaceleração da economia americana em seus cenários e isso não ocorre, o risco de ter que elevar a SELIC já no fim de 2012 pode aumentar. De todo modo, a decisão não pode ser considerada errada por si só. Apenas, que a hipótese estava errada, ou foi muito arriscada, e isso gerou uma decisão arriscada, que pode ou não vir se concretizar.

Qual o risco da decisão? O risco é a inflação não convergir para a meta no segundo semestre, e o BC ter que elevar novamente os juros no fim do ano. Isso abortaria novamente a retomada do crescimento. Uma medida mais cautelosa seria a manutenção da SELIC até a inflação voltar ao centro da meta, ou pelo menos que a sua expectativa voltasse ao centro da meta, e aí iniciar um novo ciclo de redução.

É difícil entender qual o tempo ótimo de fazer a política, já que existe um tempo entre a mudança dos juros e o efeito sobre os preços. Em geral, estima-se uma defasagem de cerca de 6 meses na política monetária. Neste caso, os efeitos da redução de juros ontem serão sentidos em outubro. Enfim, se o cenário pessimista do BC para o setor externo não se concretizar, existe a chance de retorno da inflação.

Para finalizar, vou comentar uma manchete que vi nos jornais. Muitos apontam que o Brasil não tem mais o maior juros real do mundo. Eu acho isso muito bom, etc. Mas notem que um juro baixo não significa necessariamente uma economia em com alto crescimento ou desenvolvimento econômico. Uma coisa não implica a outra. Dois exemplos: Espanha e Argentina. As duas economias vivem momentos dificílimos e estão com juros reais negativos (veja a reportagem da Exame, gráfico abaixo). Juros baixos não necessariamente implicam crescimento. Pensem nisso!

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