Sobre o Código Florestal...
Líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN) disse
que o governo dará “um tiro no pé” se tentar ressuscitar –total ou
parcialmente— o projeto de Código Florestal concebido no Senado. “A
chance de a Câmara permitir que isso aconteça é zero”, afirmou Henrique
ao blog do josias.
Termina nesta quinta (24) o prazo para que Dilma decida o que fazer
com o Código Florestal que a Câmara lhe enviou. O texto tem de ser
publicado no Diário Oficial desta sexta (25). São duas as
possibilidades. Numa, a presidente veta integralmente o projeto. Noutra,
mais provável, ela veta algo como uma dúzia de artigos.
Prevalecendo a segunda hipótese, a supressão de nacos do texto
resultará em lacunas jurídicas que terão de ser preenchidas por decreto,
medida provisória ou projeto de lei. Nesta quarta (23), a ministra
Ideli Salvatti fez declarações que deixaram a agrobancada da Câmara em
estado de alerta.
Segundo a coordenadora política de Dilma, uma das possibilidades em
estudo no Planalto prevê o uso de um projeto de lei do Senado para
fechar os buracos que os vetos de Dilma abrirão no texto do Código
Florestal.
Por que a preferência pelo Senado? Ainda que os deputados
modificassem o texto, ele retornaria aos senadores. E a bancada
ruralista da Câmara, que já impôs duas derrotas ao Planalto, perderia o
direito de dar a palavra final sobre a matéria.
“Não há hipótese de isso acontecer”, declarou Henrique Alves. “O
Senado representa os Estados. E o Código Florestal não interessa apenas
aos Estados. Afeta municípios, comunidades e lugarejos dos mais diversos
recantos do país. Quem representa essas localidades são os deputados.”
O líder do PMDB acrescentou: “Com todo o respeito que os 81 senadores
merecem, os 513 deputados federais jamais abririam mão de decidir sobre
o Código Florestal.” Conforme já noticiado aqui, a bancada ruralista já protocolou na Câmara um projeto de lei que sugere nova redação para os trechos que Dilma deve vetar.
É essa proposta que Henrique Alves gostaria que fosse levada em
conta, não a do Senado. O projeto mencionado por Ideli foi redigido
pelos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC). No texto,
a dupla recupera conceitos que os senadores haviam aprovado e que a
Câmara virou do avesso.
O repórter perguntou a Henrique Alves: E se os senadores aprovarem o
novo projeto antes da apreciação do texto que tramita na Câmara? “Se
vier o texto do Senado, a Câmara não vota”, respondeu o deputado. “É
muito mais lógico que a decisão final seja tomada por 513 deputados do
que por 81 senadores. Disso a Câmara não vai abrir mão.”
Henrique Alves não trata proposta da agrobancada como algo
inegociável. Afirma que corre na Câmara também um projeto do PT. Acha
que, mantido o rito que assegura aos deputados a última palavra, o
Planalto poderia patrocinar uma negociação para estreitar as diferenças.
Considera admissível também que Dilma preencha o vácuo resultante dos
vetos por meio de uma medida provisória. A tramitação das MPs começa
pela Câmara. Havendo alterações no Senado, o texto retorna à Casa de
origem. De resto, Henrique Alves roga aos céus para que Dilma não opte
pelo veto total.
“Faço um apelo à presidenta Dilma para que a tese do ‘veta tudo’,
bandeira radical da Marina Silva, não prospere. Se esse radicalismo
ambiental tivesse eco na sociedade, a presidente da República seria a
Marina Silva. Mas quem está na cadeira é a Dilma.”
com informações do blog do Josias
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