'coautora' de "ai, se eu te pego" como funcionária fantasma
Reportagem de Andreza Matais e Filipe Coutinho na edição de (22)
da Folha de São Paulo revela um pouco sobre conduta parlamentar do
presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB). Reproduzimos
abaixo um trecho do texto:
O presidente da CPI do Cachoeira, Vital
do Rêgo (PMDB-PB), contratou como funcionária fantasma em seu gabinete
Maria Eduarda Lucena dos Santos, que se diz coautora do hit “Ai, Se Eu
te Pego”, cantado por Michel Teló.
O emprego foi arrumado pelo pai de Maria Eduarda, o jornalista Adelson Barbosa, que admitiu
à Folha que a filha foi contratada para receber pelos trabalhos que ele
e outros dois jornalistas executariam: publicar reportagens favoráveis
ao senador na imprensa local.
Barbosa, que trabalha no jornal “Correio da Paraíba”, disse que partiu do senador a sugestão para burlar as normas do Senado.
“Quem faz o trabalho sou eu e meus
outros dois colegas. Ele [senador], quando convidou a gente para fazer o
trabalho, disse que não poderia nomear três pessoas. Ele sugeriu colocar uma pessoa e a gente divide o valor”, contou Barbosa.
“Poderia ser no meu nome, ou no de um
dos outros dois. Só que eu não podia, porque o Senado exigia não ter
outro vínculo [de trabalho]. Minha filha é estudante e sugeri que fosse
no nome dela.”
Maria Eduarda, 20, também disse à
reportagem que o pai é quem responde pelo cargo. Ela foi contratada em
fevereiro de 2011 como assistente parlamentar com salário de R$ 3.450. E
é dispensada de comprovar presença.
Estudante universitária, ela diz ter criado o “Ai, se eu te pego” numa viagem com colegas à Disney em 2006.
A Justiça concedeu liminar em favor dela e das amigas bloqueando o dinheiro arrecadado com a música até que se decida a autoria.
A contratação de funcionários fantasmas pode gerar ação por improbidade.
O presidente da CPI também emprega no gabinete parentes de políticos e aliados.
Ele contratou uma filha do
ex-governador peemedebista José Maranhão, a mãe do deputado federal Hugo
Motta (PMDB-PB), uma prima do ex-senador Ney Suassuna e uma cunhada de
seu primeiro-suplente, Raimundo Lira, com salários que variam de R$ 2
mil a R$ 12,8 mil.
O senador emprega ainda a mulher de Carlos Magno, coordenador de comunicação de sua campanha em 2010.
por Implicante
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