sábado, 2 de junho de 2012

Se for viajar para Natal não beba água...você pode virar boiola...

As autoridades que tutelam a saúde pública de Natal precisam agir com urgência para evitar que a virilidade da terras dos Magos entre definitivamente em extinção, dada a revelação que foi feita esta semana que a água da capital é responsável pelo aumento no número de homossexuais da cidade.

Pasmem, pois, que a ideia foi defendida e já ganhou até adeptos na blogosfera, num texto melífluo que evoca um estudo da Unicamp sobre a contaminação de aquíferos por substâncias resultantes do consumo de hormônios femininos em 16 capitais do Brasil, incluindo esta Gay Harbour.

O estudo, de fato, existe. E diz que essa contaminação pode estar sendo responsável pela alteração comportamental dos peixes, que estariam se feminilizando. Em humanos diz que pode causar disfunções no sistema endócrino. É tudo no campo do pode, mas a possibilidade de jogar a culpa em alguém porque gays existem aos montes em Natal cegou o bom senso e a associação entre coisas tão distintas passou a ser não inevitável, mas desejada.

Como tudo que tende a não dar certo na cidade, a ideia prosperou fertilmente num terreno povoado por indíviduos que sentem a necessidade de se reafirmarem como homens abrindo uma cruzada contra gays. O grupo tem porta-vozes eficientes, a ponto de reverberar como crível algo que até as pedras sabem ser mentira.

Há quem tenha vaticinado que, doravante, só tomará banho com água mineral, sob o risco de os demônios sintéticos que habitam nossos aquíferos possuírem seus corpos. Seria realmente uma tragédia você entrar no banheiro hétero, e sair do chuveiro completamente afeminado.

Este tipo de militância causa desdobramentos em qualquer lugar do mundo. Na madura Escandinávia seria motivo de escárnio. No Oriente Médio deflagraria uma crise geopolítica. Nos territórios da África subsariana incitaria uma hecatombe. Tudo depende das circunstâncias e grau de civilidade de quem recebe sofismas panfletários como esses.

É temerário que exista condutas desse tipo numa cidade na qual seus habitantes chegaram a apedrejar outdoors apenas porque veiculavam campanha contra homofobia.

Fosse uma cidade de pessoas mais sérias, o assunto seria debatido no sentido de evitar que todos os anos 260 pessoas sejam assassinadas no Brasil tão somente por sua condição de homossexualidade.

Fosse mesmo sério, o debate iria no sentido de construir um meio para diminuir as estatísticas da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, segundo a qual, todos os dias, 3,4 denúncias de violência por homofobia são registradas no Brasil.

Mas não estamos falando de um território sério. Fica a sugestão para as autoridades intervirem imediatamente. Não queremos uma Natal completamente afrescalhada. Sugiro mandar benzer todos os nossos mananciais. Os demônios não resistem à água benta.

blog do Dinarte

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