Se for viajar para Natal não beba água...você pode virar boiola...
As autoridades que tutelam a saúde pública de Natal precisam agir com
urgência para evitar que a virilidade da terras dos Magos entre
definitivamente em extinção, dada a revelação que foi feita esta semana
que a água da capital é responsável pelo aumento no número de
homossexuais da cidade.
Pasmem, pois, que a ideia foi defendida e
já ganhou até adeptos na blogosfera, num texto melífluo que evoca um
estudo da Unicamp sobre a contaminação de aquíferos por substâncias
resultantes do consumo de hormônios femininos em 16 capitais do Brasil,
incluindo esta Gay Harbour.
O estudo, de fato, existe. E diz que
essa contaminação pode estar sendo responsável pela alteração
comportamental dos peixes, que estariam se feminilizando. Em humanos diz
que pode causar disfunções no sistema endócrino. É tudo no campo do
pode, mas a possibilidade de jogar a culpa em alguém porque gays existem
aos montes em Natal cegou o bom senso e a associação entre coisas tão
distintas passou a ser não inevitável, mas desejada.
Como tudo
que tende a não dar certo na cidade, a ideia prosperou fertilmente num
terreno povoado por indíviduos que sentem a necessidade de se
reafirmarem como homens abrindo uma cruzada contra gays. O grupo tem
porta-vozes eficientes, a ponto de reverberar como crível algo que até
as pedras sabem ser mentira.
Há quem tenha vaticinado que,
doravante, só tomará banho com água mineral, sob o risco de os demônios
sintéticos que habitam nossos aquíferos possuírem seus corpos. Seria
realmente uma tragédia você entrar no banheiro hétero, e sair do
chuveiro completamente afeminado.
Este tipo de militância causa
desdobramentos em qualquer lugar do mundo. Na madura Escandinávia seria
motivo de escárnio. No Oriente Médio deflagraria uma crise geopolítica.
Nos territórios da África subsariana incitaria uma hecatombe. Tudo
depende das circunstâncias e grau de civilidade de quem recebe sofismas
panfletários como esses.
É temerário que exista condutas desse
tipo numa cidade na qual seus habitantes chegaram a apedrejar outdoors
apenas porque veiculavam campanha contra homofobia.
Fosse uma
cidade de pessoas mais sérias, o assunto seria debatido no sentido de
evitar que todos os anos 260 pessoas sejam assassinadas no Brasil tão
somente por sua condição de homossexualidade.
Fosse mesmo sério, o
debate iria no sentido de construir um meio para diminuir as
estatísticas da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República, segundo a qual, todos os dias, 3,4 denúncias de violência por
homofobia são registradas no Brasil.
Mas não estamos falando de
um território sério. Fica a sugestão para as autoridades intervirem
imediatamente. Não queremos uma Natal completamente afrescalhada. Sugiro
mandar benzer todos os nossos mananciais. Os demônios não resistem à água benta.
blog do Dinarte
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