Sobre a inflação...
Mais
uma surpresa. A inflação de junho veio baixa, baixinha, menor do que o mercado
esperava. O IPCA do mês passado, calculado e divulgado pelo IBGE, foi de 0,08%;
a média das expectativas era de 0,15%.
A
responsabilidade pelo resultado está dividida entre quatro atores principais:
as ações do BC, as medidas do governo, via Ministério da Fazenda, o preço das
commodities no mercado internacional e a crise externa.
Assim,
em cima do acontecimento, fica difícil medir o peso exato de cada um deles
no comportamento da inflação. Mas é possível tentar. O banco Credit Suisse, num
estudo divulgado a clientes, coloca a redução dos preços dos produtos que exportamos,
as commodities, em primeiro da lista.
Para
o banco suíço, a crise externa, que está levando o mundo para um crescimento
mais baixo nos quatro cantos do planeta, também tem contribuição mais
importante que a política de juros e os estimulos do governo brasileiro.
Crescendo menos, consome-se menos, produz-se menos, os preços caem, lógica
básica da economia.
O
próprio BC reconheceu, no último relatório trimestral de inflação, que o peso
das políticas adotadas em casa pode ser menor no curto prazo. A justificativa é
uma defasagem natural no efeito das medidas na economia real. Quando reduz um
imposto, como fez com o IPI pelos carros – apontado como motor da queda da
inflação em junho – até que o imposto menor gere queda nos preços dos produtos,
pode levar tempo. No caso específico dos carros, o efeito foi mais rápido
porque as fábricas estavam com pátios lotados, era preciso desovar os estoques.
A
mesma coisa com os juros, que podem levar de 6 a 9 meses para chegar na “vida
real”. O BC vem baixando os juros desde agosto do ano passado. E vai continuar
fazendo isso, já que a economia não reage e pode crescer menos de 2% esse ano.
Ao ver a inflação se comportando como quer, o BC corre menos riscos para
cumprir a meta deste ano e reafirma seus diagnósticos sobre o que está
acontecendo no quartel de Abrantes, que já não está como antes.
Depois
da chuvarada de críticas e questionamentos, o BC tem ouvido menos ruído e
reclamações. Aos poucos o mercado anda convergindo com a visão de Alexandre
Tombini, presidente do BC. Podem até continuar não gostando dele ou discordando
de sua estratégia. Mas vai ficar mais difícil falar mal do BC de Dilma Rousseff
se ele terminar 2012 com a inflação controlada e os juros mais baixos da
história do Brasil.
Leiam também:
O resultado do IPCA veio abaixo da expectativa do mercado. O IBGE calculou uma
inflação de 0,08% em Junho de 2012. O que é mais um sinal de desaceleração da
economia brasileira.
O que chama atenção é a causa deste valor baixo. Grande parte desse resultado
se deve a redução de tributos sobre o preço final de veículos (AQUI). O que é de certa forma intrigante. Ou seja, o
governo está diminuindo impostos e isso reduz a inflação. Mas, o preço pode não
ter caído por efeitos de oferta e demanda e sim porque calculamos o preço com
impostos.
Caso calculássemos o preço do produto sem o imposto final, toda e qualquer
variação de preço observada seria primordialmente fruto de mudanças na relação
oferta e demanda.
Quem gostou do tema pode ler mais AQUI.
PS: Mais do que isso, se no momento da venda fosse apresentado ao consumidor o
preço do produto, o valor dos impostos e só depois o preço final, o
conhecimento da população sobre a carga tributária seria muito maior. E a
cobrança sobre as autoridades também.
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