terça-feira, 28 de agosto de 2012

Petistas demonstram pessimismo com mensalão

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 28 Ago (Reuters) - Os votos dos ministros do STF indicados pela presidente Dilma Rousseff, favoráveis à condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) na ação penal do chamado mensalão, surpreenderam líderes petistas, que já veem com pessimismo o resultado do julgamento para os réus políticos e se preparam para mais danos à imagem dos candidatos da sigla nas eleições de outubro.

Pelo pouco tempo na Corte, os votos dos ministros Luiz Fux e Rosa Weber, os únicos indicados por Dilma, eram vistos como uma incógnita até por advogados de defesa.

Assim como a ministra Cármem Lúcia, os dois votaram pela condenação do deputado paulista na sessão de segunda-feira, acompanhando quase que integralmente o relator Joaquim Barbosa. Apenas o voto de José Antonio Dias Toffoli foi pela absolvição de João Paulo nessa sessão.

Petistas ouvidos pela Reuters nesta terça demonstraram especial surpresa com o voto de Fux, que condenou por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro o deputado, acusado de receber vantagens para autorizar contratos irregulares entre a Câmara dos Deputados e agências de publicidade do empresário Marcos Valério quando presidiu a Casa.

"Ele jogou para o alto os autos do processo", comentou uma liderança do PT de São Paulo, sob condição de anonimato, ao se referir ao entendimento de Fux de que não é necessária a comprovação do ato de ofício --isto é, ordem expressa do ocupante de cargo oficial, para a condenação por corrupção.

Em seu voto, na sessão de segunda do Supremo Tribunal Federal (STF), Fux argumentou que "se o policial exige a propina, não precisa deixar de multar. A solicitação já levou ao delito".

Havia entre petistas a perspectiva de que os dois ministros indicados por Dilma fossem mais "garantistas" e reconhecessem que não havia provas suficientes de crime nos autos.

No entanto, Fux e Rosa Weber, assim como Cármen Lúcia, rejeitaram a tese de caixa dois, apresentada pelas defesas, além de apontar que serão rígidos ao avaliar as denúncias de lavagem de dinheiro e corrupção.   

Continuação...

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