Petistas demonstram pessimismo com mensalão
Por Ana Flor
BRASÍLIA, 28 Ago (Reuters) - Os votos dos ministros do STF indicados pela
presidente Dilma Rousseff, favoráveis à condenação do deputado João Paulo Cunha
(PT-SP) na ação penal do chamado mensalão, surpreenderam líderes petistas, que
já veem com pessimismo o resultado do julgamento para os réus políticos e se
preparam para mais danos à imagem dos candidatos da sigla nas eleições de
outubro.
Pelo pouco tempo na Corte, os votos dos ministros Luiz Fux e Rosa Weber, os
únicos indicados por Dilma, eram vistos como uma incógnita até por advogados de
defesa.
Assim como a ministra Cármem Lúcia, os dois votaram pela condenação do
deputado paulista na sessão de segunda-feira, acompanhando quase que
integralmente o relator Joaquim Barbosa. Apenas o voto de José Antonio Dias
Toffoli foi pela absolvição de João Paulo nessa sessão.
Petistas ouvidos pela Reuters nesta terça demonstraram especial surpresa com
o voto de Fux, que condenou por corrupção passiva, peculato e lavagem de
dinheiro o deputado, acusado de receber vantagens para autorizar contratos
irregulares entre a Câmara dos Deputados e agências de publicidade do empresário
Marcos Valério quando presidiu a Casa.
"Ele jogou para o alto os autos do processo", comentou uma liderança do PT de
São Paulo, sob condição de anonimato, ao se referir ao entendimento de Fux de
que não é necessária a comprovação do ato de ofício --isto é, ordem expressa do
ocupante de cargo oficial, para a condenação por corrupção.
Em seu voto, na sessão de segunda do Supremo Tribunal Federal (STF), Fux
argumentou que "se o policial exige a propina, não precisa deixar de multar. A
solicitação já levou ao delito".
Havia entre petistas a perspectiva de que os dois ministros indicados por
Dilma fossem mais "garantistas" e reconhecessem que não havia provas suficientes
de crime nos autos.
No entanto, Fux e Rosa Weber, assim como Cármen Lúcia, rejeitaram a tese de
caixa dois, apresentada pelas defesas, além de apontar que serão rígidos ao
avaliar as denúncias de lavagem de dinheiro e corrupção.
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