quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ovinocaprinocultura reduziu perdas com o rebanho bovino

Portal JH

Quando, finalmente, a Secretaria da Agricultura, com o ajuda da Emater, mostrar os números da perda no rebanho potiguar com a última seca, a contabilidade vai mostrar que os prejuízos poderiam ser bem maiores se muitos criadores não tivessem vendido seus caprinos e ovinos para manter os bois e vacas das propriedades.
Ontem, durante o anúncio dos recursos a serem alocados pelo Banco do Brasil no RN para a safra 2013/2014, o secretário da Agricultura, Pecuária e Pesca, Júnior Teixeira, ao fazer um apelo pela recomposição do rebanho, citou um produtor conhecido dele que, para manter sua criação bovina de dois mil animais, vendeu 800 cabeças de seu plantel de caprinos e ovinos.
Até o ano passado, antes da seca, o RN tinha 396 mil caprinos e 546 mil ovinos e com um rebanho de mais de 900 mil cabeças de bovinos. Hoje, a grande pergunta que começa a ser respondida com a recontagem do rebanho durante a campanha da aftosa poderá dizer com mais exatidão a quantas anda  somente o rebanho bovino potiguar.
Já com os ovinos e caprinos, cujo controle não é tão rígido, ficará a certeza de um grande potencial econômico a se atingir quando finalmente caírem barreiras culturais que impedem a ovinocaprinocultura de ver seu real valor numa economia agrária de semiárido.
“No semiárido, quem deveria predominar é o pequeno animal e não o grande”, diz o presidente da Associação Norte-rio-grandense dos Criadores de Caprinos e Ovinos (Ancoc), Alexandre Confesso.

Ao percorrer as últimas exposições do estado, onde os resultados dos financiamentos bancários não foram muito animadores, ele notou uma tênue reação econômica com as vendas de cabras e ovelhas.
Segundo o presidente da Ancoc, que acumula as funções de gerente do projeto de caprinos e ovinos da Emater e presidente da Câmara de Caprinos e Ovinos do RN, quando o criador precisa apurar qualquer R$ 1 mil ou R$ 2 mil em qualquer época do ano ele lança mão de suas cabras e ovelhas, cujos negócios são sempre feitos a dinheiro vivo.
E lembra que a cada parida de uma vaca, ovelhas e cabras produzem duas crias, que acontecem a cada cinco meses. Cada boi demanda 10 hectares de terra por ano – um espaço mais do que suficiente para a criação de 10 a 12 ovelhas.
Alexandre Confessor diz, ainda, que na comercialização direta o produtor tem sempre mais liquidez com os caprinos e ovinos do que com o bovino, no qual a venda é parcelada, com o primeiro pagamento em 30 dias. Já a cabra ou a ovelha com seis meses de vida pode render sem dificuldades de 18 a 22 kg de carne com preços hoje por volta de R$ 10,00 o quilo.
“É possível ver o dinheiro ouvindo a conversa quando a transação envolve caprinos e ovinos e é sempre bom voltar para a casa com um dinheirinho no bolso para pagar as compras ou financiar outras necessidades”, lembra Confessor.
Segundo o presidente da Emater/RN, Henderson Magalhães Abreu, o Major, não existe um programa de extensão rural exclusivamente voltado para as ovelhas e cabras. A exceção é o programa do leite no qual existe uma sistematização de ações e uma rotina. Fora disso, os casos são atendidos por demanda, pontualmente, quando há uma solicitação de produtores.
“Por isso mesmo, foram criados seis núcleos de atenção, entre eles a ovinocaprinocultura”, explica. “Sabemos que é um setor muito importante e queremos despender a ele uma atenção crescente”, diz Major.
Plano Safra NE
Produtores ainda aguardam com expectativa novidades no Plano Safra 2013/2014 para o Nordeste, cujo anúncio recente em Salvador pela presidente Dilma Rousseff foi cancelado com a eclosão dos movimentos de rua. O anúncio deve acontecer nesta quinta-feira (4).
Fontes ligadas ao BNB informaram que há uma expectativa na instituição que ainda venham maiores vantagens a serem oferecidas aos produtores. Ainda segundo elas,  o resultado de financiamentos das últimas exposições pelo interior do estado, como Caicó, não contabilizaram qualquer operação, mas prospecções produziram promessas de financiamento no valor  de R$ 800 mil em negócios.
A principal medida do Plano Safra NE é a suspensão das execuções das dívidas dos produtores da região até o fim do ano que vem, além de descontos para a liquidação de operações de crédito contratadas até 2006 com recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) ou do Tesouro Nacional.
O plano ainda inclui medidas de estímulo à construção de silos para armazenar alimentos para que o rebanho seja alimentado em tempos de seca. Dilma também deve oficializar a entrega de ônibus escolares, tratores e retroescavadeiras a prefeituras baianas.
Ontem, em Natal, o Banco do Brasil se adiantou ao anúncio do Plano Safra Nordeste e comunicou ao público a destinação de R$ 100 milhões em operações de crédito rural na safra 2013/2014, um volume 22% superior ao desembolsado na safra 2012/13. Desses, R$ 32 milhões vão financiar a agricultura familiar e R$ 68 milhões os médios e grandes produtores que constituem a agricultura empresarial, agroindústrias e empresas rurais.

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