Max Weber
é o autor fundador da teoria burocrática das organizações. É também
considerado, junto com Taylor e Fayol, uma das figuras seminais do pensamento
administrativo; as teorias científica de Taylor, clássica de Fayol e burocrática
de Weber formam o que alguns chamam de teoria
tradicional da administração, numa alusão ao caráter pioneiro das mesmas
e ao fato de todas as demais (que as sucederam) reportarem-se a elas, seja para
combatê-las, para complementá-las, para reformulá-las ou para superá-las.
Na
verdade, o pensamento de Max Weber sobre a burocracia não advém de qualquer
preocupação prática sua com a condução das empresas, ou com a apresentação de
normas e princípios científicos que viessem a auxiliar os administradores em
suas contendas diárias. Max Weber era sociólogo, e sua preocupação era com o
sentido das organizações na sociedade moderna, bem como as organizações como
espaço de observação da modernidade e da racionalização. Ou seja, o interesse
de Weber pelas organizações deriva de seu interesse maior em compreender o
processo de modernização e racionalização na sociedade, o que atribui ao seu
trabalho um caráter bem diferente da maioria dos teóricos da administração.
Weber
identifica nas organizações o sentido de racionalização que perpassa a
sociedade moderna, caracterizada pela crescente ênfase no conhecimento
técnico-científico, nas estruturas formais de autoridade, na crescente
regulamentação, na profissionalização, na ênfase no mérito como forma de
ascensão social e legitimação da autoridade, na impessoalização, dentre outras.
Estas e outras características do processo de modernização, identificadas por
Weber como "racionalização", dizem respeito ao que ele também chamou
de "desencantamento" e desmistificação da realidade.
Esta
desmistificação significa que a compreensão e atuação no âmbito econômico e
social passam gradativamente da esfera dos mitos, dos dogmas, dos heróis e das
inspirações divinas, para a esfera da razão, da ciência, da tecnologia e da competência
técnica (o uso somente da razão pode levar o gestor a
tomar decisões que favoreçam somente a organização, sem se preocupar com as
conseqüências que suas ações podem acarretar para o resto da comunidade).
Da mesma forma, a estrutura institucional passa da esfera da centralização
autocrática divinizada para a esfera da regulamentação legal racionalizada.
Estas características ascendentes da sociedade moderna são identificadas por
Weber nas organizações, sob a denominação de burocratização.
Mais:
"TEORIA DA BUROCRACIA - Economia, Administração e Sociologia
Universidade de São Paulo
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
A burocracia: Organizações e tipologias
Prof. Dr. Alex Coltro[1]
Parte I - Teoria da Burocracia
1. Introdução
Max Weber
é o autor fundador da teoria burocrática das organizações. É também
considerado, junto com Taylor e Fayol, uma das figuras seminais do pensamento
administrativo; as teorias científica de Taylor, clássica de Fayol e burocrática
de Weber formam o que alguns chamam de teoria
tradicional da administração, numa alusão ao caráter pioneiro das mesmas
e ao fato de todas as demais (que as sucederam) reportarem-se a elas, seja para
combatê-las, para complementá-las, para reformulá-las ou para superá-las.(1)
Na
verdade, o pensamento de Max Weber sobre a burocracia não advém de qualquer
preocupação prática sua com a condução das empresas, ou com a apresentação de
normas e princípios científicos que viessem a auxiliar os administradores em
suas contendas diárias. Max Weber era sociólogo, e sua preocupação era com o
sentido das organizações na sociedade moderna, bem como as organizações como
espaço de observação da modernidade e da racionalização. Ou seja, o interesse
de Weber pelas organizações deriva de seu interesse maior em compreender o
processo de modernização e racionalização na sociedade, o que atribui ao seu
trabalho um caráter bem diferente da maioria dos teóricos da administração.
(1)
Weber
identifica nas organizações o sentido de racionalização que perpassa a
sociedade moderna, caracterizada pela crescente ênfase no conhecimento
técnico-científico, nas estruturas formais de autoridade, na crescente
regulamentação, na profissionalização, na ênfase no mérito como forma de
ascensão social e legitimação da autoridade, na impessoalização, dentre outras.
Estas e outras características do processo de modernização, identificadas por
Weber como "racionalização", dizem respeito ao que ele também chamou
de "desencantamento" e desmistificação da realidade. Esta
desmistificação significa que a compreensão e atuação no âmbito econômico e
social passam gradativamente da esfera dos mitos, dos dogmas, dos heróis e das
inspirações divinas, para a esfera da razão, da ciência, da tecnologia e da competência
técnica (o uso somente da razão pode levar o gestor a
tomar decisões que favoreçam somente a organização, sem se preocupar com as
conseqüências que suas ações podem acarretar para o resto da comunidade).
Da mesma forma, a estrutura institucional passa da esfera da centralização
autocrática divinizada para a esfera da regulamentação legal racionalizada.
Estas características ascendentes da sociedade moderna são identificadas por
Weber nas organizações, sob a denominação de burocratização. (1)
Origens da Burocracia
A burocracia é uma forma de
organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos
meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência
possível no alcance desses objetivos. As origens da burocracia – como forma de
organização humana – remontam à época da Antigüidade, quando o ser humano
elaborou e registrou seus primeiros códigos de normatização das relações entre
o Estado e as pessoas e entre as pessoas. (2)
Contudo, a burocracia – tal como
existe hoje, teve sua origem nas mudanças religiosas verificadas após o
Renascimento. Nesse sentido, salienta Max Weber que o moderno sistema de
produção, eminentemente racional e capitalista, não se originou das mudanças
tecnológicas nem das relações de propriedade, como afirmava Karl Marx, mas de
um novo conjunto de normas sociais morais, às quais denominou "ética
protestante": o trabalho duro e árduo, a poupança e o ascetismo que
proporcionaram a reaplicação das rendas excedentes, em vez de seu dispêndio e consumo
em símbolos materiais e improdutivos de vaidade e prestígio. (2)
Weber notou que o capitalismo, a
organização burocrática e a ciência moderna constituem três formas de
racionalidade que surgiram a partir dessas mudanças religiosas ocorridas
inicialmente em países protestantes – como Inglaterra e Holanda – e não em
países católicos. As semelhanças entre o protestantismo e o comportamento
capitalista são impressionantes, porquanto essas três formas de racionalidade
se apoiaram nas mudanças religiosas. (2)
Autoridade Legal, Racional ou Burocrática
Quando os subordinados aceitam as
ordens dos superiores como justificadas, porque concordam com um conjunto de
preceitos ou normas que consideram legítimos e dos quais deriva o comando. É o
tipo de autoridade técnica, meritocrática e administrada. Baseia-se na
promulgação. A idéia básica fundamenta-se no fato de que as leis podem ser
promulgadas e regulamentadas livremente por procedimentos formais e corretos. O
conjunto governante é eleito e exerce o comando de autoridade sobre seus
comandados, seguindo certas normas e leis. A obediência não é devida a alguma
pessoa em si, seja por suas qualidades pessoais excepcionais ou pela tradição,
mas a um conjunto de regras e regulamentos legais previamente estabelecidos.
(2)
A legitimidade do poder racional e
legal baseia-se em normas legais racionalmente definidas. Na dominação legal, a
crença na justiça da lei é o sustentáculo da legitimação. O povo obedece às
leis porque acredita que elas são decretadas por um procedimento escolhido
tanto pelos governados como pelos governantes. Além disso, o governante é visto
como uma pessoa que alcançou tal posição exclusivamente por procedimentos
legais (como nomeação, eleições, concursos etc.) e é em virtude de sua posição
alcançada que ele exerce o poder dentro dos limites fixados pelas regras e
regulamentos sancionados legalmente. (2)
O aparato administrativo que
corresponde à dominação legal é a burocracia. Tem seu fundamento nas leis e na
ordem legal. A posição dos funcionários (burocratas) e suas relações com o
governante, os governados e seus próprios colegas burocratas são estritamente
definidas por regras impessoais e escritas, que delineiam de forma racional a
hierarquia do aparato administrativo, os direitos e deveres inerentes a cada
posição, os métodos de recrutamento e seleção etc (o
fato de todas as posições e relações estarem fundamentadas em normas escritas
pode levar a uma maior organização, mas pode tornar o processo lento, muitas
vezes devido ao excesso de normas destinadas a reger apenas uma ação). A
burocracia é a organização típica da sociedade moderna democrática e das
grandes empresas. A autoridade legal, por esse motivo, não abrange apenas a
moderna estrutura do Estado, mas principalmente as organizações não-estatais,
particularmente as grandes empresas. Através do - "contrato" ou
instrumento representativo da relação de autoridade dentro da empresa
capitalista, as relações de hierarquia nela passam a constituir esquemas de
autoridade legal. (2)
Muito embora tenham existido
administrações burocráticas no passado, somente com a emergência do Estado
Moderno - o exemplo mais próximo do tipo legal de dominação - é que a
burocracia passou a prevalecer em tão larga escala. Todavia, a burocratização
não se limita à organização estatal, pois embora Weber tenha elaborado o
conceito de burocracia a partir de sua sociologia política, ele usou o conceito
de modo mais abrangente, englobando as demais instituições sociais além da
administração pública. Weber notou a proliferação de organizações de grande
porte, tanto no domínio religioso (a Igreja) como no educacional (a
Universidade) ou no econômico (as grandes empresas), que adotaram o tipo
burocrático de organização, concentrando os meios de administração no topo da
hierarquia e utilizando regras racionais e impessoais, visando à máxima
eficiência.(2)
Weber identifica três fatores
principais que favorecem o desenvolvimento da moderna burocracia:
1. O desenvolvimento de uma
economia monetária: a moeda não apenas facilita, mas racionaliza as transações
econômicas. Na burocracia, a moeda assume o lugar da remuneração em espécie
para os funcionários, permitindo a centralização da autoridade e o
fortalecimento da administração burocrática.
2. O crescimento quantitativo e
qualitativo das tarefas administrativas do Estado Moderno: apenas um tipo
burocrático de organização poderia arcar com a enorme complexidade e tamanho de
tais tarefas.
3. A superioridade técnica - em
termos de eficiência - do tipo burocrático de administração: que serviu como
uma força autônoma interna para impor sua prevalência. “A razão decisiva da
superioridade da organização burocrática sempre foi unicamente sua
superioridade técnica sobre qualquer outra forma de organização”.
4. O desenvolvimento tecnológico fez
com que as tarefas da administração tendessem ao aperfeiçoamento. Assim, os
sistemas sociais cresceram em demasia, as grandes empresas passaram a produzir
em massa (a burocratização pode levar uma empresa a
agir de forma mais organizada e conseqüentemente aumentar sua produtividade e
promover sua expansão), sufocando as pequenas. Além disso, nas grandes
empresas há uma necessidade crescente de cada vez mais se obter um controle e
uma maior previsibilidade do seu funcionamento. (2)
O modelo concebido com grande
antecipação por Max Weber tem muita semelhança com as grandes organizações
modernas, como a General Motors, a Philips, a Sears Roebuck, a Ford etc. (2)
Características da Burocracia Segundo Weber
Segundo o conceito popular, a
burocracia é visualizada geralmente como uma empresa ou organização onde o
papelório se multiplica e se avoluma, impedindo as soluções rápidas ou
eficientes. O termo também é empregado com o sentido de apego dos funcionários
aos regulamentos e rotinas, causando ineficiência à organização. O leigo passou
a dar o nome de burocracia aos defeitos do sistema (disfunções) e não ao
sistema em si mesmo. (2)
O conceito de burocracia para Max
Weber é exatamente o contrário. A burocracia é a organização eficiente por
excelência. E para conseguir essa eficiência, a burocracia precisa detalhar
antecipadamente e nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas.
Segundo Max Weber, a burocracia tem as seguintes características principais: (2)
Segundo Max Weber, a burocracia tem as seguintes características principais: (2)
6.1.
Caráter Legal das Normas e Regulamentos
A burocracia é uma organização
ligada por normas e regulamentos previamente estabelecidos por escrito. Em
outros termos, é uma organização baseada em uma espécie de legislação própria
(como a Constituição para o Estado, os estatutos para a empresa privada etc.)
que define antecipadamente como a organização burocrática deverá funcionar.
Essas normas e regulamentos são escritos. Também são exaustivos porque procuram
cobrir todas as áreas da organização, prever todas as ocorrências e
enquadrá-las dentro de um esquema previamente definido capaz de regular tudo o
que ocorra dentro da organização. (2)
As normas e regulamentos são
racionais porque são coerentes com os objetivos visados. Neste sentido, a
burocracia é uma estrutura social racionalmente organizada. As normas e
regulamentos são legais porque conferem às pessoas investidas da autoridade um
poder de coação sobre os subordinados e também os meios coercitivos capazes de
impor a disciplina (disciplina é fundamental para ter
uma empresa organizada, mas o seu excesso pode levar a ineficiência, pois pode
se tornar maçante o trabalho dentro da organização). As normas e
regulamentos são escritos para assegurar uma interpretação sistemática e
unívoca. Desta maneira, economizam esforços e possibilitam a padronização
dentro da organização. (2)
6.2.
Caráter Formal das Comunicações
A burocracia é uma organização
ligada por comunicações escritas. As regras, decisões e ações administrativas
são formuladas e registradas por escrito. Daí o caráter formal da burocracia: todas
as ações e procedimentos são feitos para proporcionar comprovação e
documentação adequadas. Além disso, a interpretação unívoca das comunicações
também é assegurada. Como muitas vezes certos tipos de comunicações são feitos
reiterada e constantemente, a burocracia lança mão de rotinas e de formulários
para facilitar as comunicações e para rotinizar o preenchimento de sua
formalização (o excesso de formulários pode fazer com
que uma atividade simples se torne fatigante e demorada, a burocracia deve ser usada
com limite). (2)
6.3.
Caráter Racional e Divisão do Trabalho
A burocracia é uma organização que
se caracteriza por uma sistemática divisão do trabalho. Essa divisão do
trabalho atende a uma racionalidade, isto é, ela é adequada aos objetivos a
serem atingidos: a eficiência da organização. Daí o aspecto racional da
burocracia. Há uma divisão sistemática do trabalho, do direito e do poder,
estabelecendo as atribuições de cada participante, os meios de obrigatoriedade
e as condições necessárias. (2)
Cada participante passa a ter o seu cargo
específico, as suas funções específicas e a sua específica esfera de
competência e de responsabilidade. Cada participante deve saber qual a sua
tarefa, qual é a sua capacidade de comando sobre os outros e, sobretudo, quais
são os limites de sua tarefa, direito e poder, para não ultrapassar esses
limites, não interferir na competência alheia nem prejudicar a estrutura
existente. Assim, as incumbências administrativas são altamente diferenciadas e
especializadas e as atividades são distribuídas de acordo com os objetivos a
serem atingidos (facilita a gestão de uma empresa, pois
com cada funcionário sabendo a função a ser executada ocorre uma agilidade no
processo produtivo). (2)
6.4.
Impessoalidade nas Relações
Essa distribuição de atividades é
feita impessoalmente, ou seja, é feita em termos de cargos e funções e não de
pessoas envolvidas. Daí o caráter impessoal da burocracia. A administração da
burocracia é realizada sem considerar as pessoas como pessoas, mas como ocupantes
de cargos e de funções. O poder de cada pessoa é impessoal e deriva do cargo
que ocupa. Também a obediência prestada pelo subordinado ao superior é
impessoal. Ele obedece ao superior, não em consideração à sua pessoa, mas ao
cargo que o superior ocupa. A burocracia precisa garantir a sua continuidade ao
longo do tempo: as pessoas vêm e vão, os cargos e funções permanecem. Cada
cargo abrange uma área ou setor de competência e de responsabilidade (as relações dentro da empresa estão se tornando cada vez
mais impessoais, as pessoas são vistas como um cargo ocupado e não mais como um
ser humano com sentimentos e emoções). (2)
6.5.
Hierarquia da Autoridade
A burocracia é uma organização que
estabelece os cargos segundo o princípio da hierarquia. Cada cargo inferior
deve estar sob o controle e supervisão de um posto superior. Nenhum cargo fica
sem controle ou supervisão. Daí a necessidade da hierarquia da autoridade para
fixar as chefias nos diversos escalões de autoridade. Esses escalões
proporcionarão a estrutura hierárquica da organização. A hierarquia é a ordem e
subordinação, a graduação de autoridade corresponde às diversas categorias de
participantes, funcionários, classes etc. Todos os cargos estão dispostos em
graduações hierárquicas que encerram determinados privilégios e obrigações,
estreitamente definidos por meio de regras limitadas e específicas (há a necessidade de uma hierarquização dos cargos, para que o
funcionário saiba a quem obedecer; isso contribui para que a empresa atinja o
seu ponte de eficiência). (2)
A autoridade - o poder de controle
resultante de uma posição reconhecida – é inerente ao cargo e não ao indivíduo
específico que desempenha o papel oficial. A distribuição de autoridade dentro
do sistema serve para reduzir ao mínimo o atrito, por via do contato (oficial)
amplamente restritivo, em relação às maneiras previamente definidas pelas
regras de organização. Desta forma, o subordinado está protegido da ação
arbitrária do seu superior, dado que as ações de ambos se processam dentro de
um conjunto mutuamente reconhecido de regras. (2)
6.6.
Rotinas e Procedimentos Estandarlizados
A burocracia é uma organização que
fixa as regras e normas técnicas para o desempenho de cada cargo. O ocupante de
um cargo - o funcionário - não pode fazer o que quiser, mas o que a burocracia
impõe que ele faça (contribui para que o funcionário
perca a sua autonomia dentro do trabalho, já que ele não pode expressar suas
opiniões). As regras e normas técnicas regulam a conduta do ocupante de
cada cargo, cujas atividades devem ser executadas de acordo com as rotinas e
procedimentos fixados pelas regras e normas técnicas. (2)
Toda a estrutura da burocracia é
projetada intencionalmente de acordo com princípios racionais: a disciplina no
trabalho e o desempenho no cargo são assegurados por um conjunto de regras e
normas que tentam ajustar completamente o funcionário às exigências do cargo e
às exigências da organização: a máxima produtividade. Essa racionalização do
trabalho encontra sua forma mais extremada na Administração Científica, que
“atingiu os maiores trunfos no condicionamento e treinamento racionais do
desempenho no trabalho. Todas as atividades de cada cargo são desempenhadas
segundo padrões claramente definidos, nos quais cada conjunto de ações está
funcionalmente relacionado com os propósitos da organização, segundo uma
maneira ideal. Esses padrões facilitam a pronta avaliação do desempenho de cada
participante”. (2)
6.7.
Competência Técnica e Meritocracia
A burocracia é uma organização na
qual a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica e não
em preferências pessoais. A admissão, a transferência e a promoção dos
funcionários são baseadas em critérios, válidos para toda a organização, de
avaliação e de classificação, e não em critérios particulares e arbitrários.
Esses critérios universais são racionais e levam em conta a competência, o
mérito e a capacidade do funcionário em relação ao cargo ou função
considerados. Daí a necessidade de exames, concursos, testes e títulos para
admissão e promoção dos funcionários. (2)
6.8.
Especialização da Administração
A burocracia é uma organização que
se baseia na separação entre a propriedade e a administração. Os membros do
corpo administrativos devem estar completamente separados da propriedade dos
meios de produção. Em outros termos, os administradores da burocracia não são
os seus donos ou proprietários. O dirigente não é necessariamente o dono do
negócio ou um grande acionista da organização, mas um profissional
especializado na sua administração. (2)
Com a burocracia surge o
profissional que se especializa em gerir a organização, e daí o gradativo
afastamento do capitalista da gestão dos negócios, diversificando as suas
aplicações financeiras de capital. Os meios de produção, isto é, os recursos
necessários para desempenhar as tarefas da organização, não são propriedades
dos burocratas, mas estão acima destes. O funcionário não pode vender, comprar
ou herdar sua posição ou seu cargo, e sua posição e seu cargo não podem ser
apropriados e integrados ao seu patrimônio privado. Essa estrita separação
entre os rendimentos e os bens privados e os públicos é a característica
específica da burocracia e que a distingue dos tipos patrimonial e feudal de
administração. Existe um princípio de completa separação entre a propriedade
que pertence à organização e a propriedade pessoal do funcionário. (2)
6.9.
Profissionalização dos Participantes
A burocracia é uma organização que
se caracteriza pela profissionalização dos seus participantes. Cada funcionário
da burocracia é um profissional, pelas seguintes razões:
a) É um especialista: cada
funcionário é especializado nas atividades do seu cargo. Sua especialização
varia conforme o nível onde está situado. Enquanto os que ocupam posições no
topo da organização são generalistas, à medida que se desce nos escalões
hierárquicos, os que ocupam posições mais baixas vão-se tomando gradativamente
mais especialistas (promove a massificação dos
funcionários de baixo escalão).
b) É assalariado: os funcionários
da burocracia percebem salários correspondentes ao cargo que ocupam. Quanto
mais elevado o cargo na escala hierárquica, maior o salário e, obviamente, o
poder. Os funcionários devem ser recompensados exclusivamente por salários e
não devem receber pagamentos de clientes, a fim de preservarem sua orientação
para a organização, suas normas e regulamentos. O trabalho na burocracia
representa geralmente a principal ou única fonte de renda do funcionário (o salário serve de estimulo para o funcionário produzir mais;
existe também a relação de que quanto maiores forem as responsabilidades, maior
será o salário).
c) É ocupante de cargo: o
funcionário da burocracia é um ocupante de cargo e seu cargo é a sua principal
atividade dentro da organização, tomando todo o seu tempo de permanência nela.
O funcionário não ocupa um cargo por vaidade ou por honrada, mas sim porque é o
seu meio de vida, o seu ganha-pão.
d) É nomeado por superior
hierárquico: o funcionário é um profissional selecionado e escolhido por sua
competência e capacidade, nomeado (admitido), assalariado, promovido ou
demitido da organização pelo seu superior hierárquico. O superior hierárquico
tem plena autoridade (autoridade de linha) sobre seus subordinados. Em outros
termos, é o superior quem toma decisões a respeito de seus subordinados.
e) Seu mandato é por tempo
indeterminado: quando um funcionário ocupa um cargo dentro da burocracia, o seu
tempo de permanência nesse cargo é indefinido e indeterminado. Não que o cargo
seja vitalício, mas porque não existe uma norma ou regra que determine
previamente o tempo de permanência de um funcionário, seja no cargo, seja na
organização.
f) Segue carreira dentro da
organização: à medida que um funcionário revela mérito, capacidade e
competência, ele pode vir a ser promovido para outros cargos superiores. Em
outros termos, o funcionário na burocracia também é recompensado por uma
sistemática promoção, através de uma carreira dentro da organização. O
funcionário é um profissional que faz do trabalho a sua carreira, ao longo de
sua vida.
g) Não possui a propriedade dos
meios de produção e administração: o administrador administra a organização em
nome dos proprietários, enquanto o funcionário, para trabalhar, precisa das
máquinas e dos equipamentos fornecidos pela organização. Como essas máquinas e
equipamentos vão-se tornando sofisticados pela tecnologia e, portanto, caros,
somente as grandes organizações passam a ter condições financeiras de
adquiri-los. Daí as organizações gradativamente assumem o monopólio dos meios
de produção. O administrador administra a organização, mas não é o proprietário
dos meios de produção. O funcionário utiliza as máquinas e equipamentos mas não
é o dono delas.
h) É fiel ao cargo e identifica-se
com os objetivos da empresa: o funcionário passa a defender os interesses do
seu cargo e da sua organização, em detrimento dos demais interesses envolvidos.
i) O administrador profissional
tende a controlar cada vez mais completamente as burocracias, pelas seguintes
razões:
- aumento do
número de acionistas das grandes organizações, ocasionando dispersão e
fragmentação da propriedade das suas ações;
- os
proprietários que, em função de sua riqueza, controlavam uma única
organização, concentrando nela toda a sua fortuna, passaram a dispersar o
risco do seu investimento em muitas outras organizações. Em decorrência
disso, hoje em dia, o controle acionário está subdividido e diminuído com
o crescimento do número de acionistas;
- os
administradores profissionais, através de sua carreira dentro da
organização, chegam a posições de comando e de controle, sem possuírem a
propriedade da coisa comandada e controlada. Assim, um administrador pode
ter mais poder sobre a organização do que um grande acionista. (2)
6.10. Completa Previsibilidade
do Funcionamento
A conseqüência desejada da
burocracia é a previsibilidade do comportamento dos seus membros. No modelo de
Weber, todos os funcionários se comportam de acordo com as normas e
regulamentos da organização, a fim de que esta atinja a máxima eficiência
possível. Tudo na burocracia é estabelecido no sentido de prever
antecipadamente todas as ocorrências e rotinizar sua execução, para que a
máxima eficiência do sistema seja plenamente alcançada. (2)
Aparentemente, Weber não previu
nenhuma diferenciação no comportamento humano dentro da organização. Antes,
pelo contrário, a burocracia parece assentar-se numa visão padronizada do
comportamento humano. Weber não considera a organização informal. Parece
simples ignorá-la. Na verdade, a organização informal não é prevista por Weber,
ou seja, não está considerada nas conseqüências desejadas das organizações. A
organização informal aparece como um fator de imprevisibilidade das
burocracias, pois o sistema social racional puro de Weber pressupõe que as
reações e o comportamento humano sejam perfeitamente previsíveis, uma vez que
tudo estará sob o controle de normas racionais e legais, escritas e exaustivas.
A organização informal surge como uma derivação direta do sistema burocrático,
como uma conseqüência da impossibilidade prática de se bitolar e padronizar
completamente o comportamento humano nas organizações. (2)
7. Vantagens da Burocracia
Weber viu inúmeras razões para
explicar o avanço da burocracia sobre as outras formas de associação. Para ele,
comparar os mecanismos burocráticos com outras organizações é o mesmo que
comparar a produção da máquina com outros modos não-mecânicos de produção. (2)
As vantagens da burocracia, para
Weber, são:
1. Racionalidade em relação ao
alcance dos objetivos da organização.
2. Precisão na definição do cargo e
na operação, pelo conhecimento exato dos deveres.
3. Rapidez nas decisões, pois cada
um conhece o que deve ser feito e por quem e as ordens e papéis tramitam
através de canais preestabelecidos (este sistema enm
sempre funciona com o deveria) .
4. Univocidade de interpretação
garantida pela regulamentação específica e escrita. Por outro lado, a
informação é discreta, pois é fornecida apenas a quem deve recebê-la.
5. Uniformidade de rotinas e
procedimentos que favorece a padronização, redução de custos e de erros, pois
os procedimentos são definidos por escrito.
6. Continuidade da organização
através da substituição do pessoal que é afastado. Além disso, os critérios de
seleção e escolha do pessoal baseiam-se na capacidade e na competência técnica.
7. Redução do atrito entre as
pessoas, pois cada funcionário conhece aquilo que é exigido dele e quais são os
limites entre suas responsabilidades e as dos outros.
8. Constância, pois os mesmos tipos
de decisão devem ser tomados nas mesmas circunstâncias.
9. Subordinação dos mais novos aos
mais antigos, dentro de uma forma estrita e bem conhecida, de modo que o
superior possa tomar decisões que afetem o nível mais baixo.
10. Confiabilidade, pois o negócio
é conduzido de acordo com regras conhecidas, sendo que grande número de casos
similares são metodicamente tratados dentro da mesma maneira sistemática. As
decisões são previsíveis e o processo decisório, por ser despersonalizado no
sentido de excluir sentimentos irracionais, como o amor, raiva, preferências
pessoais, elimina a discriminação pessoal.
11. Existem benefícios sob o prisma
das pessoas na organização, pois a hierarquia é formalizada, o trabalho é
dividido entre as pessoas de maneira ordenada, as pessoas são treinadas para se
tomarem especialistas em seus campos particulares, podendo encarreirar-se na
organização em função de seu mérito pessoal e competência técnica. (2)
Nessas condições, o trabalho é
profissionalizado, o nepotismo é evitado e as condições de trabalho favorecem a
moralidade econômica e dificultam a corrupção. A eqüidade das normas
burocráticas, quase sempre baseadas em padrões universalísticos de justiça e de
tratamento igualitário, tem a virtude de assegurar cooperação entre grande
número de pessoas sem que essas pessoas se sintam necessariamente cooperadoras.
As pessoas cumprem as regras organizacionais principalmente porque os fins
alcançados pela estrutura total são altamente valorizados e cada qual deve
fazer a sua própria parte para que o objetivo seja alcançado. (2)
Dilemas da Burocracia
O próprio Weber notou a fragilidade
da estrutura burocrática, que enfrenta um dilema típico: de um lado, existem
pressões constantes de forças exteriores para encorajar o burocrata a seguir
outras normas diferentes das da organização e, de outro lado, o compromisso dos
subordinados com as regras burocráticas tende a se enfraquecer gradativamente.
A organização, para ser eficiente, exige um tipo especial de legitimidade,
racionalidade, disciplina e limitação de alcance. (2)
A capacidade para aceitar ordens e
regras como legítimas, principalmente quando repugnam os desejos da pessoa,
exige um nível de renúncia que é difícil de se manter. Assim, as organizações
burocráticas apresentam uma tendência a se desfazerem, seja na direção carismática,
seja na tradicional, onde as relações disciplinares são mais
"naturais" e "afetuosas" e menos separadas das outras. Além
do mais, a capacidade de renúncia exigida pela organização racional não pode se
desenvolver no seu interior, pois como diz Etzioni, depende de relações sociais
mais amplas, que existem na família tradicional ou no grupo carismático. Assim,
a racionalidade da estrutura racional é frágil e precisa ser constantemente
protegida contra pressões externas, a fim de poder ser dirigida para os seus
objetivos e não para outros. (2)
Para Weber, os burocratas são
pessoas que formam o corpo administrativo da hierarquia e estrutura da
organização, devidamente indicadas, que seguem as regras impostas e servem aos
objetivos da organização. Contudo, Weber salienta também a existência de chefes
não-burocráticos, que indicam e nomeiam os subordinados, que estabelecem as
regras, que resolvem os objetivos que deverão ser atingidos e geralmente são
eleitos ou herdam sua posição, como, por exemplo, os presidentes, os diretores
e os reis (organizações gerenciadas por esses tipos de
pessoas dificilmente atingirão o ponto de máxima eficiência). (2)
Esses chefes (não-burocráticos) da
organização desempenham o importante papel de estimular a ligação emocional e mesmo
irracional dos participantes com a racionalidade, pois a identificação com uma
pessoa, um líder ou um chefe da organização influi psicologicamente, reforçando
o compromisso abstrato com as regras da organização e dela permitindo uma
imagem mais concreta e "afetuosa". (2)
Na organização burocrática, as
identificações referem-se à posição e não ao ocupante. Se os indivíduos se
ausentam, morrem ou se aposentam, são substituídos por outros pelo critério de
qualificação técnica e a eficiência da organização não é prejudicada. Porém, a
ausência ou morte de um chefe não-burocrático da organização - único indivíduo
perante o qual as identificações são pessoais, e não-burocráticas - provoca uma
crise, a chamada crise de sucessão, que geralmente é acompanhada de um período
de instabilidade. Alega Weber que a crise de sucessão é mais evidente nos
estados totalitários, mas que também as empresas, igrejas, exércitos ou outras
organizações podem estar sujeitos a ela.
As burocracias estabelecem normas e precisam impô-las. Têm regulamentos e regras. Dão ordens que devem ser obedecidas a fim de que a organização funcione com eficiência. (2)
As burocracias estabelecem normas e precisam impô-las. Têm regulamentos e regras. Dão ordens que devem ser obedecidas a fim de que a organização funcione com eficiência. (2)
10. Disfunções da Burocracia
Na verdade, não existe uma
organização plenamente racional e o formalismo não tem a profundidade descrita
por Weber. Por outro lado, o conceito popular de burocracia faz pensar que o
grau de eficiência administrativa deste sistema social racional é baixíssimo.
Isto porque o tipo ideal de burocracia sofre transformações quando operado por
homens. Segundo Merton, o homem (excluído dos estudos de Max Weber, que
descreveu um sistema social desumano e mecanicista), quando participa da
burocracia, faz com que toda a previsibilidade do comportamento, que deveria
ser a maior conseqüência da organização, escape ao modelo preestabelecido.
Ocorre, então, o que passou a se denominar disfunções da burocracia, isto é,
anomalias e imperfeições no funcionamento da burocracia. Cada disfunção é o
resultado de algum desvio ou exagero em cada uma das características do modelo burocrático
explicado por Weber. Cada disfunção é uma conseqüência não-prevista pelo modelo
weberiano. (2)
As disfunções da
burocracia são basicamente as seguintes:
10.1.
Maior Internalização das Regras e Exagerado Apego aos Regulamentos
As diretrizes da burocracia,
emanadas através das normas e regulamentos, para atingir os objetivos da
organização, tendem a adquirir um valor positivo, próprio e importante,
independentemente daqueles objetivos, passando a substitui-los gradativamente.
As normas e regulamentos passam a se transformar de freios em objetivos. Passam
a ser absolutos e prioritários: o funcionário adquire "viseiras" e
esquece que a flexibilidade é uma das principais características de qualquer
atividade racional. Com isto, o funcionário burocrata torna-se um especialista,
não por possuir conhecimento de suas tarefas, mas por conhecer perfeitamente as
normas e os regulamentos que dizem respeito ao seu cargo ou função. Os
regulamentos, de meios, passam a ser os principais objetivos do burocrata. (2)
10.2.
Excesso de Formalismo e de Papelório
A necessidade de documentar e de
formalizar todas as comunicações dentro da burocracia a fim de que tudo possa
ser devidamente testemunhado por escrito pode conduzir à tendência ao excesso
de formalismo, de documentação e, conseqüentemente, de papelório. Aliás, o
papelório constitui uma das mais gritantes disfunções da burocracia, o que leva
o leigo, muitas vezes, a imaginar que toda burocracia tem necessariamente um
volume inusitado de papelório, de vias adicionais de formulários e de
comunicações. (2)
10.3.
Resistência a Mudanças
Como tudo dentro da burocracia é
rotinizado, padronizado, previsto com antecipação, o funcionário geralmente se
acostuma a uma completa estabilidade e repetição daquilo que faz, o que passa a
lhe proporcionar uma completa segurança a respeito de seu futuro na burocracia.
Atendendo às normas e regulamentos impostos pela burocracia, o funcionário
torna-se simplesmente um executor das rotinas e procedimentos, os quais passa a
dominar com plena segurança e tranqüilidade com o passar do tempo. Quando surge
alguma possibilidade de mudança dentro da organização, essa mudança tende a ser
interpretada pelo funcionário como algo que ele desconhece, e, portanto, algo
que pode trazer perigo à sua segurança e tranqüilidade. (2)
Com isto, a mudança passa a ser
indesejável para o funcionário. E, na medida do possível, ele passa a resistir
a qualquer tipo de mudança que se queira implantar na burocracia. Essa
resistência à mudança pode ser passiva e quieta, como pode ser ativa e
agressiva através de comportamentos de reclamação, tumultos e greves (essa atitude do funcionário não ajuda em nada no
desenvolvimento da empresa, pois uma mudança brusca que aumente a produtividade
pode ser encarada pelo funcionário como algo inadmissível, já que ele já estava
completamente habituado a sua antiga rotina). (2)
10.4.
Despersonalização do Relacionamento
A burocracia tem com uma de suas
características a impessoalidade no relacionamento entre os funcionários. Daí o
seu caráter impessoal, pois ela enfatiza os cargos e não as pessoas que os
ocupam. Isto leva a uma diminuição das relações personalizadas entre os membros
da organização: diante dos demais funcionários, o burocrata não os toma mais
como pessoas mais ou menos individualizadas, mas como ocupantes de cargos, com
direitos e deveres previamente especificados. Daí a despersonalização gradativa
do relacionamento entre os funcionários da burocracia. Os funcionários passam a
conhecer os colegas não pelos seus nomes pessoais, mas pelos títulos dos cargos
que ocupam. Algumas vezes, o conhecimento é feito pelo número do registro do
colega ou por qualquer outra forma de identificação das pessoas imposta pela
organização. (2)
10.5.
Categorização como Base do Processo Decisorial
A burocracia se assenta em uma
rígida hierarquização da autoridade. Portanto, quem toma decisões em qualquer
situação será aquele que possui a mais elevada categoria hierárquica,
independentemente do seu conhecimento sobre o assunto. Quem decide é sempre
aquele que ocupa o posto hierárquico mais alto, mesmo que nada saiba a respeito
do problema a ser resolvido. Por outro lado, categorizar significa uma maneira
de classificar as coisas, estereotipadamente, a fim de lidar com elas com mais
facilidade. Quanto mais se lançar mão da categorização no processo decisorial,
menor será a procura de alternativas diferentes de solução. (2)
10.6.
Superconformidade à Rotina e Procedimentos
A burocracia baseia-se em rotinas e
procedimentos, como meio de garantir que as pessoas façam exatamente aquilo que
delas se espera. Como uma burocracia eficaz exige devoção estrita às normas e
regulamentos, essa devoção às regras e regulamentos conduz à sua transformação
em coisas absolutas: as regras e rotinas não mais são consideradas como
relativas a um conjunto de objetivos, mas passam a ser absolutas. Com o tempo,
as regras e as rotinas tornam-se sagradas para o funcionário. (2)
O impacto dessas exigências
burocráticas sobre a pessoa provoca profunda limitação em sua liberdade e
espontaneidade pessoal, além da crescente incapacidade de compreender o
significado de suas próprias tarefas e atividades dentro da organização como um
todo. Estudando o efeito da estrutura burocrática sobre a personalidade dos
indivíduos, alguns autores chegaram a algumas conclusões, como a
"incapacidade treinada" para mostrar que o funcionário burocrata
trabalha em função dos regulamentos e das rotinas, e não em função dos
objetivos organizacionais que foram realmente estabelecidos. Essa superconformidade
às regras, aos regulamentos, às rotinas e procedimentos conduz a uma rigidez no
comportamento do burocrata: o funcionário passa a fazer o estritamente contido
nas normas, nas regras, nos regulamentos, nas rotinas e procedimentos impostos
pela organização. Esta perde toda a sua flexibilidade, pois o funcionário
restringe-se ao desempenho mínimo. Perde sua iniciativa, criatividade e
inovação. (2)
10.7. Exibição de Sinais de
Autoridade
Como a burocracia enfatiza a
hierarquia de autoridade, torna-se necessário um sistema capaz de indicar, aos
olhos de todos, aqueles que detêm o poder. Daí surge a tendência à utilização
intensiva de símbolos ou de sinais de status para demonstrar a posição
hierárquica dos funcionários, como o uniforme, a localização da sala, do
banheiro, do estacionamento, do refeitório, o tipo de mesa etc., como meios de
identificar quais são os principais chefes da organização. Em algumas
organizações - como o exército, a Igreja etc. - o uniforme constitui um dos
principais sinais de autoridade. (2)
10.8.
Dificuldade no Atendimento a Clientes e Conflitos com o Público
O funcionário está completamente
voltado para dentro da organização, para suas normas e regulamentos internos,
para suas rotinas e procedimentos, para seu superior hierárquico que avalia o
seu desempenho. Essa sua atuação interiorizada para a organização geralmente o
leva a criar conflitos com os clientes da organização. Todos os clientes são
atendidos de forma padronizada, de acordo com os regulamentos e rotinas
internos, fazendo com que o público se irrite com a pouca atenção e descaso
para com os seus problemas particulares e pessoais. Com as pressões do público,
que pretende soluções personalizadas que a burocracia padroniza, o funcionário
passa a perceber essas pressões como ameaças à sua própria segurança. Daí a
tendência à defesa contra pressões externas à burocracia.
Com essas disfunções, a burocracia torna-se esclerosada, fecha-se ao cliente, que é o seu próprio objetivo, e impede totalmente a inovação e a criatividade. (2)
Com essas disfunções, a burocracia torna-se esclerosada, fecha-se ao cliente, que é o seu próprio objetivo, e impede totalmente a inovação e a criatividade. (2)
As causas das disfunções da
burocracia residem basicamente no fato de que a burocracia não leva em conta a
chamada organização informal que existe fatalmente em qualquer tipo de
organização, nem se preocupa com a variabilidade humana (diferenças individuais
entre as pessoas) que necessariamente introduz variações no desempenho das
atividades organizacionais. Em face da exigência de controle que norteia toda a
atividade organizacional é que surgem as conseqüências imprevistas da burocracia.
(2)
11. Grau da Burocratização nas Organizações
Alvir Gouldner realizou uma pesquisa que lhe
permitiu concluir que não há um único tipo ou modelo de burocracia, mas uma
enorme variedade de graus diferentes de burocratização. (3)
Durante longos anos, a empresa fora administrada de
maneira muito informal, com intervalos de almoço amplos, horários de entrada e
saída bem folgados, permissão para os empregados para utilizarem material da
companhia para uso próprio, política de não demitir ninguém e de somente
admitir novos funcionários considerando laços de famílias, de amizade e
residência da comunidade semi-rural em que se situava a empresa. (3)
Antes de 1948, o padrão de atitudes do pessoal para
com a fábrica era favorável e positivo. Os operários consideravam as normas
disciplinares da fábrica como "lenientes", suaves e orientadas para
os objetivos da produção e internalizavam o seu papel por um conjunto de normas
técnicas. O padrão de comportamento dos operários se caracterizava por um
sistema de julgamentos, atitudes e sentimentos positivos que predispunham a uma
reação favorável dos operários à fábrica e a uma confiança nos seus superiores.
Em 1948 assumiu um novo gerente (Peele), que veio alterar substancialmente essa
situação. Ele era bastante apoiado pelos executivos do escritório central,
chegando a pressioná-lo sob este aspecto. (3)
O controle do gerente sobre os supervisores tornou
cerrado o controle sobre os operários. Estes passaram a modificar
substancialmente as suas atitudes para com a organização. A supervisão fechada
desenvolvida por Peele passou a encerrar a administração dentro de um círculo
vicioso: (3)
1. o supervisor exercer uma supervisão cerrada e sob
pressão sobre o operário;
2. o supervisor passa a receber o operário como uma
pessoa não-motivada para o trabalho;
3. o supervisor passa a vigiar e a controlar com
mais pressão o operário para obter dele maior rendimento;
4. esse cerco e essa pressão despertam o rancor ou a
apatia no operário;
5. o supervisor passa a perceber mais intensidade o
operário como uma pessoa não-motivada para o trabalho. (3)
A Sociedade de Organizações
Para os
estruturalistas, a sociedade moderna e industrializada é uma sociedade de
organizações, das quais o homem passa a depender para nascer, viver e
morrer. Essas organizações são altamente diferenciadas e requerem dos seus
participantes determinadas características de personalidade. Essas
características permitem a participação simultânea das pessoas em várias
organizações, nas quais os papéis desempenhados variam. (4)
O estruturalismo
ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais iniciado pela Teoria
das Relações Humanas, para os das interações entre as organizações sociais. Da
mesma forma como interagem entre si os grupos sociais, também interagem entre
si as organizações. (4)
3.1. As
organizações
Constituem a
forma dominante de instituição da moderna sociedade: São a manifestação de uma
sociedade altamente especializada e interdependente, que se caracteriza por um
crescente padrão de vida. As organizações permeiam todos os aspectos da vida
moderna e envolvem a participação de numerosas pessoas. Cada organização é
limitada por recursos escassos, e por isso, não pode tirar vantagens de todas
as oportunidades que surgem: daí o problema de determinar a melhor alocação de
recursos. A eficiência é obtida quando a organização aplica seus recursos
naquela alternativa que produz melhor resultado. (4)
A Teoria
Estruturalista concentra-se no estudo das organizações, na sua estrutura
interna e na interação com outras organizações. As organizações são concebidas
como unidades sociais (ou agrupamentos humanos) intencionalmente construídas e
reconstruídas, a fim de atingir objetivos específicos. (exercito, escolas,
hospitais, igrejas, prisões). As organizações são caracterizadas por um
conjunto de relações sociais estáveis e deliberadamente criadas com a explícita
intenção de alcançar objetivos ou propósitos. Assim, a organização e uma
unidade social dentro da qual as pessoas alcançam relações estáveis entre si,
no sentido de facilitar o alcance de um conjunto de objetivos ou metas
3.2. O Homem
Organizacional
Enquanto a
Teoria Clássica caracteriza o "homo economicus" e a Teoria das
Relações Humanas, "o homem social", a Teoria Estruturalista focaliza
o "homem organizacional", ou seja, o homem que desempenha papéis em
diferentes organizações. (4)
Na sociedade das
organizações, moderna e industrializada, aparece a figura do "homem
organizacional" que participa simultaneamente de várias organizações. O
homem moderno, ou seja, o homem organizacional, para ser bem sucedido em todas
as organizações, precisa ter as seguintes características de personalidade: (4)
·
Flexibilidade: em face das constantes mudanças que ocorrem da vida
moderna, bem como da diversidade dos papéis desempenhados nas diversas
organizações, que podem chegar a inversão, aos bruscos desligamentos das
organizações e aos novos relacionamentos.
·
Tolerância
as Frustrações: para
evitar o desgaste emocional decorrente do conflito necessário entre
necessidades organizacionais e necessidades individuais, cuja mediação é feita
através de normas racionais, escritas e exaustivas, que procuram envolver
toda a organização.
·
Capacidade
de adiar as recompensas:
e poder compensar o trabalho rotineiro dentro da organização, em detrimento das
preferências e vocações pessoais por outros tipos de atividade profissional (a empresa vem sempre em primeiro lugar, o que poder fazer
com que o trabalhador se torne um fanático pela empresa, passando a viver
somente em função dela).
·
Permanente
desejo de Realização:
garantido a conformidade e cooperação com as normas que controlam e asseguram o
acesso a posições de carreira dentro da organização, proporcionando recompensas
e sanções sociais e materiais. (4)
4. Análise das Organizações
Os estruturalistas
utilizam, para estudar as organizações, uma análise organizacional mais ampla
do que a de qualquer teoria anterior, pois pretendem conciliar a Teoria
Clássica e a Teoria das Relações Humanas, baseando-se também na Teoria da
Burocracia. Assim, a análise das organizações do ponto de vista estruturalista
é feita a partir de uma abordagem múltipla que leva em conta simultaneamente os
fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das Relações Humanas e da Teoria da
Burocracia. Trata-se de uma abordagem múltipla utilizada pela Teoria
Estruturalista que envolve: (4)
·
Tanto
a organização formal como a organização informal
·
Tanto
as recompensas salariais e materiais como as recompensas sociais e simbólicas
·
Todos
os diferentes níveis hierárquicos de uma organização
·
Todos
os diferentes tipos de organizações
·
A
análise intra-organizacional e análise interorganizacional. (4)
4.1. Abordagem
Múltipla: Organização Formal e Informal
Enquanto a
Teoria Clássica se concentrava na organização formal e a Teoria das Relações
Humanas somente na organização informal, os estruturalistas tentam estudar o
relacionamento entre ambas as organizações: a formal e a informal, em uma
abordagem múltipla. (4)
A Teoria
Estruturalista vai tentar relacionar as relações formais e informais dentro
e fora da organização (a mescla entre relação formal e
informal contribui para um ambiente de trabalho mais agradável). Os
estruturalistas não alteram os conceitos da organização formal e informal.
(formal tudo o que estiver expresso no organograma como hierarquia, regras,
regulamentos, controle de qualidade e informal as relações sociais). A Teoria
Estruturalista tentar encontrar o equilíbrio entre os elementos racionais e
não racionais do comportamento humano que constitui o ponto principal da vida, da
sociedade e do pensamento moderno.
4.2. Abordagem
Múltipla: Recompensas Materiais e Sociais
Os
estruturalistas combinam os estudos da Teoria Clássica e da Teoria das Relações
Humanas. O significado das recompensas salariais e sociais e tudo que se inclui
nos símbolos de posição (tamanho da mesa ou do escritório, carros da companhia,
etc) é importante na vida de qualquer organização. (4)
Para as
recompensas sociais e simbólicas sejam eficientes, quem as recebe deve estar
identificado com a organização que as concede. Os símbolos e significados devem
ser prezados e compartilhados pelos outros, como a esposa, colegas, amigos,
vizinhos, etc. Por essas razões, as recompensas sociais são menos eficientes
com os funcionários de posições mais baixas do que com os de posições mais
altas (as recompensas servem como um incentivo para o
funcionário produzir mais). (4)
4.3. Abordagem
Múltipla: Os diferentes Enfoques da Organização
As organizações
para os estruturalistas podem ser concebidas segundo duas diferentes concepções:
·
Modelo
racional da organização:
Concebe a organização com um meio deliberado e racional de alcançar metas
conhecidas. Os objetivos organizacionais são explicitados (com por exemplo a
maximização dos lucros), todos os aspectos e componentes da organização são
escolhidos em função de sua contribuição ao objetivo e as estruturas
organizacionais são cuidadas para atingir a mais alta eficiência, os recursos
são adequados e alocados de acordo com um plano diretor, todas ações são
apropriadas e iniciadas por planos e seus resultados devem coincidir com os
planos. É um sistema fechado, tendo como característica a visão focalizada
apenas nas partes internas do sistema, com ênfase no planejamento e controle.
Expectativa de certeza e de viabilidade. Neste modelo inclui a abordagem
clássica da administração e a teoria da burocracia.
·
Modelo
natural de organização:
Concebe a organização com um conjunto de partes independentes que, juntas,
constituem um todo. O objetivo básico é a sobrevivência do sistema. O modelo
natural procura tornar tudo funcional e equilibrado, podendo ocorrer
disfunções. A auto-regulação é o mecanismo fundamental que naturalmente governa
as relações entre as partes e suas atividades, mantendo o sistema equilibrado e
estável ante as perturbações provindas do ambiente externo. Este modelo traz
com inevitável aparecimento a organização informal nas organizações. É um
sistema aberto tendo como característica a visão focalizada sobre o sistema e
sua interdependência com o ambiente. Expectativa de incerteza e de
imprevisibilidade. (4)
4.4. Abordagem
Múltipla: Os Níveis da Organização
Assim com o
modelo burocrático de Weber, as organizações sofrem uma multiplicidade de
problemas que são classificados e categorizados para que a responsabilidade por
sua solução seja atribuída a diferentes níveis hierárquicos: (4)
·
Nível
Institucional: É o nível
mais alto, composto dos dirigentes ou altos funcionários. É também denominado
nível estratégico, pois é responsável pela definição dos principais objetivos e
das estratégias organizacionais relacionadas a longo prazo.
·
Nível
Gerencial: É o nível
intermediário, situado entre o institucional e o técnico, cuidando do
relacionamento e da integração desses dois níveis. Uma vez tomadas as decisões
no nível institucional, o nível gerencial é o responsável pela sua
transformação em planos e em programas para que o nível técnico os execute.
·
Nível
Técnico: É o nível mais
baixo da organização. Também denominado nível operacional, é o nível em que as
tarefas são executadas, os programas são desenvolvidos e as técnicas são
aplicadas. É o nível que cuida da execução das tarefas a curto prazo e segue os
programas e rotinas desenvolvidas pelo nível gerencial. (4)
4.5. Abordagem
Múltipla: A Diversidade de Organizações
Enquanto a Administração
Científica e a Escola das Relações Humanas focalizaram as fábricas, a abordagem
estruturalista ampliou o campo da análise da organização, a fim de incluir
outros tipos diferentes de organizações além das fábricas: organizações
pequenas, médias e grandes, públicas e privadas, empresas dos mais diversos
tipos (industrias ou produtoras de bens, prestadoras de serviços, comerciais,
agrícolas, etc), organizações militares (exército, marinha, aeronáutica),
organizações religiosas (igreja), organizações filantrópicas, partidos
políticos, prisões, sindicatos, etc. A partir do estruturalismo a
administração não ficou mais restrita as fábricas, mas passou a ser entendida a
todos os tipos possíveis de organizações. Além disso, toda a organização, à
medida que cresce torna-se complexa e passa a exigir uma adequada
administração. (4)
Tipologia das Organizações
As organizações são diferentes entre si e apresentam
enorme variabilidade. Contudo, elas apresentam características que permitem
classificá-las em classes ou tipos. Estas classificações, denominadas tipologias
das organizações, permitem uma análise comparativa das organizações através
de uma característica comum ou de uma variável relevante. Os estruturalistas
desenvolveram as tipologias das organizações para classificá-las de
acordo com certas características, como seu tamanho (pequenas, médias,
grandes), ou sua natureza (empresas primárias, ou de base, secundárias ou de
transformação), ou seu mercado (industria de bens de capital ou de bens de
consumo), ou ainda sua dependência (empresas públicas ou privadas).
(4)
5.1. Tipologia de Amitai Etzioni
Segundo Etzioni, as organizações possuem as seguintes
características:
·
Divisão de trabalho e atribuição de poder e responsabilidade: de acordo com um planejamento
intencional para intensificar a realização de objetivos específicos.
·
Centro e poder: os esforços combinados da organização dirigem para
seus objetivos, esses centros de poder precisam continuamente examinar a
realização da organização a fim de garantir maior eficiência. (4)
·
Substituição do pessoal: as pessoas podem ser demitidas ou substituídas por
outras pessoas para as suas tarefas, A organização pode recombinar seu pessoal
através de transferência e promoções. (4)
As unidades sociais controlam seus membros. As
organizações são planejadas e estruturadas e revêem as suas realizações e se
reestruturam de acordo com os resultados. Nas organizações, o controle informal
não é adequado, pois não se pode confiar na identificação dos seus
participantes com as tarefas que devem realizar. Por isso, as organizações
impõem uma distribuição de recompensas e sanções para garantir obediência as
suas normas, regulamentos e ordens. Os meios de controle, que podem ser
classificados em três categorias: (4)
·
Controle físico: é o controle baseado na aplicação de meios físicos ou
de sanções ou ameaças físicas. O controle físico procura fazer com que as
pessoas obedeçam através de ameaças ou sanções físicas, da coação, da
imposição, da força e do medo das consequências. A motivação é negativa e
baseia-se em punições. Corresponde ao poder coercitivo (o
funcionário pode se sentir pressionado e produzir menos).
·
Controle material: é o controle baseado na aplicação de meios materiais
e de recompensas materiais. As recompensas materiais são constituídas de bens e
de serviços oferecidos. A concessão de símbolos (como dinheiro ou salário) que
permitem adquirir bens e serviços é classificada como material, porque o
resultado para quem recebe é semelhante ao de meios materiais. É o controle
baseado no interesse, na vantagem desejada e nos incentivos econômicos e
materiais.
·
Controle normativo: é o controle baseado em símbolos puros ou em valores
sociais. Existem símbolos normativos (como o prestígio e estima) e sociais
(como o amor e aceitação). É o controle mora e ético, por excelência, e
baseia-se na convicção, fé, crença e na ideologia. A utilização do controle
normativo corresponde ao poder normativo-social ou poder normativo.
(4)
·
Cada tipo de controle provoca um padrão de obediência em
função do tipo de interesse em obedecer ao controle. A tipologia de
organizações de Etzioni classifica as organizações com base no uso e
significado da obediência, dividem-se:
·
Organizações coercitivas: O poder é imposto pela força física ou controle baseados
em prêmios ou punições. Utilizam força como principal controle sobre os
participantes de nível inferior. Exemplos como campos de concentração, prisões,
instituições penais, etc. (4)
·
Organizações Utilitárias: O poder se baseia no controle dos incentivos
econômicos. Utilizam a remuneração como base principal de controle. Os
participantes de nível inferior contribuem para a organização com um
envolvimento "calculativo", baseado nos benefícios que esperam obter.
As empresas e o comércio estão incluídos nessa classificação. (4)
·
Organizações normativas: O poder baseia-se no consenso sobre objetivos e
métodos da organização. Utilizam o controle moral como principal influência
sobre os participantes, por que eles tem elevado envolvimento "moral"
e motivacional. As organizações normativas são chamadas "voluntárias"
e incluem a igreja, universidades, hospitais e organizações políticas e
sociais. (4)
Objetivos Organizacionais
As organizações são unidades sociais que procuram
atingir objetivos específicos: a sua razão é servir a esses objetivos. O
objetivo organizacional é uma situação desejada que a organização tenta
atingir. é uma imagem que a organização pretende para seu futuro. Se o objetivo
é atingido, ele deixa de ser a imagem orientadora da organização e e
incorporado a ela como algo real e atual. Os objetivos são estabelecidos por
votos dos acionistas ou dos membros da assembléia ou ainda pela pessoa que
apresenta os acionistas ou que possui e dirige a organização. (4)
A eficiência de uma organização é medida pelo alcance
dos objetivos propostos. A competência da organização é medida pelo volume de
recursos utilizados para realizar a produção. A competência está ligada aos
objetivos da organização, mas não se confunde com eles. A competência cresce a
medida que os custos (os recursos utilizados) decrescem.
A
definição de objetivos é intencional, mas nem sempre racional, pois é um
processo de interação entre a organização e o ambiente. Consiste em determinar
as relações das organizações com a sociedade mais ampla, ou seja, com o que a
sociedade deseja e requer.(4)
Existem cinco categorias de objetivos organizacionais:
·
Objetivos da sociedade: relacionados com a sociedade em geral, como: produzir
bens e serviços, manter a ordem pública, criar e manter valores culturais.
Procuram preencher as necessidades da sociedade. (4)
·
Objetivos de produção: relacionados com o público que entra em contato com a
organização. exemplos: bens de consumo, serviços a empresas, educação. Trata-se
de tipos de produção em termos das funções do consumidor. (4)
·
Objetivos de sistemas: relacionados com a maneira de funcionar da
organização, independentemente dos bens e serviços que ela produz ou dos
objetivos daí resultantes. Exemplos: ênfase nos lucros, no crescimento e na
estabilidade da organização. Trata-se da maneira como funciona o sistema,
independentemente dos produtos ou serviços que produz, o que pode tornar-se o
objetivo para os participantes da organização. (4)
·
Objetivos de produtos: relacionados com as características dos bens e
serviços produzidos. Exemplos: ênfase na qualidade ou quantidade de produtos,
variedade, estilo, disponibilidade, originalidade ou inovação dos produtos.
(4)
·
Objetivos derivados: relacionados com os usos que a organização faz do
poder originado na consecução de outros objetivos. Exemplos: metas políticas,
serviços comunitários, programas sociais, programas comunitários, política de
investimentos e localização das instalações que melhorem a economia e o futuro
das comunidades. As organizações criam poder que é utilizado para influenciar
seus próprios membros e o ambiente. (4)
7. Ambiente Organizacional
As organizações vivem em um contexto ao qual
denominamos ambiente. O Ambiente é tudo o que envolve externamente uma
organização. Para os estruturalistas, o ambiente é constituído pelas outras
organizações que formam a sociedade. (4)
A
organização depende de outras organizações para seguir o seu caminho e atingir
os seus objetivos. A interação entre a organização e o ambiente torna-se
fundamental para a compreensão do estruturalismo (a
organização está inserida em um todo). A sociedade moderna é uma
sociedade de organizações. Os estruturalistas criticam o fato de que conhecemos
muito a respeito de interação entre pessoas, alguma coisa sobre a interação
entre grupos e pouquíssimos sobre a interação entre organizações e seus
ambientes. (4)
Os estruturalistas ultrapassam as fronteiras da
organização para ver o que existe externamente ao seu redor: as outras
organizações que forma a sociedade, passando a se preocupar não somente com a
análise organizacional, mas também com a análise interorganizacional. A análise
interorganizacional está voltada para as relações externas entre uma
organização e outras organizações no ambiente. (4)
Conflitos Organizacionais
Os estruturalistas discordam de que haja harmonia de
interesse entre patrões e empregados (como afirmava a Teoria Clássica), ou de
que essa harmonia deve ser preservada pela Administração, através de uma
atitude compreensiva e terapêutica (como afirmava a Teoria das Relações
Humanas). Ambas estas teorias punham fora de discussão o problema do conflito,
provavelmente em decorrência do seu caráter prescritivo. Para os
estruturalistas, os conflitos são elementos geradores das mudanças e do
desenvolvimento da organização. (4)
Conflito significa a existência de idéias,
sentimentos, atitudes ou interesses que podem se chocar. Sempre que se fala em
acordo, aprovação, coordenação, resolução, unidade, consentimento,
consistência, harmonia, deve-se lembrar que essas palavras pressupõem a
existência de seus opostos, como desacordo, desaprovação, disenção,
desentendimento, incongruência, discordância, inconsistência, oposição, o
que significa conflito. (4)
As fontes de cooperação residem nas semelhanças de
interesses, reais ou supostos, entre indivíduos e organizações. As fontes de
conflitos localizam-se em alguma divergência real ou suposta de interesses que
existem dentro de um continuum que vai desde uma colisão frontal de
interesses e completa incompatibilidade, em um extremo, até interesses
diferentes, mas não incompatíveis em outro extremo. (4)
Conflito e cooperação são elementos integrantes da
vida de uma organização. Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois
aspectos da atividade social nas organizações. Em situações de conflito, as
possíveis respostas em um grupo (ou de uma pessoa) podem ser caracterizadas em
uma escala geral, variando desde os métodos de supressão total e parcial até os
métodos de negociação e solução dos problemas. (4)
O conflito gera mudanças e provoca inovações a medida
que as soluções são alcançadas. Todavia, essas soluções constituirão a base de
novos conflitos que gerarão novas mudanças, as quais provocarão outras
inovações, e assim por adiante. Se o conflito for disfarçado ou sufocado, ele
procurará outras formas de expressão, tais como o abandono do emprego ou o
aumento de acidentes, que, no fim apresentam desvantagens tanto para o
indivíduo como para a organização.
Verificação de
leitura
Identifique e
comente ao menos cinco das características da Burocracia, segundo M. Weber.
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