A estrada que liga os municípios de João Câmara e Parazinho, no interior do Rio Grande do Norte, tem casas simples, de paredes de barro, e um vendaval de empregos e investimentos gerado por usinas eólicas - que produzem energia com a força do vento.
Desde 2009, o setor acelera não só no estado, mas no Brasil, impulsionado por ventos favoráveis, mercado aquecido e a crise econômica internacional, que contribui para a atração de investimentos e conhecimento estrangeiros.
O resultado é a proliferação de turbinas que transformam vento em energia e, ainda, uma corrida por conhecimento em regiões metropolitanas e cidades longínquas - a exemplo de João Câmara e Parazinho, localizadas a 74Km e a 116Km, respectivamente, de Natal, capital do Rio Grande do Norte.
O estado é um dos principais geradores de energia eólica e o que mais tem usinas em construção no Brasil, a maioria delas em obras nesses dois municípios.
Até o ano 2018, estima-se que a cadeia produtiva estadual vá precisar de 35 mil trabalhadores e que ao menos 20% do contingente necessário por ano seja de mão de obra especializada de níveis técnico e superior. O percentual é calculado pelo diretor do Instituto Senai de Inovação - Energias Renováveis, que está sendo implantado no Rio Grande do Norte, Wilson da Mata.
“Há necessidade de se promover qualificação de profissionais para atender as necessidades das empresas em suas diversas fases, desde a concepção dos projetos e desenvolvimento tecnológico, passando pela fase de instalação, operação e manutenção”, diz ele.
No Brasil, embora não dimensione a carência no setor, a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Élbia Melo, reconhece que há déficit de profissionais qualificados, assim como em outras atividades.
Fontes ligadas à cadeia produtiva afirmam que o gargalo tem afetado o ritmo e o custo de implantação de projetos.
E que algumas iniciativas tentam reduzir os impactos. De um lado, empresas investem em programas de formação internos. De outro, instituições públicas e privadas de ensino desenvolvem cursos específicos, mas esbarram em desafios nesse aspecto.
“O número de professores tratando do tema ainda é bastante reduzido”, diz Maria do Carmo Martins Sobral, pós-doutora em Tecnologia Ambiental e membro do Conselho Técnico-Científico de Ensino Superior da Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação.
Por ser uma nova modalidade de produção no Brasil, a ênfase no ensino não contemplava a energia dos ventos, acrescenta Hélio Gomes Teixeira, professor que coordenou cursos de especialização em eólica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2012 e 2013. “Mas o desenvolvimento previsto para o setor demandará novos e habilitados profissionais”, enfatiza.
Demandará e muito, segundo a indústria, dada a expansão esperada dessa fonte de energia.
O Brasil tem hoje 4,5 Gigawatts (GW) de capacidade instalada e essa potência deverá triplicar até 2018, com a adição de 9,8 GW, de acordo com a ABEEólica. Para atingir esse nível, a associação estima que a cadeia produtiva terá de investir R$ 44 bilhões - valor superior ao orçamento da usina de Belo Monte, que deverá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, erguida ao custo de R$ 30 bilhões no Pará. Também será preciso contratar 147 mil trabalhadores no país, incluídos os 35 mil do RN. A projeção é feita a partir da média de empregabilidade no setor, de 15 postos de trabalho a cada Megawatt (MW) de capacidade instalada.
De acordo com a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), até dezembro de 2013, 32 mil trabalhadores já estavam empregados no Brasil. Estudo da agência aponta o país como o segundo que mais emprega na área de energias renováveis, atrás da China. A eólica é o segundo elo que mais emprega na atividade brasileira, atrás da bioenergia.
Tribuna do Norte
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