A queda da produção de grãos no Rio Grande do Norte, segundo o analista operacional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Luiz Gonzaga Araújo e Costa, vem ocorrendo há quatro anos por causa da seca. “Já no primeiro ano de estiagem, em 2012, houve um reflexo muito grande em relação a oferta e demanda de produtos agrícolas”, disse ele.
Luiz Gonzaga Costa afirmou que “se a produção de grãos deste ano foi menor em relação a 2014, isso representa muito mais em comparação com a situação normal de inverno de 2011”. Luiz Gonzaga explicou que o Rio Grande do Norte “não é autossuficiente em grãos mesmo em período de chuvas normais”, embora tenha tradição de plantio de arroz, feijão, milho e sorgo para a subsistência dos agricultores. “Nossa produção agrícola está muito longe da necessidade e demanda de consumo da população do Estado”, continuou o analista operacional da Conab, que estima em mais de 90% o volume de compra de milho, feijão, arroz e sorgo, principalmente da Paraíba e do Ceará.
Apesar do fato de o Rio Grande do Norte “não ter estoques excedentes de grãos de sequeiro que gerem impacto na sua economia”, segundo Luiz Gonzaga, a produção agrícola “é importante para a população da Zona Rural ter alimento para se manter durante o ano e usar os poucos recursos financeiros em outras necessidades”. Luiz Gonzaga informou, ainda, que em virtude da seca, a diminuição da oferta de água deixou de se plantar 1.115 hectares de cultura irrigada, o que corresponderia uma produção de 4.348 toneladas de grãos, com produtividade prevista de 3.900 quilos por hectares.
Em virtude da seca, a área plantada em 2012 e 2013 chegaram, respectivamente, a 17,3 e 29,1 hectares, mas o crescimento da área de plantio nos últimos dois anos, informou Luiz Gonzaga, deveu-se à expectativa criada junto aos agricultores por conta das condições favoráveis em que se apresentaram as quadras chuvosas no início de 2001 e 2015. “Como nos temos um inverno irregular, o agricultor acredita e planta a sua lavoura logo no começo do ano, inclusive com distribuição de sementes pelo governo na época própria”, disse ele.
Já em relação aos 38,8 mil toneladas colhidas na safra de 2014, que superou em muito as safras dos dois anos anteriores, deveu-se a cultura irrigadas, apesar de que este ano, houve mais restrição a oferta de água para esse tipo de cultura. Luiz Gonzaga também disse que mesmo em épocas normais de inverno, a produtividade agrícola do sequeiro “ainda é considerada baixa, porque o agricultor não dispõe de pacote tecnológico” para esse fim, como nas áreas de cerrado do oeste da Bahia e sul do Maranhão e Piauí.
“A solução para a gente aumentar a nossa produção de grãos, seria a irrigação, mesmo na região de sequeiro, em áreas mais úmidas como os vales e estuários de rios, do contrario o Estado vai ter sempre baixa produtividade”, acrescentou Luiz Gonzaga. Para ele, “a hora agora é de torcer para que no próximo ano tenhamos um inverno melhor, mas que não tem sinalização nenhuma”.
Sem produção, bancos de semente estão zerados
Por conta da redução da colheita de grãos este ano, o coordenador agropecuário da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e da Pesca (Sape), Antonio Carlos Magalhães, informou ontem, que no próximo ano o governo vai ter de repor os estoques dos 1.156 banco de sementes dos agricultores de 137 municípios potiguares, que estão zerados. “Com a falta de chuvas, eles não colherem grãos nem para a subsistência”, disse ele.
Carlos Magalhães explicou que a distribuição de sementes no começo do ano (em 2015 foram mais de 460 toneladas), “é um risco que somos obrigados a correr, porque a chuva vem, mas não sabemos o tamanho dela e o período em que ela chega, pode chegar em dezembro, janeiro ou fevereiro”.
Ele afirmou que, praticamente confirmada a queda safra da área de sequeiro, resta ao Rio Grande do Norte as produções de cultura irrigada de milho verde e feijão verde, cultura muito importante no Vale do Pium, entre Nísia Floresta e Parnamirim, em que o Estado aparece como autosuficiente.
“Essas culturas não entram na pesquisa do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA), que trabalha as culturas de sequeiro, que incluem algodão, gergelim, girassol e outros produtos agrícolas, que têm áreas de plantio irrisórias no Rio Grande do Norte. Segundo Magalhães, as culturas de sequeiro quase não contam para o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte, que têm participação mais importantes da fruticultura irrigada para exportação.
Caarlos Magalhães disse esperar que o próximo ano seja de inverno melhor. “O pior de tudo é a distribuição das chuvas, um exemplo fácil de ver foi a região de Angicos, este ano, onde em quatro dias choveu 400 milímetros e não choveu mais”, comentou. O coordenador agropecuário da Sape lembrou que no entorno de Angicos, açudes sangraram, “mas a safra foi uma negação”, porque a chuva caiu num curto período de dias. “Tivesse se dividido em quatro meses, uma chuva por mês, teria havido safra”, disse ele.
Segundo o analista operacional da Conab, Luiz Gonzaga Costa, se chover no começo de 2016, entre fevereiro e março, deve ser feito um levantamento de intenção de plantio. Para se ter condições regulares e favoráveis, é preciso que chova de 700 a 750 milímetros. “Aí dá para ter uma boa safra de grãos e pastos para os animais”, afirma Luiz Gonzaga.
Ele afirmou, ainda, que a queda de safra este ano também afetou as regiões Agreste e o litoral leste do Estado, onde só não foram afetadas as culturas irrigadas. Mesmo assim, o RN ainda produziu este ano 2.443 toneladas de arroz, contra 3.069 colhidas na safra de 2014, uma variação de -45,38%. Já em relação ao feijão macassar, a produção caiu 51,64%, pois se colheu 11.154 toneladas na safra de 2014 contra 5.393 na deste ano.
Quanto ao milho, a produção que foi de 20.511 toneladas no ano passado, caiu para 8.417 este ano, uma variação de -58,97%. Já o sorgo granífero caiu -28,61%, passando de uma safra de 1.183 toneladas para 845 toneladas de um ano para o outro.
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