sábado, 17 de setembro de 2011

A QUEDA DA INFLAÇÃO - METAS DE 2012

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta sexta-feira, 16, que a inflação deve cair 2 pontos porcentuais até abril e que o objetivo da autoridade monetária é trazer o índice à meta em dezembro de 2012.

Até agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 7,23% em 12 meses. O centro da meta do governo é de 4,5%, com uma oscilação de dois pontos para cima ou para baixo. Tombini participou nesta sexta-feira da cerimônia de abertura da Semana Imobiliária, organizada pelo Secovi.

Segundo ele, apesar de hoje a inflação estar no pico, o BC já está tirando a pressão sobre os preços. Tombini afirmou que os alimentos sofrem hoje sazonalidade, mas que os choques devem ter curta duração, diferentemente do que ocorreu no segundo semestre de 2010. Ele acrescentou ainda que o BC vai revisar a previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2011, que é hoje de 4%.

O presidente do BC afirmou também que a política macroeconômica do Brasil 'é bem testada', pois seus pilares permitem absorver bem choques externos, como foi demonstrado pela recuperação positiva do Brasil à crise deflagrada há três anos. Ele se referiu ao sistema de metas de inflação, política fiscal sólida, câmbio flutuante. 'A política macroprudencial também ajuda', afirmou.

Segundo Tombini, há uma segunda onda mais aguda da crise internacional surgida no outono de 2007, com os problemas imobiliários nos EUA deflagrados com as hipotecas do segmento subprime. De acordo com o presidente do BC, os países emergentes deixaram a primeira fase da crise sem deteriorar as contas do setor público, o que não ocorreu com as economias centrais, como é verificado hoje.

G3 terá período prolongado de acomodação

Tombini também destacou que Estados Unidos, Zona do Euro e Japão têm fracas perspectivas de expansão nos próximos dois anos. 'O G-3 terá um período prolongado de acomodação de suas economias', comentou.

Em função da crise nas suas contas públicas, ele ressaltou que as nações que compõem este grupo de países precisará de condições fiscais mais sólidas. 'Mas esperamos pouso suave da China', afirmou.

Em função da crise internacional ser prolongada, com desdobramentos imprevisíveis de curto prazo, Tombini destacou que o baixo crescimento do G-3 nos próximos dois anos deve levar seus respectivos bancos centrais a manter políticas monetárias acomodatícias neste período.

Ele ressaltou que as previsões de analistas sobre o crescimento dos EUA para 2011 chegaram a 3,5% a 4% no início do ano, mas elas baixaram e há projeções que indicam que aquele país deve registrar um incremento de 1,6%.

Tombini ressaltou que a força do consumo interno é um dos principais fatores que fortalecem o Brasil para enfrentar os efeitos da crise econômica internacional.

'O mercado doméstico está maior, pois registrou um ingresso de 35 milhões de pessoas (nos últimos oito anos) e é mola propulsora do crescimento', afirmou.

Segundo Tombini, as boas condições da economia nacional, que possui perspectivas de expansão favoráveis nos próximos anos com inflação sob controle, fizeram com que 65% dos recursos que ingressaram no País de janeiro a agosto deste ano tenham características de longo prazo.

De acordo com o presidente do BC, as medidas adotadas pelo governo no mercado de derivativos de dólar 'recompuseram o ingresso de fluxos' de capitais para o País.

Ele chegou a citar que antes de tais ações oficiais, havia apostas contra o dólar de US$ 17 bilhões, mas sem a intervenção do governo poderiam estar hoje em US$ 30 bilhões ou US$ 40 bilhões.

E, segundo ele, com este volume de recursos muito mais altos, uma mudança súbita da posição cambial poderia trazer efeitos negativos substanciais sobre empresas com passivos atrelados ao dólar.

O presidente do BC disse também que o Brasil saiu-se bem da crise internacional deflagrada em 2008 com a quebra do banco Lehman Brothers e tem boas condições para enfrentar as atuais dificuldades da economia global.
'Tivemos prova do pudim há 3 anos e nos saímos bem', comentou. Segundo Tombini, além da boa gestão do sistema de metas de inflação, com rigor fiscal e câmbio flutuante, a política contracíclica adotada pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitiu que o Brasil reagisse com rapidez e saísse rapidamente da recessão mundial.

De acordo com o presidente do BC, a administração das contas públicas com eficiência será positiva para o País, pois será um diferencial importante em relação às nações centrais, que hoje passam por uma forte crise fiscal. A Itália registra uma dívida pública bruta de 120% do PIB, enquanto no Brasil é de 56% do Produto Interno Bruto. 'Precisamos ir contra a maré', destacou.

Desaceleração

O presidente do BC destacou que as medidas adotadas pelo governo desde o final do ano passado fazem com que esteja em curso o ajuste das condições da demanda à oferta.

'Há sinais mais nítidos de moderação do nível de atividade', comentou, em palestra no Secovi-SP. 'Até o mercado de trabalho já perde velocidade na margem', destacou.

'A projeção de crescimento do Brasil para 2011 está em 4%, mas vamos revisá-la para baixo', completou.

Segundo ele, a política monetária no Brasil considera a moderação do nível de atividade que já foi encomendado por várias ações oficiais, entre elas a elevação dos juros de 1,25 ponto porcentual entre janeiro e julho deste ano.

'A inflação até abril (de 2012) deve cair dois pontos porcentuais', destacou. 'O objetivo é trazer a inflação à meta em dezembro de 2012. Vamos trabalhar nesse sentido', disse.

Para Tombini, o menor crescimento mundial nos próximos 16 meses deve 'conter o ímpeto das commodities', o que será positivo para o processo de controle do IPCA no Brasil. 'Apesar de estar no pico, estamos tirando pressão da inflação', afirmou.

Segundo ele, a alta pontual de alimentos, como a carne, observa fatores sazonais que, por definição, são temporários. Segundo ele, os choques atuais de preços de alimentos devem ter curta duração, o que será diferente ao que foi registrado no segundo semestre de 2010.

Câmbio

Tombini afirmou que com o agravamento da crise internacional ocorreu um ajuste do câmbio. A cotação atingiu hoje R$ 1,72, o que representa uma alta de 7,5% em setembro.

Ele ressaltou, no entanto, que a economia possui condições favoráveis, o que é destacável em várias características. Uma delas é a boa saúde do sistema financeiro. 'Os bancos são sólidos e estão bem provisionados para perdas', comentou.

Para Tombini, contudo, as boas condições da economia brasileira faz com que o País tenha abundância de capitais. 'Somos destino atrativo para estrangeiros', afirmou.

Segundo o presidente do BC, o Brasil dispõe de 'colchões de liquidez' que poderão ser usados no futuro próximo, caso ocorra uma piora da crise internacional. Ele não deu detalhes sobre estes recursos. Contudo, durante sua apresentação ressaltou que os depósitos compulsórios dos bancos no BC estão em R$ 420 bilhões e destacou também que as reservas cambiais estão US$ 150 bilhões acima do que era registrado no 'choque de 2008.'

Tombini disse também que a política monetária administrada pelo BC continuará sendo ajustada de acordo com a evolução do quadro externo.

Segundo ele, a desaceleração da economia mundial deve levar os países centrais a registrarem um crescimento ao redor de 1,5% neste ano. 'Diante desse quadro complexo, tomaremos as próximas decisões sempre com o objetivo de levar a inflação à meta de 4,5% ao ano em 2012', comentou, em palestra no Secovi-SP.

Segundo Tombini, o BC estima que o mundo deve registrar um quarto da retração registrada em função da crise de 2008, que foi uma queda ao redor de 5 pontos porcentuais de PIB naquele período. Portanto, ele pondera que a economia dessas nações deve sofrer agora um impacto aproximado de 1,25 ponto porcentual no crescimento.

'Temos uma situação internacional delicada, mas o Brasil está melhor preparado do que em 2008', disse. 'Tenho grande otimismo em relação ao País', afirmou.

Fonte: O Estadão

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