do crédito fácil (e caro) ao país dos endividados

Da Agência Estado

Brasília - Com a deterioração do cenário econômico, o número de inadimplentes no País teve um salto de 5,02% em abril, se comparado com o mesmo mês de 2014. No total, são 55,3 milhões de consumidores negativados, o que corresponde a 37,9% da população economicamente ativa do País. Os dados foram divulgados esta semana pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

De acordo com a confederação, o aumento é um reflexo da piora dos indicadores econômicos, o aumento da pressão exercida pela elevação da inflação e da taxa de juros. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, explica que o dado surpreendeu o setor e que nem a restrição de crédito pelos bancos e o aumento das exigências para a concessão de empréstimos conseguiu conter a alta. "A economia mais fraca tem se sobreposto ao efeito da redução do crédito. O consumidor tem menos dívidas a pagar, mas o risco é mais alto", disse.


Segundo a Confederação, os bancos ainda são os responsáveis pela maior parcela das dívidas em atraso, com 48,43% de participação. No mês passado, o segmento da comunicação foi o que mais contribuiu para a piora no índice, com um aumento de 12,10% no total de dívidas. Os bancos ficaram na segunda posição, com crescimento de 7,53%.

A variação de abril em relação ao mês anterior, uma alta de 2,83%, é a pior da série histórica, iniciada em 2011. Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o dado ruim pode ser explicado pelo fraco crescimento do PIB, a elevação das taxas de juros, o aumento do desemprego e as medidas de ajuste fiscal promovidos pelo governo. "O consumidor vive a desconfiança neste momento por conta dessa instabilidade política, mas esperamos que o ajuste fiscal seja formalizado e nos traga os resultados esperados", disse.

De acordo com Pinheiro, para o Dia das Mães, considerado o melhor momento de vendas do varejo no primeiro semestre, o setor já esperava um resultado negativo, mas as vendas foram ainda piores. "Fomos surpreendidos", disse.

Para a economista do SPC Brasil, o crescimento das dívidas em atraso em maio ainda deve ser mais forte que o padrão dos anos anteriores. Marcela espera que a situação melhore até o fim do ano, após a conclusão do ajuste fiscal, levando a uma menor taxa de inadimplência em 2016.

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