O Globo
As ligações perigosas do contraventor Carlinhos Cachoeira, que estão vindo a público desde que se descobriu no gabinete do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) uma das pontas da rede de corrupção e cooptação de autoridades montada pelo bicheiro, expõem muito mais que a falência ética e moral de homens públicos que não honram cargos e mandatos supostamente exercidos em nome dos cidadãos que lhes dão votos e lhes pagam pelo exercício da representação.
A aposta de Cachoeira no pressuposto de que o dinheiro sujo da contravenção abre portas e compra consciências é apenas uma das vertentes de uma gravíssima afronta às instituições oriunda do submundo da jogatina, contra a qual o país precisa se precaver.
Cachoeira é uma parte do jogo. Há um movimento coordenado pela contravenção, em nível nacional, para, ante as lacunas de um Código Penal que não tipifica como crime essas atividades, ganhar espaços e se impor à sociedade.
Entre outros recursos, com apelos à legalização da jogatina feitos com argumentos deliberadamente enviesados, falaciosos, para obter o apoio de incautos.
As desenvoltas ações do bicheiro goiano fazem parte do mesmo pacote no qual quadrilhas ligadas ao jogo ilegal se juntam , segundo relatórios da Polícia Federal, para fatiar o país, dividindo entre elas o controle das bilionárias bancas.
No Centro-Oeste, o capo é Cachoeira; no Rio, com ramificações no Norte, Nordeste e outras regiões do Sudeste, mandam os decanos cariocas do jogo do bicho; no Sul, quem bota banca é o paulista Ivo Noal.
A divisão territorial das áreas de ação do jogo ilegal é uma clara demonstração de que a contravenção se sofistica, adverte a PF.
Leia a íntegra em A aposta do jogo contra as instituições
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