quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como gerenciar risco para evitar crises


Empresas que pensam que estão em vôo de cruzeiro e que o céu de brigadeiro vai permanecer para sempre, correm o risco de serem pegas de surpresa pela crise, seja pelo risco inerente ao seu negócio, seja por um fato absolutamente imprevisível.

Quem pensou que a indústria Parmalat poderia ter problemas financeiros? E quem, como a Escola Base, tão pequena, imaginou que uma mãe-cliente colocaria o trabalho de anos a perder?

Risco e crise representam a sombra da empresa. Equivalem às nossas costas, que nunca vemos e, às vezes, desprezamos como se, por não estar à nossa frente no espelho, não tivessem nenhum significado.

Da mesma forma que deixamos nossas costas desprotegidas, muitas empresas desprezam vários indicadores, que podem abrir brechas para ataques da concorrência, da imprensa, do governo e do público. Sem a guarda coberta, empresas potentes podem fechar as portas da noite para o dia.

Um trote violento pode denegrir a imagem que uma Universidade levou décadas para construir. Um fio de cabelo no meio de um sanduíche pode desperdiçar centenas de reais gastos em publicidade. A truculência de um segurança na porta de um shopping pode custar o patrimônio em indenização. O ponto em comum em que todos estes casos desembocam é um só: a imprensa. E quando o caso chega à imprensa, o tom da conversa é muito diferente e o estrago, o escândalo e o prejuízo acabam sendo intangíveis.

Prever o risco é o primeiro caminho para evitar a crise. Porque o risco é imediato. E pode ser evitado com diversas ações. Grandes e pequenas. Imediatistas ou de longo prazo. O que importa é seguir um cronograma que impeça, de qualquer maneira, os custos gerados pela surpresa. Já imaginou o vazamento de sua carga ou de uma informação preciosa? A explosão de seu depósito? Uma declaração distorcida dada por seu funcionário?

Todas estas ações podem ser - se não evitadas - minimizadas. O pulo do gato é: como você avalia as interfaces de risco e como implanta rotinas para diminuir este risco. Se você acha que sua empresa é pequena e que não precisa se prevenir, lembre-se da Escola Base (aquela que foi injustamente acusada de abuso sexual de crianças em São Paulo) e do triste destino de seus proprietários. Se você acha que é uma empresa média e que o risco só bate à porta dos grandes, lembre-se do que aconteceu com os fornecedores da Parmalat. E se você é grande e acha que sua estrutura jamais será abalada, preste atenção ao que aconteceu com os colaboradores da consultoria Arthur Andersen.

Não importa o tamanho da sua empresa. Ela sempre estará vulnerável à ação de seus amigos, inimigos, sócios, funcionários, clientes, fornecedores, imprensa, governo, etc. E precisa estar atenta aos seus pontos fracos, que são inerentes ao negócio.

Com riscos monitorados, dificilmente a empresa cairá em uma situação de crise. E não será preciso gastar milhões para apagar o incêndio e reconstruir a imagem, que certamente ficou danificada.

Se prevenir é melhor do que remediar, investir em gerenciamento de risco significa, a curto prazo, economia de escala em publicidade, imagem corporativa, e prevenção de crises.

Fonte
QUEIROZ, Cecília; SANCHES, Alícia. Como gerenciar risco para evitar crises. Disponível em: <http://www.puente.com.br/materias.asp?COD=12>.

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