quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pequena empresa e risco financeiro


A cada final de período, CEO's verificam que o resultado do seu negócio ficou sujeito a variações do mercado de capitais que estavam fora do seu controle, como: câmbio, juros, commodities (energia, aço, etc.), inflação, PIB. Riscos de negócios são riscos não diversificáveis, isto é, riscos para os quais não há proteção (ou hedge, para usar um termo financeiro) disponível. Ocorre que, muitas vezes, parte dos riscos financeiros percebidos na empresa acaba sendo assumida como parte do seu negócio e, assim, ele passa a assumir inadvertidamente o papel de um especulador financeiro.

Um empresário de algodão que, eventualmente, tem dívidas verifica que existem riscos de variação: algodão, que impacta sua margem e preço final; câmbio, já que os preços internacionais partem de suas dívidas; receitas de exportação e gastos em TI indexados; inflação, que reajusta anualmente uma parcela da sua mão-de-obra (IPCA) e dívida (IGPM); CDI e TJLP, que indexam suas dívidas; o PIB, que influencia sua demanda; e assim por diante. Digamos que para cenário otimista da combinação destas variáveis a empresa chegue ao final do ano com R$ 40 milhões de resultado; em cenário menos otimista, a R$ 20 milhões.

A Gestão de Riscos Financeiros (GRF) vem sendo implantada há pouco tempo nas grandes empresas que estão hoje em diferentes níveis quanto a seus programas. Elas diminuem o custo de estresse, melhoram custo de captação, otimizam tributos e oferecem políticas a fornecedores e clientes na sua supply chain num ambiente em que já tem capacidade de diversificação na sua cadeia de produção. Pequenas e médias empresas (com faturamento em média até R$ 100 milhões anuais) não têm a mesma facilidade de diversificar fornecedores e clientes geograficamente e, portanto, o risco cambial; processos de fabricação (commodities) e fontes de financiamento, etc. Além disso, o seu principal stakeholder tem nesta empresa o seu principal investimento e assim alto perfil de concentração de risco.

O acesso a instrumentos financeiros, tais como: opções, swaps e futuros é viável, pode ser usado pelas PME. Uma opção de venda de dólar a R$ 2,40 pode, por exemplo, ser meio barato de proteção. Conforme a taxa de câmbio vai caindo, esta opção inicialmente pouco sensível a variações vai ficando cada vez mais valiosa, permitindo ao comprador da proteção um ganho que compensa a perda na venda de seu produto comercial na moeda americana. E ainda permite que se aproveite a alta da moeda, caso aconteça, na venda do produto, situação em que a opção vira "pó".

Inevitavelmente, a gestão de riscos financeiros será cada vez mais mandatória num país que se internacionaliza, enfrenta concorrência mundial e conta com um mercado financeiro eficiente.

Fonte
CAROLLO, José Renato. Pequena empresa e risco financeiro. Disponível em: <http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=207450>.

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