segunda-feira, 23 de abril de 2012

Investimento público 1995 a 2011

Um dos maiores desafios ao crescimento econômico do Brasil é o aumento da taxa de investimento, em especial, o aumento do investimento público. É consenso entre analistas dentro e fora do governo que, apesar do crescimento da carga tributária de 25% do PIB para 36% do PIB de 1992 a 2011, o nível do investimento público no Brasil não aumentou de forma consistente e, recentemente, parece que batemos na barreira de 1,3% do PIB (investimento público em 2010).

Tentei fazer um histórico do investimento público do governo federal desde 1995 e chegeui ao gráfico seguinte. Os dados foram construidos da seguinte forma. De 1995 a 2000, utilizei os dados do investimento liquidado mais restos a pagar não processados pagos a partir dos Relatórios Resumidos da Execução Orçámentária (RRO) do Governo Federal. De 2001 a 2011 utilizei os dados do investimento pago do Siga Brasil e SIAFI. Trabalhei apenas com GND-4 e, assim, os dados são um pouco menores do que os dados oficiais que incluem inversões financeiras (GND-5). O resutado é aquele mostrado no gráfico abaixo.

Investimento Público do Governo Federal- 1995-2011 – % do PIB
OBS: exclui estatais. Elaboração: Mansueto Almeida

Desde a segunda metade dos anos 90, o investimento público aumentou muito pouco. Por exemplo, de 1997 a 2011, a arrecadação federal bruta aumentou 7 pontos do PIB; passou de 16,93% do PIB para 23,91% do PIB. Neste mesmo período o investimento público do governo federal passou de 0,94% do PIB para 1,01% do PIB.  Para onde foi então esse aumento de arrecadação federal? Eis a resposta: (i) crescimento do superávit primário = 2,6 pontos; (ii) crescimento das transferências para estados e municípios = 1,5 pontos; (iii) 1,8 pontos foi crescimento das despesas do INSS;  (iv) 1 ponto do PIB foi para gastos sociais; e (v) 0,12 do PIB foi crescimento da despesa com pessoal e investimento público.

A unica forma de aumentar o investimento público, sem aumentar mais ainda a carga tributária, é controlando o crescimento das despesas para que, ao longo dos anos, a despesa primária (% do PIB) seja reduzida e essa economia transformada em maior investimento público. É claro que o aumento das concessões para que o setor privado faça parte do investimento faz parte também da solução.

Não há porque o crescimento do gasto primário na próxima década ser equivalente ao da década anterior. É preciso agora o debate sair da questão da cobertura dos gastos sociais para a qualidade dos gastos. O problema é que todos os anos criamos novos programas com custo elevado e, assim, nunca esse esperado controle do crescimento do gasto primário se materializa.

blog do Mansueto

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