Competitividade é um termo cujo uso
tem sido crescente no Brasil e vem acompanhado pelo bom desempenho
macroeconômico demonstrado pelo país nos últimos anos. Basta recordar da
rápida superação do nosso país em relação aos vizinhos
latino-americanos e dos europeus para sair da crise do crédito sub prime
que teve início nos Estados Unidos em 2008, perdurando até 2010, sem
falar do maior controle das contas públicas nos últimos 18 anos e das
demais ferramentas de política econômica vigentes.
O que mais chama a atenção é o
desafio para o qual o país foi lançado, o de melhorar a competitividade
dos produtos nacionais para enfrentar os seus similares internacionais.
Mais do que isso, a própria competitividade interna, ou intra regional,
tem sido crescente, e as praças regionais, nesse caso, nada podem fazer
para proteger suas mercadorias senão adotar outras possibilidades que
independam de estruturas e ferramentas macroeconômicas.
Isso leva a crer que descontando
as ferramentas de política econômica tradicionais - monetárias, fiscais
e cambial -, o desempenho competitivo fica restrito à ótica da
microeconomia neo-clássica, que compreende competitividade através das
formas que levam à maximização e obtenção de lucros crescentes ao longo
do tempo, e as quais aqui denomino pilares do desempenho competitivo.
Os três pilares competitivos na microeconomia neo-clássica
Sem
tomar em consideração nessa formulação plana de base econômica
tradicional outras variáveis importantes e advindas de diferentes áreas
do conhecimento, como aspectos sensoriais, espaciais, psicológicos e
culturais, por exemplo, os pilares da competitividade ficariam
condicionados à: (1) estratégia, (2) técnica e (3) gestão.
Em mercados altamente
competitivos, a diferenciação de um produto, ou de uma solução, advém da
identificação e posterior adoção de opções estratégicas viáveis ao
negócio. Em outras palavras, trata-se de verificar as exigências
requeridas pelos clientes mais rigorosos, que costumam ditar as
tendências de consumo futura e, em seguida, identificar como empresas
que já desenvolvem alguma solução dentro da estratégia estão se saindo
nos mercados em que atuam. Uma espécie de benchmarking para comprovação da eficiência da entratégia em si.
Identificada a estratégia, o
próximo pilar para sustentar a competitividade de uma empresa é o da
capacidade técnica. Isso quer dizer que de nada vale adotar uma boa
estratégia de negócio se o empreendimento não estiver em condições, ou
não dotar da competência técnica para desenvolvê-la. Se vender um bolo
de trufas de chocolate especial é uma estratégia, a empresa terá que
contar com um bom confeiteiro para produzi-lo, ou então terá que
contratar esse serviço de um terceiro, sem que para isso, possa deixar
de contar com o fator técnico necessário a implementá-la.
Construídos os pilares técnico e
estratégico, a competitividade do empreendimento só estará completa se a
empresa incorporar processos de gestão aos seus negócios, sendo
necessário para isso incorporar em sua estrutura ferramentas de gestão
financeira, de marketing e comunicação, jurídico e de pessoas. Caso a
empresa não tenha bem controlado seus custos, seu relacionamento com
clientes e sua relação com funcionários e fornecedores, por exemplo,
será inútil ter um bom confeiteiro que saiba fazer um bolo gostoso de
trufas de chocolate, pois o preço final do bolo será tão alto que
dificilmente um cliente poderá comprá-lo.
Observando os acontecimentos e
histórias de empresários com que tenho a oportunidade de conversar no
dia a dia, penso nas suas empresas e empreendimento retratando a
veracidade da formulação teórica baseada nesses pilares. Não basta,
contudo, ficar atento apenas ao nível da empresa para dentro, mas é
igualmente necessário pensar nela por fora, à partir do fortalecimento
do ambiente de negócios e do relacionamento junto a sociedade. O desafio
da competitividade é grande não só para o país, mas sobretudo para os
empresários em seu conjunto e na sua individualidade.
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