Burocracia atrapalha medidas de combate à seca
Agricultores
perdendo toda a produção, pecuaristas vendendo o gado a preço de banana.
Desespero dos gestores. Essa é a situação atual do interior do Rio Grande do
Norte, onde os municípios passam por um momento de estiagem. Pelo menos 139 das
167 cidades do Estado já declararam estado de emergência. De acordo com o
presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Benes
Leocádio (PMDB), há excesso de burocracia para a
liberação dos recursos destinados a amenizar os efeitos da seca.
Benes leocádio disse, em entrevista ao Diário de Natal, direto de Brasília,
onde se encontra participando da 15ª Marcha dos Prefeitos, que a situação de
emergência não pode esperar até que a burocracia seja vencida para ser
resolvida. "A situação é de calamidade, como todo mundo já sabe. Os
municípios passam por uma situação crítica. A preocupação é com as medidas
tomadas para resolver os problemas. Existe um excesso
de burocracia que atrapalha na liberação de recursos. As pessoas que
estão na zona rural precisando de um carro-pipa não podem passar um mês
esperando sair a liberação", reclamou.
Leocádio enfatizou que a urgência nas providências para
amenizar os prejuízos da estiagem é o principal pleito dos prefeitos nesta
área. Mas, destacou também que o governo do estado e o Planalto têm se
mobilizado para atender os municípios. Ele informou que amanhã será realizada
uma reunião dos gestores municipais com o Banco do Nordeste para debater a
liberação de recursos para as cidades em estado de emergência. O presidente da
Femurn cobrou que o Exército volte a fornecer água por meio dos carros-pipa,
que, segundo ele, estão parados há dois meses.
Além da burocracia rotineira, os municípios potiguares em estado de emergência
enfrentarão mais um problema para viabilizar os recursos. De acordo com lei sancionada neste ano, só poderão receber o
dinheiro as prefeituras que criarem suas respectivas coordenadorias de Defesa
Civil. Até o momento, pouco mais de 20% das cidades em emergência se
regularizaram. "Essa lei foi criada neste ano. Não temos como regularizar
a situação da noite para o dia. Os municípios estão providenciando os
requisitos necessários", assegurou.
[a falta da defesa civil e/ou planejamento dos municípios são os
maiores responsáveis pela situação, visto que a seca não é como um terremoto,
foi-se consolidando e os gestores, com exceções, com ‘cara de paisagem’
esperando a coisa ficar ainda mais feia para decretar emergência e JUSTIFICAR TUDO...]
Enquanto os prefeitos cobram urgência na liberação, o
Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas da União (TCU)
estarão atentos para a fiscalização do uso dos recursos destinados aos
municípios em estado de emergência. Os órgãos informaram que atuarão em
conjunto, com o objetivo de evitar que o dinheiro público seja desviado de sua
finalidade. Os recursos provenientes dos governos federal e estadual terão
destinação específica para obras de combate à seca e não poderão ser desviados
para outras atividades, principalmente para contração de bandas e de cantores
famosos na época dos festejos juninos.
Diário
de natal
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