Uma nova CPI do Pus
Magdala Domingues Costa
Na sexta feira, 5 de agosto de 2011, Sebastião Nery publicou uma de
suas incisivas colunas e eu o cumprimentei pelo realismo da mesma.
Denominava-se “A CPI do Pus”.
Vendo a expressiva foto publicada na matéria “Sorriso de Marcio Thomaz
Bastos, ao lado de Cachoeira, era imoral… “, acorre-me agora à lembrança o
célebre romance de Victor Hugo escrito em 1869, “O homem que ri”.
Herdeiro de um ducado, Gwynplaine é seqüestrado quando garoto e, por ordem
do rei, desfigurado. Fica com o rosto esculpido num perpétuo sorriso macabro.
Vira atração de circo e torna-se um famoso palhaço.
Anos depois foi concebido o “Coringa”, arquiinimigo de Batman, inspirado
nessa trágica novela, que nos nossos tristes trópicos exóticos se materializa
com perfeição inusitada.
Não sei bem se a vida imita a arte ou é o contrário, o fato é que a face
deste Gwynpline tupiniquim ficou deformada pelo hábito. Exibe o sorriso
deformado de “Coringa” na “CPI do Pus”, com a elegância de quem está acostumado
à amoralidade de atos corriqueiros, abonados por uma tal de “justiça”, cujas
leis interpreta à sua maneira.
Causa asco a todas as pessoas decentes que o confrontem. O Circo está
armado, “o homem que ri” exibe a face deformada pela habitual falta de
escrúpulos que lhe é peculiar no exercício de sua rendosa profissão, e a deformação
estampada no sorriso macabro não consegue ocultar os sombrios desígnios de sua
conhecida “esperteza”, enquanto o “protegido”, parece-me, com um resquício de
pejo, desvia o olhar.
A purulência que jorrará em cachoeiras será apenas mais um “acidente de
percurso” na carreira de alguém tão habituado a defender “causas” justas, como
as enumeradas em um outro e-mail:
“Quando ministro da Justiça, Marcio Tomaz Bastos, fazia questão da
progressão de pena para bandidos; lutou para que a Lei de Crimes Hediondos
fosse alterada para favorecer aos bandidos; mesmo a contragosto da população,
sempre foi a favor do desarmamento da população de bem e do cancelamento de
todos os registros de armas, adquiridas legalmente, e da anulação dos portes já
concedidos; era contra os proprietários rurais se defenderem de invasões;
afirma que o mensalão nunca existiu etc.”
Que esse patético títere prosssiga em sua vitoriosa carreira, a exibir-se
com sucesso, mambembando para a platéia de anões morais iguais a si mesmo, que
são a sua claque.
O Brasil que presta, claro, lamenta tanto cinismo.
TRIBUNA DA IMPRENSA
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