Verbas previstas para custeio da saúde não são repassadas
O orçamento para custeio aprovado e divulgado no site do Governo do
Estado prevê uma verba de aproximadamente R$ 22 milhões mensais para a
saúde pública potiguar. Entretanto esses valores não vêm se confirmando
na prática. Segundo o membro da mesa diretora do Conselho Nacional de
Saúde, Francisco Junior, repasses muito inferiores ao valor aprovado vem
sendo feitos, o que pode justificar o desabastecimento e outros
problemas nas unidades da rede pública de saúde.
As informações foram
dadas ontem em reunião na manhã de ontem entre o Ministério Público
Estadual (MPE) e representantes do Fórum Estadual dos Conselhos
Profissionais de Saúde (Fesarn), Defensoria Pública, Conselho Estadual
de Saúde, UFRN e OAB para discutir sobre a crise da saúde pública.
No
primeiro momento, colegiado e MPE querem trazer a Secretaria Estadual
do Planejamento e das Finanças do RN (Seplan) para as mesas de discussão
a fim de compreender o porquê do orçamento de custeio previsto não
estar sendo posto em execução. Francisco Junior diz que o Conselho
Nacional de Saúde vem acompanhando a situação em que se encontra a saúde
pública no RN e percebe que "há um sentimento generalizado de que a
crise chegou em um ponto muito grave, quase insustentável".
De
acordo com o membro do CNS, de imediato, foi constatado que nos meses de
janeiro e fevereiro não houve repasses de orçamento para custeio na
pasta da saúde. Em março, o valor foi de R$ 14,210 milhões, em abril R$
11,644 milhões e neste mês foram repassados R$ 6,201 milhões. Os valores
destacados por Francisco Junior revelam uma considerável diferença
entre valores orçados e encaminhados ao custeio dos hospitais públicos
que o MPE e o colegiado pretendem investigar.
Francisco Junior
diz que "as vísceras da administração pública têm que ser expostas", no
sentido de que os problemas atuais da saúde são muito mais profundos e
que os conselhos e MPEs compreendem a importância de se ter essa
realidade revelada a fundo.
Num segundo momento, estão previstas
auditorias na folha de pagamentos da Secretaria Estadual de Saúde
Pública (Sesap), nas escalas de plantão nos hospitais, bem como avaliar a
relação público-privado que vem apresentando custos elevados aos cofres
públicos. Outros temas debatidos na reunião no MPE, foi a necessidade
de se promover não só ações conjuntas entre os demais envolvidos com o
tema, mas também propor movimentos políticos suprapartidários que tragam
estratégias para sanar os problemas que a saúde vem enfrentando.
Estratégia
Foi
posto em pauta também, convidar parlamentares para as reuniões com a
promotoria da saúde e conselhos regionais para que eles possam
compreender a gravidade da situação, bem como contribuir com a criação
de políticas públicas que melhorem a realidade na população que faz uso
da rede pública de saúde.
Segundo a assessoria do Conselho Regional de
Enfermagem (Coren-RN), uma nova estratégia discutida na reunião é de que
a Promotoria da Saúde passe a agir junto às secretarias governamentais,
devido a agenda lotada da chefe do executivo estadual, que compromete o
avanço do processo de ações previstas para a pasta da saúde.
Segundo
fonte do Diário de Natal, a ideia da promotoria de saúde é buscar
soluções e novos encaminhamentos junto às secretarias estaduais de
Tributação e de Planejamento inicialmente, já que levantamento prévio
feito pelo MPE no último trimestre de 2011 constatou uma folha de
pagamentos cheia e onerosa e, em contrapartida, atendimento precário à
população, desabastecimento de hospitais e prestadores de serviço com
pagamentos atrasados. Uma nova reunião entre o executivo estadual e MPE
está para ser confirmada, mas ainda não há previsões.
Segundo
avaliação da presidente do Coren-RN e coordenadora do Fesarn, Alzirene
Nunes, a crise na saúde pública já se tornou algo perene, mas vem
piorando nos últimos tempos. "Precisamos dar as mãos para contribuir com
a mudança gradativa dessa realidade", diz Alzirene. Tanto a presidente
do Coren-RN quanto o membro do Conselho Nacional de Saúde, Francisco
Junior, dizem perceber algumas mudanças, embora pequenas, como a
nomeação pela Sesap de alguns concursados da saúde na última semana.
"Poucos concursados foram convocados, mas já é um começo", diz
Francisco.
Diário de natal
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