dívida de Estados e Municípios com a União: proposta de negociação
O
Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados responsável pela análise das
dívidas de Estados e Municípios com a União aprovou um relatório de
renegociação. A proposta, apresentada na quarta-feira, 30 de maio,
sugere duas proposições: uma altera a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) para permitir a renegociação dos débitos, pois atualmente isso é
proibido pelo artigo 35 da Lei. E a segunda adota um novo índice de
reajuste da dívida.
Terá
de ser criado um projeto de lei complementar que altere a Lei
9.496/1997, que trata das dívidas dos Estados, e as medidas provisórias
2.185/2001 – que trata das dívidas dos Municípios - e a 2.192/2001, da
dívida dos Estados com o programa de socorro aos bancos estaduais.
No
caso do reajuste do índice, tramita um substitutivo ao Projeto de Lei
(PL) 1.675/2011. De acordo com o PL, a nova correção seria pelo Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais juros de 2%. Os débitos são
corrigidos atualmente pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade
Interna (IGP-DI) mais 6% a 9% de juros. Porém, há também no projeto a
possibilidade do reajuste ser feito pela Selic – taxa básica de juros -,
quando essa for menor que o IPCA.
Comprometimento de receita
Um
benefício sugerido no relatório trata do comprometimento da Receita
Líquida Real (RLR) dos Estados e Municípios com o pagamento das parcelas
mensais da dívida - hoje varia de 11,5% a 15%. Os governadores e
prefeitos poderão negociar esse porcentual. Houve a apresentação por
parte de dois integrantes do Grupo, deputados Vitor Penido (DEM-MG) e
Lincoln Portela (PR-MG), para fixá-lo em 9%, mas no final a decisão foi
deixar que cada caso seja negociado.
Retorno aos Estados
Segundo
relatório do Grupo, 50% do que for pago pelos Estados devem voltar aos
cofres estaduais para investimentos em obras a serem escolhidas em
conjunto com o governo federal. Infelizmente esse retorno não beneficia
também os Municípios.
A
regra é clara, o Estado paga os débitos com a União em um ano e no
seguinte recebe metade de volta. O regresso do que for pago será
distribuído por meio do Fundo de Investimentos em Infraestrutura nos
Estados e no Distrito Federal (FIIE), com criação prevista no PL
1.675/2001.
Segundo passo nas negociações
Castro Júnior - Ag. Câmara
Após
as primeiras reuniões que resultaram no relatório, o Grupo coordenado
pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) quer agora discutir o documento
com os governos federal, estadual e municipal. Ele busca um consenso
entre as propostas apresentadas e deve pedir ao presidente da Câmara,
deputado Marco Maia (PT-RS) a realização de uma Comissão Geral.
Para
o autor do PL 1.675/2011, deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), há esperanças
de que a União aceite negociar. “Sinto sinais do governo nessa direção,
de que precisa facilitar mais a vida dos Estados para ter mais
investimentos. O País não vai conseguir enfrentar as crises
internacionais se não facilitar a vida de Estados e Municípios para
aplicação em infraestrutura”, afirmou.
O
relatório será avaliado pelo presidente Marco Maia e pelos líderes
partidários. O montante total da dívida de Estados e Municípios é de R$
438 milhões – valor calculado em março deste ano. O motivo dos débitos
são fatores diferentes, ou seja, cada ente deve por um motivo.
Da Agência CNM com informações da Agência Câmara.
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