Economia brasileira 2012.
LUIZ CARLOS DELORME PRADO,
professor do Instituto de Economia da UFRJ e Ph.D em economia pela Universidade
de Londres, escreveu esta análise especialmente para a FOLHA DE S. PAULO.
O Brasil não é uma ilha, e a
crise econômica mundial chegou ao país.
A desaceleração da economia
brasileira tem duas causas: as ondas de choque da crise econômica internacional
e a combinação dos efeitos domésticos da menor expansão do consumo das famílias
e da queda dos investimentos públicos e privados.
A crise mundial começou com o
crash do mercado imobiliário norte-americano (a crise do "subprime",
hipotecas de alto risco) e alcançou a Europa. Afetou, inicialmente, o mercado
financeiro e depois as contas públicas dos países mais vulneráveis.
Numa segunda fase, a crise vem
ameaçando a existência do euro, mas também levou à desaceleração do crescimento
dos Brics, embora de forma diferenciada.
O Brasil respondeu com sucesso à
crise nos EUA depois do crash de 2008, com o aumento do consumo doméstico. O
aumento da classe média, em decorrência do crescimento econômico e das
políticas sociais do governo, favoreceu essa resposta.
Após as famílias terem respondido
aos estímulos do governo com grande expansão do consumo -em parte, desperdiçado
com uma taxa de câmbio sobrevalorizada-, o endividamento das famílias ficou
elevado para as condições brasileiras.
Segundo dados do Banco Central,
o estoque de crédito atual é de R$ 2,136 trilhões (maio de 2012), tendo
alcançado 50,1% do PIB. Portanto, não há muita margem de crescimento por esse
lado.
No momento, não é possível
recuperar o crescimento econômico, a curto prazo, por meio de aumento do
consumo privado. Resta o aumento do investimento.
O governo tenta aumentar o
investimento privado por meio da redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo
Prazo), reduzindo o custo dos empréstimos do BNDES.
A resposta a esse estímulo,
porém, dificilmente será suficiente para produzir efeitos significativos na
economia.
O governo não tem, portanto,
outra alternativa a não ser aumentar o gasto público.
As cidades brasileiras precisam
de investimento em transporte de massa, há carência de investimento em
saneamento, necessidade de reformar e ampliar as estradas e os portos no
Brasil. Por diversas razões, no entanto, o governo não tem conseguido aumentar
o investimento de sua responsabilidade.
Como última saída, decidiu-se
realizar gastos de curto prazo na aquisição de bens e serviços. Segundo a
Folha, o governo aumentará as compras em R$ 8,4 bilhões este ano -comprará
tratores, ambulância, trens, ônibus etc.
A medida é bem-vinda e
necessária. Mas muito pouco e muito tarde.
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