Como fazer para preservar o
equilíbrio econômico individual da inflação e outros imperativos dos momentos
atuais?
Para
isto só haveria uma resposta cabal e sensata: produzindo-se dez se obtém, por
exemplo, vinte, e desses vinte nossa contribuição individual há de ser dez,
significará que nossa produção se desvalorizou como se produzíssemos cinco e
obtivéssemos dez. A solução estribaria, pois, em produzir vinte para obter
quarenta. Deste modo o orçamento individual não se afetaria e se haveria oposto
a diminuição do haver que eventualmente se produzisse.
Visto
de outra maneira: se o que antes vivia sem dificuldades com cem reais mensais,
hoje acontece que esses cem reais se reduziram à metade pelo aumento dos
preços, o lógico é que se preocupe por aumentar sua receita produzindo mais,
vale dizer, trabalhando mais; e se não pode fazê-lo dentro de sua ocupação
habitual, deverá realizá-lo fora dela. Pensamos que isto é mais racional que
padecer miséria ou se entregar nos braços do desespero sem fazer nada para
resolver a situação apresentada.
O
essencial está em que ninguém deixe de compreender que as épocas de descanso e
de vida fácil terminou, e que no trabalho fecundo e na mútua colaboração reside
o segredo para levantar os espíritos de sua prostração, voltando os homens à
realidade de uma conduta superior que redundará inegavelmente em benefícios de
toda espécie.
A
redução constante de horas de trabalho na época pré-bélica, ou seja no período
que precedeu à guerra atual (refere-se à Segunda Grande Guerra Mundial), trouxe
consigo a anarquia mental e moral; mental, porque deu lugar a que se
manifestasse em constante aumento a rebeldia contra as normas imperantes da
organização do trabalho, e moral, porque a maior descanso maiores oportunidades
também para o fomento do vício e das idéias dissolventes.
Essa
rebeldia se exteriorizava, deste modo, para quanto significara superação das
atitudes individuais. O lema que pareceu tomar força no velho continente, e
ainda em muitos outros lugares do mundo, foi o de esperar tudo dos demais sem
colocar em absoluto do próprio. E assim, enquanto se mesquinhavam os esforços
individuais diminuindo a colaboração na organização do trabalho, do que
dependia o bem-estar e o sustento da família, se ia produzindo e acentuando um
mal estar que não pode conduzir a nada construtivo, porém sim a que as
correntes extremistas, que se achavam em constante espreita, engrossassem suas
fileiras com os descontentes. Este foi o processo que levou a tantos a perder a
própria liberdade, a honra e, em especial, essa soberania de espírito que tão
necessária lhe é ao ser humano para poder chamar-se homem ou mulher.
Todas
as leis existentes surgiram da sabedoria universal e por isso são inalteráveis
e eternas. A lei de evolução põe frente ao homem a imagem de todos os tempos,
oferecendo-lhe minuto após minuto a oportunidade de redimir suas faltas,
corrigir seus erros e melhorar suas condições até a mais alta expressão de
perfeição. Assim, pois na existência física ditas leis demonstram que a
igualdade há de ser conceber ascendendo pelo aperfeiçoamento, igualando as
condições dos demais à medida que se alcancem as posições em que se encontram
aqueles com quem se aspira a se igualar; para isso será mister redobrar o
esforço pessoal, realizando e alcançando pelos próprios méritos, pelo trabalho
e pela decisão, o que represente o fruto de uma conquista individual. Do
contrário, toda melhora equivaleria a uma esmola recebida, já que colocará o
ser em uma situação que não lhe corresponde por mérito. Daí que as exigências
de melhoras sem que exista a contribuição do empenho pessoal, sejam
improcedentes.
Compreender,
também, que se com o esforço pessoal se supera uma situação alcançando outra
melhor, será necessário saber conservá-la preparando seu espírito, quem a haja
conquistado, para dar um novo passo para adiante, quando a oportunidade seja
propícia. Se o que jamais teve em suas mãos uma bolsa de ouro, a recebe
inesperadamente de mãos de outro sem ter nenhuma preparação acerca de como deve
conservar e utilizar esse ouro, pouco tempo haverá de durar-lhe; entretanto, se
esse mesmo ouro chega a mãos de quem está preparado para fazer bom uso dele,
que bem poderia ser o mesmo que citamos no primeiro caso, preparado já para tal
fim porquanto logrou superar suas condições e qualidades realizando esforços
cujos resultados lhe protegeram contra a inconsciência e a ignorância, ambos
compreenderão o que esse ouro significa em seu poder e conhecerão o valor do
que foram capazes de fazer. Mas quando isto não se quer fazer, quando
encolhendo-se os ombros o agraciado pela bolsa de ouro se dispõe a gastá-la ao
seu capricho, a realidade logo se faz presente para mostrar uma vida fracassada
que malogrou uma oportunidade.
A
necessidade ou o dever de se conservar o que se tem
Por
estas reflexões facilmente se compreenderá quão importante é que exista em
todos a necessidade de se conservar cada estado superior que vão alcançando.
Geralmente, os demais se deixam levar pela situação que lhe produz o triunfo, e
a alegria que desperta neles a transição a um novo estado, seja da índole que
for, lhe faz esquecer o dever ou a necessidade, como dissemos, de conservá-lo.
Como
conservar o que se tem
Saber
que "todo estado que se transcende é a base em que se apoiarão as futuras decisões,
os futuros esforços e as perspectivas de um novo avanço no melhoramento das
condições individuais".
Fonte
CHAGAS, Marco Aurélio Bicalho de Abreu. A inflação. Disponível em:
<http://www.buscalegis.ufsc.br/arquivos/A_inflacao.html>.
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