quinta-feira, 12 de julho de 2012

nordeste: 500 anos depois

Por: Fernando Dias

Passados 500 anos da ocupação do Nordeste com o primeiro grande negócio industrial das Américas, o açúcar, o setor ainda exibe o mesmo padrão secular de sazonalidade na produção e no emprego. Como pode ser observado seguir, comparando o comportamento do emprego industrial no Nordeste com o do Brasil para os últimos 12 anos (IBGE), a sazonalidade no Nordeste contrasta fortemente com o padrão do emprego nacional.




Estes resultados podem sugerir inclusive que os padrões de salário real no Nordeste, ao menos na indústria, devem acompanhar o padrão sazonal das contratações. Os dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salários (PIMES/IBGE) não dão suporte a esta hipótese e, de fato,  no que se refere a salário real o Nordeste acompanha o padrão do resto do Brasil.




Os picos no Nordeste tendem a ser um pouco mais elevados, ocorrendo sempre no mesmo período que no Brasil. Também não há relação aparente com os picos de pessoal ocupado e isto sugere a existência de reserva de mão-de-obra que é capaz de absorver os choques regulares na demanda de mão-de-obra industrial. A ocorrência dos picos de contratação coincide com os períodos de pico da atividade sucroalcooleira que, ao que tudo indica, ainda responde por boa parte da dinâmica da indústria nordestina.

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