Por: Fernando Dias
Passados
500 anos da ocupação do Nordeste com o primeiro grande negócio
industrial das Américas, o açúcar, o setor ainda exibe o mesmo padrão
secular de sazonalidade na produção e no emprego. Como pode ser
observado seguir, comparando o comportamento do emprego industrial no
Nordeste com o do Brasil para os últimos 12 anos (IBGE), a sazonalidade
no Nordeste contrasta fortemente com o padrão do emprego nacional.
Estes
resultados podem sugerir inclusive que os padrões de salário real no
Nordeste, ao menos na indústria, devem acompanhar o padrão sazonal das
contratações. Os dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e
Salários (PIMES/IBGE) não dão suporte a esta hipótese e, de fato, no que se refere a salário real o Nordeste acompanha o padrão do resto do Brasil.
Os
picos no Nordeste tendem a ser um pouco mais elevados, ocorrendo sempre
no mesmo período que no Brasil. Também não há relação aparente com os
picos de pessoal ocupado e isto sugere a existência de reserva de
mão-de-obra que é capaz de absorver os choques regulares na demanda de
mão-de-obra industrial. A ocorrência dos picos de contratação coincide
com os períodos de pico da atividade sucroalcooleira que, ao que tudo
indica, ainda responde por boa parte da dinâmica da indústria
nordestina.
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