quinta-feira, 12 de julho de 2012

Religião e Capitalismo

Por Carlos Magno Lopes

Max Weber, em um de seus inúmeros clássicos, Die protestantische Ethik und der 'Geist' des Kapitalismus, escrito no início do Século XX, expressa uma teoria segundo a qual o desenvolvimento inicial do capitalismo, em países como a Alemanha e a Inglaterra, resultou, em larga extensão, da incorporação da ética protestante como inspiradora do comportamento econômico racional, além de atribuir ao trabalho e à geração de riqueza virtudes morais, pessoais e espirituais, ao invés de promover o assistencialismo aos pobres e desvalizados como a valor espiritual máximo, como de certa forma propõe o catolicismo. 

A prosperidade econômica também tem sido, ao longo do tempo, associada aos judeus. De fato, muitos dos magnatas ligados ao mercado financeiro internacional são judeus e muitos dos milionários mundo afora também o são. Associá-los à religião que professam, portanto, não é uma tarefa especialmente difícil. Se, de fato, há fundamento doutrinário no judaísmo que sustentem que a acumulação de riqueza é um bem espiritual, é uma outra história.


Dados recentes do Censo 2010, recentemente divulgados pelo IBGE, podem representar a inclusão de uma outra doutrina religiosa entre as que, de uma forma ou outra se associam ao sucesso econômico. Com efeito, segundo dados do Censo, entre as classes de rendimento acima de cinco salários mínimos, os espíritas representam 19,7%, enquanto os católicos (55.8%) estão concentrados na faixa de até um salário mínimo. A teoria de Weber, contudo, não resiste ao Censo 2010, porquanto os evangélicos petencostais constituem-se no maior grupo com rendimento de até um salário mínimo (63,7%).


A questão, portanto, é tentar entender a razão pela qual os espíritas de destacam do ponto de vista do bem-estar econômico. Ao que parece, não há princípios na doutrina espírita que eleve o ser humano à uma condição de superioridade espiritual e moral que dependa de sua riqueza pessoal. As explicações para esse fenômeno nada têm de sobrenatural. Na realidade, é entre os espíritas que existe o maior número de indivíduos com curso superior (31,5%), os menores índices de pessoas sem instrução (1,8%), com ensino fundamental incompleto (15%), além de apenas 1,4% declarem serem analfabetas.


O Censo 2010, portanto, não leva à conclusão de que professar determinada religião conduz à prosperidade material enquanto as demais representam um “road map” infalível para a pobreza. O que o Censo mostra é que a educação é libertadora! A educação salva!

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