Religião e Capitalismo
Por Carlos Magno Lopes
Max Weber, em um de seus inúmeros clássicos, Die protestantische Ethik
und der 'Geist' des Kapitalismus, escrito no início do Século XX,
expressa uma teoria segundo a qual o desenvolvimento inicial do
capitalismo, em países como a Alemanha e a Inglaterra, resultou, em
larga extensão, da incorporação da ética protestante como inspiradora do
comportamento econômico racional, além de atribuir ao trabalho e à
geração de riqueza virtudes morais, pessoais e espirituais, ao invés de
promover o assistencialismo aos pobres e desvalizados como a valor
espiritual máximo, como de certa forma propõe o catolicismo.
A
prosperidade econômica também tem sido, ao longo do tempo, associada aos
judeus. De fato, muitos dos magnatas ligados ao mercado financeiro
internacional são judeus e muitos dos milionários mundo afora também o
são. Associá-los à religião que professam, portanto, não é uma tarefa
especialmente difícil. Se, de fato, há fundamento doutrinário no
judaísmo que sustentem que a acumulação de riqueza é um bem espiritual, é
uma outra história.
Dados recentes do Censo 2010, recentemente divulgados pelo IBGE,
podem representar a inclusão de uma outra doutrina religiosa entre as
que, de uma forma ou outra se associam ao sucesso econômico. Com efeito,
segundo dados do Censo, entre as classes de rendimento acima de cinco
salários mínimos, os espíritas representam 19,7%, enquanto os católicos
(55.8%) estão concentrados na faixa de até um salário mínimo. A teoria
de Weber, contudo, não resiste ao Censo 2010, porquanto os evangélicos
petencostais constituem-se no maior grupo com rendimento de até um
salário mínimo (63,7%).
A questão, portanto, é tentar entender a razão pela qual os
espíritas de destacam do ponto de vista do bem-estar econômico. Ao que
parece, não há princípios na doutrina espírita que eleve o ser humano à
uma condição de superioridade espiritual e moral que dependa de sua
riqueza pessoal. As explicações para esse fenômeno nada têm de
sobrenatural. Na realidade, é entre os espíritas que existe o maior
número de indivíduos com curso superior (31,5%), os menores índices de
pessoas sem instrução (1,8%), com ensino fundamental incompleto (15%),
além de apenas 1,4% declarem serem analfabetas.
O Censo 2010, portanto, não leva à conclusão de que professar
determinada religião conduz à prosperidade material enquanto as demais
representam um “road map” infalível para a pobreza. O que o Censo mostra
é que a educação é libertadora! A educação salva!
Nenhum comentário:
Postar um comentário