A Petrobras e o Nordeste
Por Carlos Magno Lopes
A Petrobras acaba de anunciar seu Plano de Negócios 2012-2016. Uma de
suas principais novidades é o adiamento dos prazos para conclusão das
Refinarias Premium I (Maranhão), Premium II (Ceará) e Abreu e Lima (PE),
sob o argumento de que essas plantas precisam ser revistas, porquanto
seus custos, cronogramas e o detalhamento dos projetos devem ser
minuciosamente reavaliados.
Era de se esperar que uma das maiores petroleiras do mundo, como a
Petrobras, da mesma forma que suas coirmãs, as multinacionais Exxon,
Shell e Chevron, antes de iniciar um empreendimento do porte dessas
refinarias realize meticulosos projetos de engenharia que permitam
dimensionar os custos e cronogramas com relativa precisão. Para consolo
dos estados prejudicados, nenhum desses projetos será retirado do Plano.
No entanto, das três refinarias apenas a Abreu e Lima, a única já
iniciada, com 55% das obras físicas concluídas, tem prazo de conclusão
previsto (novembro de 2014), pendente dentre outras questões da
participação da PDVESA, comandada pelo estadista bolivariano. Quanto às
demais refinarias, por ora, ficam no limbo.
Por trás da revisão do Plano de Negócios da Petrobras 2012-2016,
emergem dois fatos importantes. O primeiro e mais evidente deles
consiste na ineficiência gerencial da empresa, que levou adiante
projetos de engenharia falhos e, quando executados, como no caso da
Refinaria Abreu e Lima, sujeitos a supervisão pífia. Só assim é possível
explicar que os custos estimados iniciais do projeto tenha sido de USD
2,3 bilhões e que, depois de atualizados, alcancem a estrondosos USD
20,1 bilhões. É louvável que a própria Petrobras tenha humildemente
reconhecido seus erros já de domínio público e prometido mudanças.
Para ser mais transparente, contudo, a Petrobras deveria reconhecer e
tornar pública a segunda razão que levou ao adiamento dos cronogramas
das três refinarias nordestinas. Como se sabe, já a algum tempo, a
Petrobras tem esbarrado em sérias dificuldades para financiar a
exploração do pré-sal, não apenas devido às condições de instabilidade
do mercado financeiro internacional como também em função de
desconfianças quanto ao profissionalismo da gestão da empresa, uma vez
que partidarizada até em seus escalões inferiores. Com o
contingenciamento de recursos, a empresa teve de escolher entre o
financiamento do pré-sal e a ampliação da capacidade de refino.
Nada contra o pré-sal, muito pelo contrário, até mesmo porque ele
pode se tornar em uma importante fonte de financiamento do
desenvolvimento regional do Nordeste. Contudo, este é mais um caso que
ilustra a imperiosa necessidade de se rever práticas
político-administrativas atrasadas. A Petrobras, o Banco do Brasil e
demais empresas estatais não podem seguir os descaminhos da barganha
política. Afinal, os políticos e seus partidos passam, enquanto o
subdesenvolvimento do Nordeste fica.
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