domingo, 8 de julho de 2012

A Petrobras e o Nordeste

Por Carlos Magno Lopes

A Petrobras acaba de anunciar seu Plano de Negócios 2012-2016. Uma de suas principais novidades é o adiamento dos prazos para conclusão das Refinarias Premium I (Maranhão), Premium II (Ceará) e Abreu e Lima (PE), sob o argumento de que essas plantas precisam ser revistas, porquanto seus custos, cronogramas e o detalhamento dos projetos devem ser minuciosamente reavaliados.

Era de se esperar que uma das maiores petroleiras do mundo, como a Petrobras, da mesma forma que suas coirmãs, as multinacionais Exxon, Shell e Chevron, antes de iniciar um empreendimento do porte dessas refinarias realize meticulosos projetos de engenharia que permitam dimensionar os custos e cronogramas com relativa precisão. Para consolo dos estados prejudicados, nenhum desses projetos será retirado do Plano. No entanto, das três refinarias apenas a Abreu e Lima, a única já iniciada, com 55% das obras físicas concluídas, tem prazo de conclusão previsto (novembro de 2014), pendente dentre outras questões da participação da PDVESA, comandada pelo estadista bolivariano. Quanto às demais refinarias, por ora, ficam no limbo.

Por trás da revisão do Plano de Negócios da Petrobras 2012-2016, emergem dois fatos importantes. O primeiro e mais evidente deles consiste na ineficiência gerencial da empresa, que levou adiante projetos de engenharia falhos e, quando executados, como no caso da Refinaria Abreu e Lima, sujeitos a supervisão pífia. Só assim é possível explicar que os custos estimados iniciais do projeto tenha sido de USD 2,3 bilhões e que, depois de atualizados, alcancem a estrondosos USD 20,1 bilhões. É louvável que a própria Petrobras tenha humildemente reconhecido seus erros já de domínio público e prometido mudanças.

Para ser mais transparente, contudo, a Petrobras deveria reconhecer e tornar pública a segunda razão que levou ao adiamento dos cronogramas das três refinarias nordestinas. Como se sabe, já a algum tempo, a Petrobras tem esbarrado em sérias dificuldades para financiar a exploração do pré-sal, não apenas devido às condições de instabilidade do mercado financeiro internacional como também em função de desconfianças quanto ao profissionalismo da gestão da empresa, uma vez que partidarizada até em seus escalões inferiores. Com o contingenciamento de recursos, a empresa teve de escolher entre o financiamento do pré-sal e a ampliação da capacidade de refino.

Nada contra o pré-sal, muito pelo contrário, até mesmo porque ele pode se tornar em uma importante fonte de financiamento do desenvolvimento regional do Nordeste. Contudo, este é mais um caso que ilustra a imperiosa necessidade de se rever práticas político-administrativas atrasadas. A Petrobras, o Banco do Brasil e demais empresas estatais não podem seguir os descaminhos da barganha política. Afinal, os políticos e seus partidos passam, enquanto o subdesenvolvimento do Nordeste fica.

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