terça-feira, 28 de agosto de 2012

ALGODÃO ORGÂNICO

por Pedro Jorge B. F. Lima 
Teógenes Senna Oliveira

Porque Algodão Orgânico

 

As razões que determinaram a necessidade de se praticar uma agricultura ecológica, que resulte na produção em bases sustentáveis, estão diretamente relacionadas aos problemas ambientais causados pela agricultura convencional e ao interesse de um contingente cada vez maior de pessoas que, nos mais diversos países, buscam melhorar sua qualidade de vida, consumindo alimentos e outros produtos livres de resíduos químicos.

Como é sabido, os graves problemas ambientais provocados pela agricultura moderna decorrem de uma relação predatória do homem com a natureza, através de práticas que resultam na erosão e degradação dos solos, na redução drástica da biodiversidade, na poluição do ar, do solo e das fontes d’água, com enormes prejuízos à saúde humana e animal.

Isto levou à busca de alternativas tecnológicas, as menos agressivas possíveis ao meio ambiente. O manejo ecológico dos recursos naturais – solo, água, vegetação e fauna – resulta numa agricultura sustentável, com impactos positivos diretos sobre a fertilidade do solo e a nutrição das plantas e, em conseqüência, sobre a sua saúde de agricultores e agricultoras, de consumidores e consumidoras.

Foi num contexto de profundos desequilíbrios que surgiram, em todo o mundo, iniciativas voltadas para a construção de um novo modelo de agricultura que seja ambientalmente equilibrada, economicamente viável e socialmente justa. Tal modelo vem se configurando como agricultura ecológica, hoje empregada nos mais diferentes ramos da produção vegetal e animal.

No caso específico do algodão, sabe-se que se trata de um dos campeões mundiais do uso de agrotóxicos. Embora detenha apenas cerca de 2% a 3% da área cultivada no Planeta, entre 1983 e 1994, essa cultura foi responsável pelo consumo de 10% a 12% dos agrotóxicos vendidos no mundo (Pesticides News, Sep. 1995, p.23-24), chegando em 1994, a registrar um crescimento do consumo da ordem de 11% sobre os valores da década anterior (MYRS & STOLTON, 1999, p.10).

Em decorrência, a produção de algodão tem sido apontada como causadora de inúmeros e graves acidentes ambientais, conhecidos no mundo inteiro, como nos casos do Mar de Aral, no Uzbekistão, do Imperial Valley, na California, do Vale do Cañete, no Peru, das regiões de Iguatu, no Ceará e Santa Helena, em Goiás, e tantos outros (LIMA, 1995, p.3). A cotonicultura, portanto, não poderia ficar à margem desses esforços de busca de uma agricultura saudável. Desde o final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, em países como Austrália, Argentina, Brasil, Egito, Estados Unidos, Equador, Grécia, Índia, Israel, Moçambique, Nicarágua, Paraguai, Peru, Senegal, Tanzânia, Turquia, Uganda, Zimbábue, Zâmbia, dentre outros, tiveram início as primeiras experiências de emprego do manejo agroecológico do algodoeiro (LIMA, 1995, p.6)

No caso do Nordeste semi-árido, a necessidade de cultivar o algodoeiro em bases ecológicas é muito mais um imperativo da necessidade de se encontrar saídas para os graves processos de erosão e degradação do solo, provocados por décadas de cultivo do algodoeiro arbóreo, em bases tradicionais, do que mesmo de encontrar soluções para a poluição ambiental, pois, na região, o uso de agrotóxicos sempre foi uma prática pouco adotada na cultura do algodoeiro.

A experiência realizada por agricultores[i] familiares do município de Tauá, no Ceará, tem caráter pioneiro, por colocar o Brasil entre os países produtores de algodão orgânico.



[i] No corpo deste artigo, o termo agricultor  inclui, indistintamente, homens e mulheres. Entre 1998 e 2001, a participação de mulheres agricultoras como responsáveis  diretas pela condução de consórcios agroecológicos em Tauá, oscilou entre 6 e 10% do total.

 

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