A Ficha Limpa foi a grande novidade das eleições municipais de 2012. O efeito da lei mexeu com o perfil dos candidatos a prefeito e vereador de toda parte do país. Malfeitores tiveram de sair de linha; outros sequer ousaram colocar o nome no tabuleiro da disputa eleitoral.
Tirando o desconto dos mais espertos que conseguiram passar pela triagem rigorosa da Justiça Eleitoral, o resultado é positivo. Isso não significa dizer, porém, que a lei foi consolidada.
Concordo com o jurista Erick Pereira quando diz que “a eleição deste ano é meramente um campo empírico, para que os políticos, deputados federais, senadores, governadores, presidente da República, saibam como vão aplicar e o que precisa ser feito com relação à Lei da Ficha Limpa para o pleito de 2014.”
Ou seja, a eleição municipal de hoje é base empírica de construção jurisprudencial.
No entanto, não há como não reconhecer a importância da lei moralizadora na composição do quadro das eleições de 2012. Veja o que aconteceu no Rio Grande do Norte: políticos tradicionais e de costumes viciosos, sem zelo com o bem público, foram eliminados da possibilidade de voltar ao poder.
Nomes como Nilton Figueiredo, em Pau dos Ferros; Bruno Filho, em Areia Branca; Mozaniel Rodrigues e José Pedro, em Guamaré; Zé Lins, em Currais Novos; Wober Jr., em Natal; José Araújo e José Bezerra, em Baraúna, entre outros, foram colocados na lista daqueles que representam risco ao patrimônio público, todos condenados por falta de zelo com o dinheiro do povo.
Pois bem…
A Lei da Ficha Limpa fez a sua parte. No entanto, os políticos – com “jeitinho brasileiro” – lançaram filhos, mulheres, cunhados e outros parentes, na tentativa de continuar ou retomar o poder de seus municípios. Os (maus) exemplos estão na cara do eleitor; observe quem lançou filho porque não reuniu as condições legais para ser candidato.
Aí, não tem jeito. Só o voto pode barrar os malfeitores de forma efetiva e definitiva. Por isso, o eleitor tem uma responsabilidade ainda maior nas eleições do próximo domingo, 7.
Antes de decidir o seu voto, leve em consideração a ficha do candidato, sua origem, a família. Olhe se o candidato tem seu próprio currículo ou se é apenas um objeto nas mãos dos seus pais, e se seus pais têm a ficha limpa ou não. O eleitor não pode errar; está em jogo o futuro de sua cidade.
É importante o voto limpo, pois a partir dele é possível fazer a verdadeira varredura na vida pública e, por consequência, colocar no poder quem realmente tem compromisso com as pessoas. O voto é coisa séria. Pense nisso.
A ‘palavra’ de Garibaldi em Pau dos Ferros
Nas eleições de 2010, o PMDB de Pau dos Ferros negou apoio ao senador Garibaldi Filho. Fez opção pela ex-governadora Wilma de Faria. Ele acabou nos braços do DEM do prefeito Leonardo Rego, que lhe deu a maior votação na história do município. O Gari prometeu fidelidade, até ser convencido pelo primo Henrique Alves que não existe fidelidade em política. Quarta-feira, 3, foi à cidade tentar derrotar o candidato do DEM de Leonardo.
César Santos - Jornal DeFato
Nenhum comentário:
Postar um comentário