O Ministério Público junto ao Tribunal de
Contas do Estado (MPjTCE) está analisando as informações relativas à compra de
um prédio, na avenida Deodoro da Fonseca, na Cidade Alta, no valor de R$ 800
mil efetuada pelo Ministério Publico do Rio Grande do Norte (MPE) em 2008.
Desde então, o imóvel localizado no Centro de Natal está abandonado.
"Estamos analisando os fatos para
determinar a abertura de um inquérito investigativo", disse o
procurador-geral do MPjTCE, Luciano Ramos.
De acordo com Luciano Ramos, alguns aspectos da
negociação que foi efetuada pelo então procurador-geral de Justiça, José
Augusto Peres, precisam ser apurados. Entre as informações, será levantado se o
MPE sabia que o alvará do prédio não seria liberado pela Prefeitura, motivo
alegado pelos promotores para não utilização do espaço.
"Esse dado será analisado, bem como preciso depurar se houve erro, por dolo ou culpa, na avaliação do imóvel. Com essas informações, será possível a abertura do inquérito", afirmou Luciano.
"Esse dado será analisado, bem como preciso depurar se houve erro, por dolo ou culpa, na avaliação do imóvel. Com essas informações, será possível a abertura do inquérito", afirmou Luciano.
TN
MPRN “maquia” prédio abandonado após anunciar repasse ao Governo do Estado
MP publicou no Diário Oficial a “doação” para a Sesed no Diário Oficial do Estado, mas imóvel ainda está longe do ideal
Tudo não passou
de uma simples maquiagem. Não, não está se falando da denúncia feita pelo
Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) no início da semana contra a
governadora Rosalba Ciarlini, a respeito do investimento do Estado na Educação.
Está se falando
do que foi feito pelo próprio MP no imóvel abandonado pelo órgão desde 2008.
Troca de tapumes, recolhimento do lixo que se acumulava dentro do prédio, corte
de mato. Ou seja: uma tentativa de
amenizar o claro abandono do imóvel.
A maquiagem,
pelo menos, agradou aqueles que transitam pelo local diariamente. “Está melhor
do que antes. Mas o bom mesmo era que dessem um destino a ele”, afirmou
Francisco Balbino, vendedor que trabalha próximo ao prédio. “Eles vieram ontem
(quinta-feira, 20) e hoje pela manhã. Tiraram uma ruma de lixo aí de dentro e
jogaram ali na calçada”, contou.
A quantidade de
lixo e entulho impressiona. Barro, pedaços de gesso, concreto, madeira e mato.
Tudo empilhado no canto da calçada, pior, junto ao muro do vizinho. O matagal
que crescia entre as vagas da calçada foi todo retirado, assim como as garrafas
de bebida alcoólica e pontas de cigarro.
Na frente,
alguns dos buracos feitos nos tapumes foram tapados. Aqueles que ficaram
abertos no térreo, pelo menos, permitem apenas que quem está do lado de fora
veja o que há dentro, não mais entrar. As janelas do primeiro e segundo
andares, porém, continuam abertas. Em visita ao prédio na tarde de hoje, o
portalnoar.com contou seis janelas arrombadas.
Vendo por
dentro do imóvel, agora limpo, é possível ver que ele ainda tem valor. Não
tanto que já teve um dia, é verdade, mas ainda tem valor. O piso de granito,
por exemplo, dá uma ideia disso.
Porém, é bem
verdade que quando se pensa na real condição do imóvel, é possível constatar
que tudo que foi feito não passou de uma mera maquiagem. Por exemplo, o prédio continua sem telhado. Se chover, a água voltará a entrar, ou pelo teto,
ou pelas janelas, abertas. Consequentemente, voltará a acumular água no piso,
criando focos do mosquito da dengue. Vai contribuir, também, para a
continuidade da infiltração das paredes e a proliferação do mofo.
Insegurança
continua
Enquanto isso,
um dos principais motivos de reclamação dos moradores e comerciantes da
vizinhança, a insegurança que o imóvel abandonado representa, continua sendo um
ponto negativo. Afinal, as janelas do primeiro e do segundo pavimentos
continuam abertas e, segundo o pessoal que transita pela área, é por lá que os
usuários de drogas costumavam invadir o prédio.
Segundo a
assessoria de MP, esse é um problema mais difícil de resolver porque, para
colocar um vigilante ou segurança no prédio, seria necessário mais custos e
aumentaria as despesas do órgão com o prédio, que já custou R$ 800 mil aos
cofres públicos.
Entenda o caso
Comprado por R$
800 mil pelo Ministério Público do RN ainda na gestão de José Augusto Peres
como procurador-geral de Justiça (PGJ), o imóvel localizado na esquina da
Avenida Deodoro da Fonseca com a Rua José de Alencar, se encontra abandonado há
seis anos. Basicamente, ele nunca teve qualquer utilização por parte do MP, uma
vez que foi comprado e fechado por não ter alvará de funcionamento emitido pela
Prefeitura.
Isso porque,
segundo informou José Augusto Peres, o imóvel precisaria ter outras três vagas
de garagem para poder receber alvará de funcionamento. Como seria preciso uma
reforma completa que acabaria por retirar um dos três andares que possui, o MP
achou melhor vender o prédio. Contudo, os trâmites burocráticos, segundo
informou a assessoria de imprensa ministerial, teriam prejudicado essa venda.
Já em 2014, na
gestão do PGJ Rinaldo Reis, chegou à decisão de “doar” o imóvel, repassando ele
para o Governo do Estado, com o objetivo de instalar a Divisão de Homicídios e
atender a uma das várias exigências feitas pelo Governo Federal para a
liberação de recursos do Brasil Mais Seguro.
Portal no Ar
Mais:
Prédio abandonado
pelo MP só será recebido por Governo se for viável e conveniente
Imóvel, que hoje está em condição
precária, será ainda analisado e doação pode até não acontecer, apesar da
Procuradoria Geral do Estado apoiar iniciativa
Faltou combinar:
Governo não foi informado da doação de prédio abandonado pelo MP
Poder Executivo estadual afirma que
não foi informado do interesse do Ministério Público de doar prédio comprado
por R$ 800 mil e sem utilidade alguma há seis anos
Moradores dizem
que prédio abandonado pelo MP tem focos do mosquito da Dengue
Além da presença de usuários de
drogas, moradores da Rua José de Alencar afirmam que prédio tem focos de Aedes
aegipt
MP investigou
prédio abandonado pela Prefeitura, mas não investiga próprio abandono
Incoerência do órgão fiscalizador é
exemplificada no imóvel comprado por R$ 800 mil e que jamais teve qualquer
utilização pelo Ministério Público
Manoel Onofre não
se manifestará sobre escândalo de prédio abandonado
Últimos ocupantes da procuradoria
geral de Justiça tentam transferir responsabilidade sobre o imóvel abandonado
há seis anos
Ministério Público
gasta R$ 800 mil em prédio usado hoje para consumo de drogas
Moradores denunciam lixo,
desperdício e insegurança de prédio abandonado pelo MP ainda em 2008
Manoel
Onofre acredita que é “impossível” recuperar prédio que MP abandonou
Segundo orçamento feito pelo ex-procurador geral de Justiça, a
adequação do imóvel está orçada em R$ 550 mil em 2009. Imagine o valor para
recuperá-lo agora
Um abacaxi de R$ 800 mil
que, para ser descascado, necessitará de, pelo menos, mais R$ 550 mil. É dessa
forma que pode ser classificado o prédio abandonado pelo Ministério Público do
RN no Centro de Natal e que, agora, o órgão ministerial quer repassar ao
Governo do Estado. O valor para descascar, ou seja, para reformar o prédio foi
revelado por meio de documento feito pelo próprio MP e enviado para a
Assembleia Legislativa em 2011, quando a Procuradoria Geral de Justiça tinha
interesse em vendê-lo.
Dessa forma,
ressalta-se que os R$ 500 mil podem não ser o valor total hoje. Isso porque
esse era a quantia que o arquiteto Ciro Celestino Figueiredo Sousa chegou ao
calcular os custos de uma reforma com o simples objetivo de adequar o imóvel às
exigências da Prefeitura de Natal para o funcionamento dele. Ou seja: o
arquiteto não considerou, na época, a necessidade de uma restauração do prédio,
fechado há seis anos e, hoje, repleto de problemas estruturais.
O “projeto de
lei ordinária” enviado pelo Ministério Público do RN, o qual o portalnoar.com
teve acesso com exclusividade, foi formulado já na gestão do promotor Manoel
Onofre de Souza Neto na Procuradoria-Geral de Justiça. Mais precisamente no dia
31 de janeiro de 2011. A intenção dele era que essa matéria fosse aprovada na
Assembleia Legislativa permitindo a venda do imóvel. “Importante ressaltar que
ao bem nunca foi dada nenhuma destinação de uso público, razão pela qual
prescinde de desafetação”, frisou Onofre no documento.
Estacionamento
A
impossibilidade de uso seria consequência de uma insuficiência de vagas de
estacionamento. Detalhe: não eram apenas três as vagas que precisariam ser
acrescentadas, conforme disse o promotor José Augusto Peres, procurador-geral
de Justiça na época da compra do imóvel por R$ 800 mil. Era necessário bem mais,
segundo informou Manoel Onofre no projeto de lei.
“Diante da
obrigatoriedade de adequá-lo as normas de acessibilidade e normas urbanísticas
vigentes, dentre estas, a concernente ao estacionamento, já que a metragem
quadrada do edifício exigiria 24 vagas, quando, em obediência as normas de
espaçamento, são possíveis apenas seis procedimentos e o custo valorado em
aproximadamente R$ 550 mil, nos termos do parecer apresentado pelo arquiteto
Ciro Celestino Figueiredo Sousa, em 11 de agosto de 2009”, argumentou Manoel
Onofre durante o projeto, explicando o porquê de querer vende-lo.
“Constatou-se a
impossibilidade de atendimento às exigências legais para adequar o imóvel as
necessidades de uso, ponderando nesta decisão, o vultoso investimento que seria
exigido do erário”, acrescentou Manoel Onofre, com o simples objetivo de
reforçar o que já havia dito antes.
É importante
ressaltar que, ao final do projeto, o então procurador solicitou a “adoção das
medidas necessárias para que a presente proposta tramite com a máxima urgência,
respeitando as competências legislativas”. E tramitou. Foi aprovada na
Assembleia Legislativa e sancionada pela governadora Rosalba Ciarlini em menos
de quatro meses.
Porém, depois
disso, voltou para o Ministério Público e, de lá, não saiu mais, uma vez que o
órgão não conseguiu proceder à avaliação do imóvel, por não concluir a
licitação para a contratação das empresas avaliadoras – as licitações feitas
foram dadas como desertas.
Bom negócio?
Durante a
argumentação feita por Manoel Onofre no projeto de Lei, percebe-se a intenção
dele de mostrar que o imóvel não é viável para o MP porque representaria um
gasto com o qual o Poder Público não teria condição de arcar. Isso, na época
que o prédio ainda tinha pouco tempo de “abandono”. A pergunta que fica é: e
agora, é viável?
Afinal, o
prédio precisa ser considerado “conveniente” para poder ir para a
responsabilidade do Governo do Estado, segundo o interesse atual do Ministério
Público de “doá-lo” ao Executivo, uma vez que o processo de venda se mostrou
muito demorado pela impossibilidade de conclusão da licitação.
Portal no Ar
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